Capítulo 41
A vida era assim.
Havia limites para aquilo que a força humana podia alcançar.
Depois de finalmente abrir mão do próprio coração, Anna decidiu que, quando surgisse a oportunidade, também contaria a Sehyun como os cisnes podiam retornar ao seu mundo original. Até então, continuara adiando aquilo repetidas vezes, sem encontrar ocasião nem coragem para lhe dizer a verdade, mas agora sentia que aquele momento havia chegado.
— Bem… na pior das hipóteses, minha reputação só vai sofrer um pouco se o oppa Sehyun voltar antes de mim e sair falando bobagens.
Ela já estava cansada de tudo.
O que importava se sua reputação fosse manchada um pouco mais?
Além disso, era bem possível que Lady Brabant já tivesse lhe contado o método de retorno.
Anna abaixou o olhar para as próprias mãos.
Mais uma vez, lembrou-se da grande palma de Rothbart cobrindo a sua.
Ao recordar o calor reconfortante — e ao mesmo tempo assustador — que aquela mão lhe transmitia, fechou lentamente os dedos em punho.
Assim como Anna havia se tornado a criada pessoal de Rothbart, o rumor de que Sehyun, o rapaz dos estábulos, fora escolhido por Lady Brabant espalhou-se rapidamente por toda a mansão.
Ao ouvir a notícia, Rose passou a andar de um lado para o outro em seu quarto.
— Como eu imaginava… Joseph realmente é um cisne. É por isso que Lady Brabant agiu tão depressa.
Se tivesse hesitado um pouco mais, talvez tivesse perdido a oportunidade para sempre.
Mas, mesmo agora, a situação continuava longe de ser favorável.
Embora tivesse dado o primeiro passo, Odile aparecera logo em seguida e tomara Joseph para si.
Joseph não tivera tempo de contar a Anna sobre o retorno ao mundo original.
E, se Anna não soubesse disso, tudo perderia o sentido.
O problema era que Joseph agora estava praticamente confinado nos aposentos de Odile.
Como Odile raramente saía de lá, aquele lugar parecia uma fortaleza inexpugnável.
Rose chegou a cogitar atrair Odile para fora e libertar Joseph, mas, por mais que pensasse, não conseguia imaginar uma maneira de fazê-lo.
Enquanto isso, o tempo continuava avançando sem piedade.
O dia da Lua Vermelha aproximava-se cada vez mais.
— Não tenho escolha. Terei de contar a ela pessoalmente…
Rose estalou a língua.
Queria resolver tudo sem precisar agir diretamente, mas, no fim, acabara sendo obrigada a se mover duas vezes.
Se soubesse que terminaria assim, teria abordado Anna desde o início.
Com a Lua Vermelha tão próxima, era óbvio que Rothbart estaria especialmente atento.
Ainda assim, não havia alternativa.
Livrar-se de Anna vinha em primeiro lugar.
Precisaria agir com extremo cuidado.
Antes de tudo, precisava de um pretexto para chamar Anna.
Deveria usar Joseph como desculpa?
Ou talvez Svanhild?
De qualquer forma, só de imaginar aproximar-se daquela garota já sentia náuseas.
Enquanto deixava o quarto tentando conter sua irritação, algo completamente negro invadiu sua visão.
— O quê?!
Assustada, Rose tentou resistir com todas as forças.
Foi inútil.
Uma dor surda atingiu a parte de trás de sua cabeça.
Seu corpo desabou no chão.
Sua consciência afundou lentamente.
E o que a recebeu foi apenas uma escuridão absoluta.
O sol da manhã ergueu-se sobre o horizonte, e a luz começou a se espalhar pela mansão.
Como de costume, Anna foi até os aposentos de Rothbart.
No instante em que atravessou a porta, ele a puxou para a cama.
Não era incomum que ele a tomasse logo pela manhã.
Mas, naquele dia, havia algo diferente.
Algo excessivamente brusco.
Surpresa, Anna ergueu os olhos para observá-lo.
Os lábios dele estavam cerrados com firmeza, e uma irritação sombria escondia-se no fundo de seus olhos vermelhos.
Rothbart jamais fora um homem alegre.
Ainda assim, naquele dia parecia especialmente mal-humorado.
Ele a empurrou sobre os lençóis desalinhados, que ainda conservavam os vestígios de uma noite mal dormida.
Seu rosto foi pressionado diretamente contra o colchão.
— Ah!
A roupa de cama, impregnada pelo cheiro dele, envolveu seus sentidos.
Quando aquele aroma masculino invadiu suas narinas e embaralhou seus pensamentos por um instante, Rothbart agarrou seus quadris com rudeza.
— Ah…!
Seu corpo já havia se acostumado a ele.
Ainda assim, antes mesmo que pudesse se preparar adequadamente, ele a invadiu.
De uma só vez.
Sem lhe dar tempo para respirar.
O peso do corpo dele a esmagou contra o colchão.
Presa entre a cama e Rothbart, Anna não conseguia mover sequer um centímetro.
Era como se estivesse completamente imobilizada.
Sob aquela pressão sufocante, a única sensação que permanecia clara era a dele preenchendo-a.
Ele se movia devagar.
Mas seus quadris não demonstravam qualquer misericórdia.
Primeiro veio a dor.
Uma dor aguda, quase cortante.
Depois, lentamente, o prazer começou a espalhar-se pelo seu corpo, afrouxando a tensão que a mantinha rígida.
— Mm… ngh…
Ela não conseguia respirar.
Era como se estivesse afundando na água.
A sensação de sufocamento apertava sua garganta, e apenas gemidos fracos escapavam de seus lábios.
Normalmente, a essa altura, ele já teria soltado alguma provocação.
Alguma observação sarcástica.
Mas naquele dia Rothbart permaneceu em silêncio.
Limitou-se a segurar seus braços com força enquanto continuava avançando dentro dela.
Estaria a castigando?
Ou apenas descontando nela sua frustração?
Por um momento parecia ter melhorado.
Então o que teria estragado seu humor novamente?
Ele aparecera de repente em seu quarto.
Cada vez mais, tornava-se difícil acompanhar os caprichos daquele homem.
As mãos longas e elegantes rasgaram suas roupas.
Não demorou para que ela estivesse completamente exposta sob o toque impaciente dele.
Seu corpo pálido tremia impotente sob aquela figura imensa.
Ele continuava sem lhe conceder descanso.
A cada investida, seu corpo era empurrado para frente.
Seus braços finos mal conseguiam sustentá-la.
Era um tratamento cruel.
Impiedoso.
Anna suportou tudo em silêncio.
Desejando apenas que aquilo terminasse logo.
Quando tudo acabou, a exaustão a atingiu de uma só vez.
Parecia que não fazia muito tempo desde que entrara naquele quarto, mas seus membros já pesavam como chumbo.
As pernas recusavam-se a obedecê-la.
O corpo inteiro parecia vazio.
Ao contrário dela, Rothbart permanecia impecável.
Não havia sinal de fadiga em sua expressão.
Somente então um traço tardio de culpa surgiu em seus olhos.
Ele a observou por um longo momento.
Então murmurou:
— Perdoe-me.
Anna arregalou os olhos.
Depois de tudo o que haviam compartilhado, jamais esperara ouvir aquelas palavras dele.
Rothbart abaixou o olhar.
E continuou:
— Eu estava inquieto.
A honestidade daquela confissão abalou seu coração.
O homem que sempre parecera perfeito e inalcançável agora parecia apenas uma fera ferida.
Mesmo sendo ela quem estava completamente destruída naquele momento.
Sem perceber, Anna estendeu a mão e tocou a dele.
— …E por que estaria inquieto?
— Porque hoje é o dia da Lua Vermelha.
Então aquele momento finalmente havia chegado.
Sem perceber, Anna voltou o olhar para a janela.
Mas ainda era pleno dia.
Do lado de fora, apenas o céu azul e límpido se estendia sem fim.
Segurando sua mão, Rothbart continuou em voz baixa.
As longas pestanas projetavam sombras sobre as íris vermelhas.
— Assim como minha esposa retornou quando a lua vermelha surgiu… tive a sensação de que você também poderia partir.
— …Ainda não engravidei. Você mesmo disse que é preciso dar à luz para retornar. Não há como eu ir embora.
— Mas, se pudesse partir, iria imediatamente, não é?
Ele falou como se aquilo fosse uma verdade absoluta.
Se fosse a Anna de antigamente, teria concordado sem hesitar.
Mas agora…
Já não sabia.
Não era que não desejasse voltar.
Na verdade, o que queria era fugir dele.
Porque Rothbart abalava seu coração de maneira intensa demais.
Porque os sentimentos que despertava nela eram estranhos e desconhecidos.
Emoções que jamais experimentara em toda a sua vida.

