Capítulo 53

— O clima está agradável hoje. Vamos dar um passeio pelo jardim.

Rothbart empurrou a cadeira de rodas de Anna em direção ao jardim. Os criados da mansão curvaram-se um a um diante dos recém-casados. Pelas costas deles, todos concordavam que o Marquês demonstrava uma devoção profunda à noiva que finalmente conquistara após tanto tempo.

— Há uma coisa pela qual sou grato ao meu pai.

Sua voz grave soou suavemente atrás dela. Anna permaneceu em silêncio, ouvindo-o.

— Por não ter matado você e por tê-la deixado voltar viva.

O pai de Rothbart matara o mago negro que fora o mestre de Rose e, depois, tirara a própria vida. Pensando agora, era quase estranho que ele não tivesse matado Anna também.

— Se você tivesse realmente morrido, talvez ele temesse que eu tirasse a minha própria vida e falhasse em cumprir o desejo da minha mãe. Ou talvez quisesse me ver definhar e sofrer, agarrado desesperadamente a um único e frágil fio de esperança.

— …

— Mas, graças a isso, pude reencontrá-la. Se ele estiver observando esta cena do inferno, quanto deve lamentar?

Rothbart soltou uma risada baixa. O desprezo genuíno que fervia no fundo do peito dele deixou Anna ainda mais sem palavras.

Nesse momento, Svanhild, que estava do lado de fora, avistou os dois e correu até eles.

— Vocês vão passear?

— …Sim. O que estava fazendo, Svan?

Anna respondeu de forma um pouco desajeitada. Já era difícil lidar com ele quando acreditava que fosse apenas o jovem mestre da mansão. Agora que sabia que ele era seu filho, tinha ainda menos ideia de como tratá-lo.

— Saí um pouco antes da aula começar.

Recentemente, um novo tutor chegara à mansão para substituir Rose. Era um senhor de idade. Embora Anna tivesse ficado surpresa com a mudança repentina, como ninguém mencionava Rose, ela também evitava falar sobre ela.

Svan agarrou-se a Anna e Rothbart e pediu com um tom infantil incomum para ele:

— Posso ir com vocês também?

— Svan.

Rothbart recusou de imediato.

Anna sorriu sem jeito e tentou persuadi-lo.

— Não tem problema até a aula começar. Vamos levá-lo conosco. Sim?

— …

Rothbart parecia descontente, mas não balançou a cabeça. Com aquele consentimento silencioso, Svan abriu um largo sorriso e começou a brincar com a mão de Anna apoiada no braço da cadeira.

— Como esperado, só a mamãe me entende.

Talvez ainda incapaz de acreditar completamente que Anna era sua mãe, Svan a chamava de “mamãe” incontáveis vezes por dia, às vezes até com os olhos marejados. Sempre que pronunciava aquela palavra, um brilho de felicidade surgia em seus olhos vermelhos, tão parecidos com os do pai.

As pessoas se surpreendiam ao ver o espinhoso Svanhild tratar Anna como uma verdadeira mãe. Afinal, ele tinha apenas onze anos, uma idade em que ainda precisava dos cuidados maternos. Como sempre fora incomumente apegado a ela, alguns especulavam que aquele era o motivo pelo qual o Marquês fizera da criada de baixa origem sua esposa em vez de mantê-la apenas como amante.

Mas ninguém conhecia a verdade.

A família outrora dispersa estava reunida novamente, e todos pareciam felizes. Embora o processo tivesse sido caótico, a imagem externa era calorosa e harmoniosa.

Quebra de página

O jardineiro que recebeu a família Lohengrin era um rosto desconhecido. Qualquer que fosse a história que ouvira dos outros criados, curvou-se exageradamente e tratou de se afastar às pressas.

Enquanto caminhavam pelo jardim, Svanhild ouviu seu tutor chamá-lo e percebeu que era hora da aula. Fazendo um bico de insatisfação, voltou arrastando os pés.

Assim que Svanhild partiu e até mesmo o som de seus passos desapareceu ao longe, Rothbart ergueu apressadamente a saia de Anna.

— Roth, aqui…?

— Você não estava pensando em me dizer não, estava, Anna?

Ajoelhado no chão, com a cabeça escondida sob a saia dela, Rothbart ergueu os olhos.

Ao encontrar aqueles olhos vermelhos, Anna descobriu que era incapaz de afastá-lo.

— Ah…!

Os lábios de Rothbart fecharam-se sobre sua intimidade. Ao sentir o toque, o corpo de Anna enrijeceu, e suas mãos agarraram com força os braços da cadeira de rodas.

Rothbart segurou firmemente seus quadris enquanto a saboreava sem deixar escapar nada. Entregando-se à sensação dela contra sua língua, aprofundou ainda mais o contato. Os joelhos de seu elegante traje mancharam-se de terra, mas ele não se importou nem um pouco.

— Ah, Roth… pare… ah… eu vou…

— Eu nunca disse para você não gozar.

— Agora… ahh… mm…!

Suas costas arquearam-se, obrigando seu queixo a se erguer. As roseiras vermelhas do jardim preencheram sua visão turva.

Anna contorceu o corpo, mas aquilo era tudo o que conseguia fazer. Não podia escapar do firme domínio dele.

No fim, atingiu o clímax ainda presa àquele aperto.

— Ah… mm… ahhh!

Embora Rothbart tivesse manipulado as pessoas ao redor, Anna continuava consciente do ambiente. Fez o possível para conter a voz, mas os gemidos que escapavam por entre seus dentes cerrados eram inevitáveis.

Exausta, sem forças sequer para mover um dedo, ela arfou pesadamente.

Mas Rothbart não lhe concedeu descanso.

Puxou suas pernas trêmulas para si. Perdendo o equilíbrio, a parte superior de seu corpo escorregou contra o encosto da cadeira.

Enquanto Anna se agitava, Rothbart afrouxou rapidamente o cinto e libertou sua ereção pulsante. Sem hesitar, penetrou-a.

— Ah!

— Haa… Anna… Ianna…

A invasão repentina roubou-lhe o fôlego.

Apesar da pressão avassaladora, seu corpo cedeu ao movimento dele. Sentindo a intimidade dela envolvê-lo, Rothbart moveu os quadris num ritmo lento e deliberado.

— Ah… ngh… Roth…

Rothbart insistia em cobri-la com seu próprio aroma, como se desejasse apagar até o último vestígio do mundo original que ainda permanecia nela.

Em meio à névoa de sua consciência, Anna viu Rothbart ofegando diante das roseiras.

Houve um tempo, muito distante, em que caminhara de mãos dadas com ele por aquele mesmo jardim, quando ele ainda era um jovem cheio de vida.

Aquele lugar puro e inocente das suas lembranças agora estava manchado por desejo e decadência.

E tudo era culpa dela.

Jamais poderiam voltar àqueles dias.

Contendo os soluços, Anna engoliu suas lágrimas junto dos gemidos.

Seria coincidência?

Rothbart também se lembrava da mesma época.

Recordando a Anna de mais de dez anos atrás, ele acariciou sua face com delicadeza.

— Enquanto passei todos esses anos sozinho, sempre que percebia que você permanecia igual àquela época… era doloroso demais. Pensar que nossos tempos haviam se distanciado tanto.

Rothbart ergueu a mão dela e a pressionou contra a própria face.

Sob as pontas dos dedos, Anna sentiu as primeiras marcas do tempo surgindo na pele dele.

O calor espalhou-se por seus dedos rígidos.

Quando ela tentou acariciá-lo com ternura, Rothbart afastou sua mão e suspirou.

— Mas não se preocupe. Eu não posso morrer antes de você.

— Ah…!

— Como eu poderia permitir que outro homem tocasse aquilo que é meu depois que eu me fosse? Nunca permitiria isso.

— Ah… haa…

Os movimentos dele tornaram-se ainda mais intensos.

Desde aquele dia, Rothbart falava constantemente sobre a morte.

Talvez, como a magia de manipulação não funcionava em Anna, ele estivesse tentando gravar aquelas palavras nela pela repetição.

Sua mão apertou o pescoço dela como um laço.

O ar tornou-se escasso.

Mal se agarrando à consciência vacilante, Anna soltou um som fraco.

Como uma presa presa numa armadilha, quanto mais lutava, mais se feria.

Como um cisne branco capturado por um laço, Anna inclinou o pescoço esguio e aceitou Rothbart.

Aquela submissão apenas pareceu provocá-lo ainda mais.

— Não importa quanto tempo você viva, eu viverei exatamente um dia a mais. No momento em que seu funeral terminar e seu caixão for colocado para descansar, eu entrarei junto com você e serei enterrado inteiro. Entendeu? Essa será a minha única morte. Mesmo que você estremeça e rejeite isso…

Ao contrário do que Rothbart esperava, suas palavras encheram Anna de alegria.

Porque ele acreditara nela uma vez e a perdera.

Por isso, jamais abandonaria a vigilância, a suspeita e a obsessão.

Era pesado demais.

E ainda assim, ela o aceitava.

Anna abandonara o homem que amava e o filho que tivera.

Mas, em troca, pudera acompanhar os últimos momentos da mãe.

E graças a Rothbart, que finalmente a trouxera de volta, reencontrara ambos.

No fim, não perdera nada.

O que a aguardava não era uma morte solitária.

Era uma vida ao lado de Rothbart.

Ele dissera que não haveria outro homem para ela.

Da mesma forma, não haveria outra mulher para Rothbart.

Tudo estava exatamente como ela desejara.

Portanto, não havia motivo para recusar.

Aceitando tudo o que ele lhe oferecia, Anna baixou os olhos.

A escuridão atrás de suas pálpebras engoliu o mundo.

Então, uma fina luz surgiu como uma rachadura.

Como o sol nascendo sobre uma colina ao amanhecer.

Ah.

Há um túmulo naquela colina.

Meu túmulo.

E o de Roth.

Como ele deseja, finalmente seremos enterrados juntos…

A percepção atingiu sua mente como uma profecia.

O êxtase de saber que ele jamais a abandonaria até o instante da própria morte.

Seu rosto pálido, oculto pelas longas pestanas como por uma cortina, encerrou a longa história.

— Túmulo do Cisne

Fim.

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