Capítulo 40
— Ouvi dizer que, no dia da Lua Vermelha, se você vestir as roupas do seu mundo original e se jogar no reflexo da lua sobre o lago da floresta, poderá voltar. Bem… se isso é verdade ou não, eu não sei.
Sehyun quase gritou de alegria diante da facilidade com que obtivera aquela informação.
Finalmente.
Finalmente ele conhecia o caminho de volta para seu mundo original.
Rose dissera que não sabia se era verdade, mas, no coração de Sehyun, ele já estava mergulhando naquele lago.
— De qualquer forma, como a Marquesa partiu logo após dar à luz o jovem mestre, imagino que tanto o Marquês quanto o jovem mestre tenham se sentido profundamente traídos… Enfim, se eu puder, tentarei acompanhá-lo. Até mais tarde.
Tendo dito tudo o que precisava, Rose se afastou rapidamente.
Em outras circunstâncias, Sehyun teria observado sua figura se afastando com olhos cheios de desejo, mas agora estava excitado demais com algo muito mais importante do que um simples encontro amoroso.
Se ao menos tivesse se esforçado um pouco mais, poderia ter descoberto isso muito antes.
Afinal, o que Anna estivera fazendo todo esse tempo naquela mansão?
Ou será que, com ciúmes da beleza de Rose, evitara se aproximar dela de propósito?
Mulheres eram assim.
Estalando a língua, Sehyun saboreou a conquista que acabara de obter.
Talvez Anna tivesse descoberto tudo muito antes e simplesmente não tivesse contado a ele…
Era possível.
Sehyun ainda possuía suas roupas originais, mas Anna vendera as dela antes de chegar à mansão.
Talvez ela estivesse apenas esperando uma oportunidade para roubar as dele.
Só de pensar nisso, sentiu um arrepio.
— É melhor eu verificar se minhas roupas ainda estão seguras.
Tomado por uma inquietação repentina, Sehyun apressou-se em direção ao seu quarto nos estábulos.
Embora tivesse escondido as roupas com cuidado, sua mente estava em completo caos.
A aproximação do dia da Lua Vermelha apenas alimentava sua ansiedade.
Em breve, ele escaparia daquele lugar maldito.
Quanto havia sofrido nas mãos daqueles bárbaros ignorantes e incultos!
Seus olhos brilhavam de esperança.
Foi então que, enquanto acelerava os passos, cruzou o olhar com uma mulher que vinha em sua direção ao longe.
Uma beleza pálida e delicada, com os cabelos castanho-claros elegantemente presos, caminhava sob uma sombrinha branca.
Suas vestes eram completamente diferentes das de uma criada.
À primeira vista, era evidente que se tratava de uma dama nobre.
Devia ser a convidada que chegara recentemente à mansão.
Comparada a Rose, possuía um charme diferente, capaz de fazer a garganta de Sehyun se mover involuntariamente.
Ele afastou-se para o lado e baixou a cabeça para permitir sua passagem.
Ela se aproximou cada vez mais.
Um perfume sedutor flutuou no ar.
Agora que conhecia o caminho de volta para seu mundo, sentiu um súbito arrependimento por nunca ter estado adequadamente com uma mulher naquele lugar.
Enquanto aquele pensamento tolo atravessava sua mente, os passos da dama pararam bem diante dele.
Desconcertado, Sehyun abaixou ainda mais a cabeça, transpirando nervosamente, quando ela falou com uma voz doce.
— Hum… Você está ocupado neste momento?
— N-Não, não estou.
— Preciso de alguém para me mostrar a mansão… Se não se importar, poderia me acompanhar?
— Eu?
Surpreso pelo pedido inesperado, Sehyun ergueu a cabeça.
Naquele instante, encontrou os olhos vermelhos como rubis que o observavam atentamente.
Aquele olhar encantador o deixou atordoado.
Não havia dúvida.
Aquela dama nobre estava lançando-lhe um olhar sedutor.
Primeiro Rose.
Agora até mesmo uma orgulhosa dama da nobreza.
Sehyun começou a se perguntar seriamente se não era bastante popular naquele mundo.
Deveria recusar alegando estar ocupado ou…
Afinal, suas roupas estavam escondidas em um lugar onde ninguém jamais as encontraria.
Estariam seguras mesmo que ele não fosse verificá-las imediatamente.
Como partiria dali em poucos dias, não haveria problema em aproveitar ao máximo o tempo restante.
Especialmente quando um banquete como aquele lhe era servido de livre vontade.
Quem sabe até não surgisse uma oportunidade com aquela bela governanta loira antes de partir?
Ao pensar nisso, sentiu como se todas as dificuldades do último ano estivessem sendo recompensadas de uma só vez.
Um sorriso tímido espalhou-se por seu rosto.
— Se eu puder ajudar, é claro que devo fazê-lo.
— Pelo visto, não há jeito. A partir de amanhã, volte a vir ao meu quarto.
Foi o que Rothbart disse ao deixar Anna para trás.
Depois de conseguir vestir as roupas às pressas, Anna abriu a janela para dissipar o aroma intenso de sexo que ainda preenchia o quarto.
Em seguida, deixou-se cair sobre a cama úmida de suor e adormeceu profundamente.
No dia seguinte, Anna dirigiu-se ao quarto de Rothbart.
Ela se preocupava com a possibilidade de Lady Brabant aparecer de repente, mas, felizmente, isso nunca aconteceu.
Embora tivesse ouvido que a dama estava hospedada na mansão, sua presença era tão discreta que parecia inexistente.
Rothbart também jamais voltou a mencioná-la.
Alguns dias depois, quando Anna retornou ao seu quarto após terminar o trabalho, cambaleando de cansaço, foi recebida por uma notícia inesperada.
— Anna, você soube? Seu irmão se tornou amante de Lady Brabant!
— O quê?
Anna franziu a testa.
Estaria ouvindo absurdos por causa do cansaço?
Antes mesmo que pudesse desfazer a expressão de incredulidade, Betty, que trouxera a fofoca, continuou apressadamente:
— Você não sabia? Lady Brabant gosta tanto de Joseph que o trancou em seus aposentos e declarou que cuidará pessoalmente de tudo para ele, desde alimentá-lo até dar-lhe banho. Nenhuma criada sequer pode entrar em seus quartos.
— Que absurdo. Você está brincando comigo, não está?
— Estou falando sério.
Betty arregalou os olhos, como se não conseguisse acreditar que Anna duvidasse dela.
Anna voltou-se para Susan em busca de confirmação, mas Susan apenas assentiu, como se aquilo já fosse conhecimento comum.
Confusa, Anna balbuciou:
— Mas Sehyun… Quero dizer, Joseph trabalha nos estábulos. Como eles sequer se conheceram?
— Isso eu não sei. Talvez tenham se encontrado por acaso durante uma caminhada. Parece que as damas nobres acham a aparência dos homens orientais bastante exótica. Assim como o nosso mestre também acha…
— Ei, Betty.
— Ah, desculpe…
Somente depois de Jo lhe dar uma cotovelada nas costelas, Betty percebeu o que havia dito e rapidamente se desculpou.
— Claro, você e seu irmão estão em situações diferentes. Eu não quis insinuar que você seja amante do mestre…
Mas Anna estava tão atordoada com toda aquela situação que mal registrou o deslize.
Mesmo que fosse apenas coincidência, tudo aquilo parecia estranho.
Já era estranho o suficiente que Lady Brabant permanecesse na mansão sem motivo aparente.
Mas por que, dentre todas as pessoas, ela se envolvera justamente com Sehyun?
Naquele momento, Anna recordou os olhos vermelhos de Odile.
— Se você encontrar aqueles olhos vermelhos, não conseguirá mover um único músculo. Não apenas os humanos. Até as feras mais ferozes enfiam o rabo entre as pernas e fogem. Se isso não é um demônio, então o que seria?
Foram palavras que um aldeão dissera um ano antes, antes de ela chegar à mansão.
Talvez aqueles olhos vermelhos realmente fossem a prova da existência de um demônio…
Quando passou a pensar dessa forma, tudo pareceu fazer sentido.
Se Lady Brabant era um demônio, então naturalmente teria reconhecido Sehyun como um cisne à primeira vista.
Assim como Rothbart reconhecera Anna.
Anna soltou um longo suspiro.
Seus pensamentos se embaralhavam e se desfaziam repetidamente.
Mas, entre todos aqueles fragmentos dispersos, a conclusão mais clara que emergiu foi a certeza de que Lady Brabant realmente não possuía qualquer relação com Rothbart.
Rothbart lhe dissera que não sentia nada por aquela dama.
Ainda assim, Anna continuara alimentando dúvidas inquietas.
Agora, finalmente, sentia um alívio genuíno.
O posto de Marquesa permaneceria vazio.
Pelo menos até o dia em que Anna o ocupasse.
Somente então seu coração encontrou paz.
Ela zombou de si mesma.
Mesmo depois de jurar incontáveis vezes que retornaria ao seu mundo original, ali estava ela, agarrando-se ao lugar da Marquesa.
— De certa forma, talvez seja melhor assim. Oppa Sehyun também precisará de uma parceira para voltar ao nosso mundo…
Ao lembrar-se da situação de Sehyun, Anna soltou uma risada amarga.
Originalmente, pretendia contar tudo a ele depois que engravidasse.
Mas as coisas não tinham saído conforme seus planos.
Ela jamais imaginara que demoraria tanto para conceber.
Nem que Sehyun encontraria uma amante tão rapidamente.
Talvez o filho de Lady Brabant viesse ao mundo antes do dela.

