Capítulo 45
Desde o início, cair naquele mundo havia sido algo repentino.
Mas, ainda assim, Anna não queria retornar como alguém expulsa.
Queria resolver tudo por vontade própria antes de partir.
Pensando bem, ela sempre estivera adiando as coisas.
Em vez de sofrer sozinha por não conseguir engravidar, deveria ter conversado com Rothbart ao menos uma vez.
O mesmo valia para a proposta de tornar-se sua amante ou sua esposa.
Anna apenas recusara.
Nada além disso.
Nunca perguntara nada diretamente a Rothbart.
Limitara-se a imaginar respostas sozinha.
Até mesmo sobre o método de retorno que ele lhe contara, sem jamais confirmar se era verdadeiro ou falso.
Se eu continuar fugindo assim, nada será resolvido.
Para conseguir encará-lo de cabeça erguida, precisava confirmar se o método de retorno mencionado por Sehyun era realmente verdadeiro.
E, se aquele método estivesse correto…
Ela perguntaria a Rothbart por que havia mentido.
Depois de ouvir sua resposta e compreender seus motivos, ainda haveria tempo de partir usando as roupas que Sehyun lhe emprestaria quando chegasse a próxima Lua Vermelha.
Mesmo que retornasse ao seu mundo agora, os assuntos daquele lugar continuariam corroendo sua mente.
Era melhor resolver todos os ressentimentos e mal-entendidos e partir apenas no ano seguinte.
Seus pais, que a aguardavam em seu mundo original, certamente poderiam esperar mais um ou dois anos.
Na verdade, ela sequer imaginara que Sehyun se ofereceria para dividir suas roupas com ela.
Assim como não lhe revelara o método ensinado por Rothbart por não confiar nele, agora uma leve culpa se enroscava em seu peito.
Pensou que deveria encontrar Sehyun e pedir desculpas.
Depois daquela despedida, talvez passasse um ano inteiro até que se encontrassem novamente.
Diversos pensamentos surgiam e desapareciam em sua mente.
Enquanto isso, o tempo continuava avançando.
Embora fosse um caminho que percorria frequentemente, naquela noite parecia especialmente longo.
Depois de atravessar o corredor, Anna desceu as escadas com passos rápidos.
Ao chegar ao último degrau, bastaria virar à direita para alcançar o portão dos fundos da mansão.
Mas, ao tocar o último degrau, foi obrigada a parar.
— Eu sabia.
Um garoto bloqueava completamente a passagem.
Era Svanhild.
Seus olhos vermelhos, sombrios, brilhavam na escuridão como chamas de velas.
Com o rosto tomado pela sensação de traição, ele abriu a boca lentamente.
— Vai me abandonar outra vez?
Não havia como saber por que Svanhild estava ali àquela hora.
E, pelas palavras dele, parecia ter esperado por ela durante todo aquele tempo.
A mansão estava repleta de mistérios.
Mas os dois homens da família Lohengrin eram os enigmas que Anna jamais conseguia compreender.
Forçando um sorriso desconfortável, ela falou em voz baixa, tentando acalmá-lo.
— Do que está falando, jovem mestre? Quando foi que eu o abandonei? Eu apenas… vou sair por um momento.
— Sair? Mentira. Você vai embora para sempre.
O rosto de Svanhild se contorceu imediatamente.
Era evidente que acreditava que ela estava mentindo.
Apesar da dureza das palavras, a tristeza e o desespero por trás delas eram impossíveis de ignorar.
Por que Svanhild é tão apegado a mim…? Será porque, como o pai dele, eu me pareço com a Marquesa?
Mas não parecia ser apenas isso.
Havia nele uma confiança cega e inexplicável.
Svanhild ergueu o queixo e a ameaçou:
— Se eu começar a gritar aqui agora, o que acha que vai acontecer?
— Por favor, jovem mestre…
A voz de Anna saiu urgente.
Ela queria explicar sua situação, mas não havia tempo.
A cada segundo que passava, sua ansiedade aumentava.
Movia os pés inquieta.
O tempo que possuía era limitado.
Se Sehyun se cansasse de esperar e fosse embora…
Mas ela não fazia ideia de como convencer Svanhild.
Desde o início, sequer entendia por que ele a estava impedindo.
Se não houvesse alternativa, deveria empurrá-lo e correr?
Mas, se ele gritasse e chamasse atenção…
Era óbvio que nada de bom aconteceria caso Rothbart ou Odile descobrissem.
Enquanto Anna hesitava, Svanhild, que a observava fixamente, falou de repente:
— Vá.
Os olhos dela se arregalaram.
Se ele iria ceder tão facilmente, por que permanecera guardando o portão até tão tarde?
Sem conseguir entender aquela mudança repentina, Anna apenas piscou.
Os pequenos ombros, antes erguidos em desafio, caíram lentamente.
Lágrimas começaram a surgir nos olhos vermelhos do garoto.
Ele cuspiu as palavras com amargura:
— Se quer tanto ir embora… então vá.
— Obrigada, jovem mestre. Eu realmente vou voltar.
— Mentira.
Svanhild negou imediatamente.
Sua voz carregava uma certeza venenosa.
Como se soubesse que ela jamais retornaria.
Mas não havia tempo para discutir.
Com medo de que ele mudasse de ideia, Anna passou apressadamente por ele.
— Mesmo que vá, não vai mudar nada.
As palavras silenciosas que vieram atrás dela soaram estranhamente ameaçadoras.
Como se Svanhild soubesse de algo.
Mas já não havia tempo para refletir.
O horário combinado estava próximo.
Ao atravessar o portão dos fundos, Anna começou a correr.
Deixando para trás Svanhild.
Deixando para trás a mansão.
Ao longe, através dos campos escurecidos como penas de um corvo, aquele olhar vermelho permaneceu grudado em suas costas como uma marca.
Sem perceber, Anna olhou para trás.
Mesmo à distância, ainda conseguia ver Svanhild observando-a.
Não conseguia distinguir sua expressão.
Mas ele permanecia imóvel.
Sem dar um único passo.
Até que sua silhueta desaparecesse completamente.
Uma estranha sensação de déjà-vu atravessou seu coração.
Realmente parecia que estava abandonando Svanhild.
Aquilo não fazia sentido.
Independentemente de retornar ou não, os dois não possuíam uma relação em que alguém abandonava o outro.
Mal haviam trocado algumas palavras.
E, ainda assim…
Talvez fosse assim que um pai ou uma mãe se sentia ao deixar uma criança diante de um orfanato.
Uma dor aguda atravessou seu peito.
Isso é porque Svanhild insiste em se apegar a mim. É apenas a culpa que ele plantou dentro de mim… Porque me pediu para ser sua mãe, então eu…
Engolindo todos aqueles sentimentos, Anna continuou correndo.
Correu até ficar sem fôlego.
Encontrar Sehyun vinha primeiro.
Sua relação com Svanhild poderia ser resolvida depois.
Não demorou muito para alcançar a grande árvore de cravo onde haviam combinado se encontrar.
Naturalmente, esperava que Sehyun a recebesse.
Mas não havia ninguém ali.
— Sehyun oppa?
Assustada, Anna começou a procurar ao redor.
Talvez ele estivesse escondido para evitar olhares curiosos.
Mas, por mais que chamasse seu nome repetidas vezes, ninguém aparecia.
E assim Anna permaneceu sozinha sob a árvore.
Abandonada.
Sem ter para onde ir.
Assim que a escuridão caiu, Sehyun deixou a mansão usando o uniforme de criada de Anna.
Seu destino era o local onde escondera suas roupas.
A cena era ridícula.
Mas ainda era melhor do que caminhar nu pela noite.
Para Sehyun, qualquer peça de roupa já era uma bênção.
O esconderijo ficava a certa distância dos estábulos.
Certa vez, enquanto conduzia cavalos, descobrira um tronco oco.
Como o lugar era difícil de notar, julgara perfeito para esconder seus pertences.
Na aldeia, as roupas de Anna haviam sido vendidas por um preço razoável.
Por isso, Sehyun temera que os outros rapazes dos estábulos cobiçassem suas coisas.
Foi justamente por isso que as escondera.
Agora aquilo parecia uma sorte providencial.
Anna disse que até perdeu as roupas íntimas… Mas como alguém consegue perder as próprias roupas íntimas? Que garota descuidada.
Sehyun estalou a língua.
Embora sentisse certa pena da situação dela, acreditava que perder as próprias roupas era responsabilidade dela mesma.
Bem, mesmo que ainda tivesse as roupas íntimas, quem garante que isso seria suficiente para voltar ao mundo original? No momento em que vendeu suas roupas, o destino dela de não retornar já estava selado.

