Capítulo 42
Se agora não lhe restava outra escolha senão admitir.
O coração que Anna havia fortalecido como uma fortaleza quando aceitou a proposta de Rothbart pela primeira vez já estava há muito tempo reduzido a pedaços.
Mesmo depois de tudo o que sofrera por causa dele, seu coração ainda tremia sob aquele olhar, e sua mente se agitava ao som daquela voz. Quando via os olhos avermelhados de Rothbart, marcados pela ferida deixada pela antiga esposa, sentia uma pena tão profunda que mal conseguia suportar.
— Minha esposa partiu sem sequer amamentar Svanhild uma única vez. Nem mesmo olhou para o rosto dele. Achei que ela apenas não estivesse preparada e tentei confortá-la… mas não era isso. Ela foi a pessoa que mais rapidamente se preparou. Para abandonar a mim e a Svanhild.
Os olhos vermelhos e congestionados de Rothbart oscilaram como um campo em chamas.
Anna sempre considerara Svanhild apenas inteligente e astuto, mas ao ouvir que ele fora abandonado pela própria mãe no instante em que nasceu, uma onda de compaixão tomou conta dela.
Assim como Anna se agarrava às lembranças dos pais falecidos e desejava retornar ao seu mundo original, quanto não deveria Svanhild ansiar pela mãe?
Mas tão digno de pena quanto Svanhild era o homem diante dela.
Segurando um coração despedaçado, Rothbart permanecia preso ao fantasma de onze anos atrás.
O rosto dele se contorceu como se estivesse prestes a chorar.
A figura de um homem muito mais velho que ela, alguém que parecia inabalável diante das tempestades do mundo, agora se revelava tão vulnerável que acabou destruindo o último cadeado da razão que Anna ainda possuía.
— Você fará o mesmo, não fará? Mesmo que tenha um filho… partirá sem sequer olhar para o rosto dele.
— Eu jamais faria isso. É meu filho…
A resposta escapou dos lábios de Anna antes mesmo que ela percebesse.
Rothbart soltou uma risada seca.
— Mentira.
A palavra saiu firme, mas tremeu levemente no final.
Embora estivesse convencido de que Anna mentia, parecia incapaz de abandonar completamente a esperança.
Até mesmo aquela teimosa negação era apenas o reflexo da ferida profunda deixada pela esposa.
Anna sentiu pena dele.
Queria abraçá-lo.
Queria dizer que não o deixaria sozinho.
Ele lutava contra o vazio deixado pela esposa, e Anna não possuía família alguma em quem pudesse se apoiar.
Talvez os dois pudessem preencher aquilo que faltava um ao outro…
Mas Rothbart era um homem difícil demais.
Era como um pântano.
Não lhe entregava nada, enquanto ela afundava cada vez mais a cada passo que dava em sua direção.
E, depois de engoli-la por completo, ele continuaria vivendo como se nada tivesse acontecido.
Agora era Rothbart quem lhe pedia para ser sua esposa.
Mas e depois?
Talvez fosse Anna quem acabasse agarrada aos pés dele, implorando para permanecer ao seu lado.
Aquele pensamento a aterrorizava mais do que qualquer outra coisa.
Enquanto hesitava, Rothbart recompôs a expressão e escondeu a fraqueza.
O rosto da fera ferida desapareceu.
Em seu lugar surgiu um sorriso debochado.
Ele estendeu o dedo e tocou o peito pálido de Anna.
— Então quando pretende partir depois de ter um filho? Quando ele for desmamado? Quando disser a primeira palavra? Quando der os primeiros passos?
— …
Ela jamais havia pensado nisso.
A ponta daquele dedo parecia atravessar suas costelas e tocar diretamente seu coração.
Vergonha e choque a atingiram ao mesmo tempo.
Anna não conseguiu responder de imediato.
Pensara apenas em ter um filho e partir.
Nunca havia refletido seriamente sobre a criança em si.
Apenas assumira que Rothbart, como marquês, certamente criaria bem o filho.
Era assim que conseguia tranquilizar a própria consciência.
— Eu…
Se ao menos tivesse sido o primeiro cisne de Rothbart.
Se tivesse sido assim, Anna jamais teria cogitado retornar ao mundo original.
O amor sempre lhe fora concedido em quantidades tão pequenas que até mesmo a ocasional gentileza de Rothbart era suficiente para saciar sua sede.
Ela acreditava que seus pais falecidos a compreenderiam e a abençoariam se construísse uma nova família naquele mundo.
E, nesse caso, faria qualquer coisa para permanecer ao lado dele.
Mas agora existia uma mulher que ocupava um lugar verdadeiro no coração de Rothbart.
E Anna não passava de uma substituta.
Uma nota dissonante e indesejada que se infiltrara numa relação já completa.
Alguém incapaz de dar sequer um passo além daquela sombra.
Mesmo que agora ele chamasse seu nome durante a noite, Rothbart ainda ardia no desejo de vingança contra a esposa desaparecida havia mais de dez anos.
Anna até sentia inveja disso.
Se ela desaparecesse, ele sentiria saudades dela daquela forma?
Mas…
No final das contas, a Marquesa havia partido.
Desaparecido.
E a pessoa ao lado de Rothbart agora era Anna.
Ela jamais seria o primeiro e único amor dele.
Mas, entre todas as mulheres que restaram, seria a única.
Não seria isso suficiente?
Mesmo que um dia o coração dele se afastasse, ela ainda teria o filho que carregaria nos braços…
Além disso…
Se retornasse ao seu mundo original, não existia uma única pessoa lá que a recebesse de braços abertos.
A balança em seu coração inclinou-se para permanecer naquele mundo.
Os lábios de Anna se abriram.
As palavras eu não vou embora subiram até a ponta da língua.
Mas ela não conseguia revelar sentimentos tão profundos de forma tão direta.
Era o último resquício de orgulho que ainda possuía.
Controlando-se com dificuldade, fez a voz soar o mais calma possível e mudou de assunto.
— Ainda falta muito tempo. Pensarei nisso quando chegar a hora…
— Mesmo que pense nisso naquele momento, a conclusão será a mesma.
A voz de Rothbart tornou-se afiada.
— No fim, quando surgir a oportunidade de voltar, você partirá sem sequer olhar para trás.
— Não.
Anna negou rapidamente.
Mas Rothbart já parecia alguém que havia chegado à própria conclusão.
— Veremos quando esse dia chegar.
Ele a encarou fixamente, como se tentasse arrancar dela a verdade.
Por mais que Anna tentasse explicar, ele não tinha intenção de ouvir.
E ela também não pretendia expor o próprio coração para convencê-lo.
Anna sorriu de forma desajeitada e pegou suas roupas.
Enquanto se vestia fingindo indiferença, sentia a boca completamente seca.
— Vou me retirar.
Rothbart virou o rosto abruptamente.
Como se a resposta dela o tivesse desagradado tanto que ele não quisesse sequer vê-la.
O peito de Anna apertou dolorosamente.
Com um sorriso forçado, ela se levantou.
— Então… até amanhã.
Voltando as costas para a frieza dele, caminhou lentamente até a saída.
A porta de mogno fechou-se atrás dela com força.
Parecia que havia sido expulsa.
Um frio percorreu seu peito.
Será que me agarrei ao meu orgulho sem necessidade?
Deveria simplesmente ter dito que queria ficar ao seu lado…
O arrependimento veio tarde demais.
Tudo já havia terminado.
Anna soltou um longo suspiro.
Pensara que admitir os próprios sentimentos tornaria tudo mais fácil.
Mas, em vez disso, apenas uma sensação ainda mais pesada de impotência caiu sobre ela.
Como terminara mais cedo do que o habitual, Anna ficou algum tempo sem saber o que fazer.
Pensou em ajudar os demais empregados, como costumava fazer.
Mas talvez por tudo o que sofrera em tão pouco tempo, seu corpo inteiro doía.
Além disso, depois do incidente recente, todos pareciam relutantes em pedir sua ajuda.
Decidindo voltar para o sótão, arrastou as pernas pesadas escada acima.
Ao entrar no quarto, desamarrou o avental e se deixou cair sobre a cama.
Foi então que ouviu um gemido baixo vindo debaixo dela.
— Ugh!
Assustada pela voz masculina, Anna saltou de pé e recuou cambaleando.
Com dificuldade, firmou as pernas enfraquecidas.
Estava prestes a chamar alguém quando a pessoa escondida embaixo da cama falou apressadamente:
— E-Eu não sou uma pessoa suspeita. Só estou escondido aqui por causa de algumas circunstâncias. Minha irmã mais nova fica neste quarto…
A voz era familiar.
Anna engoliu em seco.
Mantendo distância, abaixou-se cautelosamente para olhar embaixo da cama.
Ali estava um homem.
Pálido.
Nu.
Encolhido como um animal acuado.
Os olhos dos dois se encontraram.
— …Se-Sehyun oppa?

