Capítulo 39
Rose ressentia profundamente a própria negligência por não ter considerado a possibilidade de Anna ser um cisne.
Mas o círculo de invocação havia sido concebido para fracassar desde o início. Quem poderia imaginar que um cisne seria invocado através dele? Era algo tão absurdo que era natural que ela jamais tivesse suspeitado.
— Meus cálculos eram perfeitos… Com a fórmula alterada, invocar um cisne deveria ser impossível, não importava o quê. Será que… havia algum erro nas informações deixadas pelo meu mestre?
Rose roeu a unha do polegar até a carne. Sombras escuras se acumulavam sob seus olhos por causa da ansiedade.
Ainda não fazia um ano desde que Anna chegara à mansão. Se ela realmente era um cisne, então quando havia sido invocada? No ano passado? Ou no anterior?
Após revisitar seus pensamentos inúmeras vezes, Rose murmurou, vazia:
— …De que adianta descobrir isso agora?
O fato já estava consumado.
Depois de reconhecer o novo cisne, Rothbart interrompera imediatamente as pesquisas de magia negra, sem deixar qualquer espaço para que Rose interferisse.
— Mas aquela mulher não é a Marquesa. Ainda tenho uma chance…
Ela se agarrou a essa esperança passageira, mas até isso era inútil.
Se Rothbart realmente desejasse trazer a Marquesa de volta, teria continuado os experimentos independentemente da invocação de Anna.
Na verdade, seria muito mais típico dele obrigá-la a encontrar um meio de invocar a Marquesa, mesmo que isso exigisse sacrificar outro cisne.
No fim das contas, trazer a Marquesa de volta sempre fora apenas uma possibilidade. Talvez, desde o começo, não importasse qual cisne fosse invocado.
Talvez ele estivesse até satisfeito, em segredo, por ter recebido Anna em vez da Marquesa — mais jovem, mais saudável…
— Se ao menos aquela mulher desaparecesse… Sim. Se ela desaparecesse, no fim das contas, o Mestre voltará a me procurar.
Os olhos de Rose brilharam.
Se estivesse um pouco mais racional, teria percebido que não era uma escolha sábia. Mas o fascínio demoníaco de Rothbart alimentava sua obsessão e sua loucura.
Permanecer ao lado dele.
Nada além disso importava.
Mas como poderia eliminar Anna?
Dentro da propriedade, ela não podia feri-la diretamente.
Afinal, aquele era o cisne obtido após onze anos.
Sem dúvida, Rothbart a observava de perto. Rose precisaria agir com extremo cuidado para não despertar a ira do demônio.
Se ao menos ela partisse por vontade própria… como a Marquesa.
Nesse instante, uma ideia atravessou sua mente como um relâmpago.
Sim.
Se aquela mulher era um cisne, então naturalmente desejaria retornar ao seu mundo original.
Desde que soubesse como.
Diferente do ritual de invocação, Rose também conhecia o método para enviar um cisne de volta.
Como não exigia sacrifícios e só podia ser realizado por um próprio cisne, não havia motivo para manter o feitiço em segredo. Entre magos negros, esse conhecimento circulava discretamente.
Naturalmente, não era algo conhecido por todos.
Afinal, tratava-se de cisnes e demônios.
Mas Anna, sendo um cisne, não sabia disso.
Dentro daquela mansão, apenas Rothbart e Rose conheciam o feitiço de retorno dos cisnes.
E Rothbart jamais revelaria esse método a Anna.
Rose ponderou sobre como poderia fazer Anna descobrir a existência do feitiço.
Até então, as duas nunca haviam se dado bem.
Mesmo que a chamasse secretamente, Anna talvez nem comparecesse.
Com alguma desculpa, talvez conseguisse atraí-la…
Mas…
Seria mais fácil usar outra pessoa. Alguém em quem ela confiasse… e que eu pudesse manipular facilmente.
Então Rose se lembrou de Joseph.
O repugnante irmão de Anna.
Aquele homem cujo olhar viscoso sempre se agarrava a ela.
Pelas circunstâncias, ele também devia ser um cisne.
Claro.
Isso explicava por que Rothbart abandonara as pesquisas de invocação sem sequer considerar a situação de Lady Brabant.
Como um cisne macho também havia sido trazido para este mundo, ambos os demônios já possuíam seus parceiros.
Não havia mais necessidade de novas invocações.
A existência de outro cisne também era uma boa notícia para Rose.
Se utilizasse Joseph, tudo seria muito mais simples.
Ele certamente compartilharia com Anna qualquer informação que recebesse.
Seria melhor abordá-lo o mais rápido possível.
Se ele realmente fosse um cisne, Odile logo perceberia sua existência.
E, no momento em que Odile o identificasse, as oportunidades de Rose se aproximar dele diminuiriam drasticamente.
Ela não tinha muito tempo.
Agora.
Rose acelerou os passos.
Pela primeira vez em muito tempo, havia esperança em sua caminhada enquanto atravessava os corredores.
— O trabalho está suportável?
Ao ser abordado tão repentinamente por Rose, Sehyun ficou surpreso.
O mundo, que até então parecia tão sombrio, pareceu se transformar diante dele, abrindo-lhe um caminho.
Desde que chegara àquele mundo, nada dera certo.
Especialmente depois de vir parar naquela maldita mansão.
Tudo o que desejava era que Anna encontrasse rapidamente um meio de voltar para casa.
Mas, desde que ela se tornara a criada pessoal do Marquês, praticamente desaparecera de sua vida.
Sem poder depender apenas dela, Sehyun vinha tentando construir conexões dentro da mansão.
E agora, justamente quando precisava, alguém vinha até ele.
E não era qualquer pessoa.
Era Rose.
A mesma mulher que já havia despertado seu interesse.
Um perfume sedutor flutuava no ar conforme ela se aproximava.
A fragrância feminina, algo que ele não sentia havia tanto tempo, fez seu corpo reagir instantaneamente.
Mas demonstrar ansiedade só lhe renderia desprezo.
Por isso, fingindo indiferença, continuou a conversa.
— Claro. Está tudo bem. E a senhorita Schwartz? Como vão as aulas com o jovem mestre?
— Nosso jovem mestre é tão educado que raramente me dá trabalho. Mas você, Joseph… está domando os cavalos selvagens dos Lohengrin, não está? Isso é impressionante.
O coração de Sehyun disparou ao perceber que Rose se lembrava de seu nome.
Será que ela também tinha algum interesse por ele?
Seu olhar deslizou discretamente para o peito da mulher.
Ao ver suas formas generosas, sua garganta se moveu involuntariamente.
Na verdade, ele mal havia segurado as rédeas de um cavalo algumas vezes.
Na maior parte do tempo, limitava-se a limpar esterco.
Mas não podia admitir isso diante de uma mulher que lhe agradava.
Estufando o peito, ergueu o queixo.
— Não é nada demais.
— Que admirável. Você chegou há tão pouco tempo e já se tornou tão habilidoso. Trabalhou com cavalos antes?
— Não. Aprendi tudo aqui.
— Ora, então você deve ter talento. Homens que lidam bem com cavalos costumam ser muito atraentes.
Dizendo isso, Rose curvou os olhos em um sorriso longo e encantador.
A beleza daquele sorriso quase deixou Sehyun tonto.
— Na verdade, eu estava pensando em fazer um passeio leve pelos bosques próximos com o jovem mestre daqui a alguns dias. Foi por isso que comecei a conversar quando encontrei você nos estábulos. Não imaginava que encontraria um cavalheiro tão interessante.
— Haha… deveria ter descoberto isso antes.
— Sem dúvida.
Enquanto falava, os olhos verdes de Rose permaneceram fixos nele.
Havia algo sugestivo naquele olhar.
Seria um convite?
A insinuação de um encontro secreto?
A boca de Sehyun secou.
Tentando parecer despreocupado, perguntou:
— E quando pretende fazer esse passeio?
— Bem… o Dia da Lua Vermelha será daqui a poucos dias, então não sei como as coisas vão se desenrolar. O jovem mestre costuma ficar abatido nessa época do ano. Mas seria bom sair para mudar os ares…
— Acontece alguma coisa nessa data?
— Ah, você não sabe?
Rose piscou inocentemente.
— Foi o dia em que a Marquesa retornou ao seu mundo original. Talvez por isso tanto o mestre quanto o jovem mestre fiquem tão abatidos nesse período.
— Mundo… original?
O coração de Sehyun disparou.
Pela primeira vez desde que chegara à mansão, encontrara uma pista sobre como voltar para casa.
— É bastante conhecido que a Marquesa era um cisne. Você sabe o que é um cisne?
Sehyun assentiu rapidamente.
Era um assunto comentado com frequência nas tavernas das aldeias.
Mas dentro da mansão todos se calavam sempre que o assunto era a Marquesa.
Ele nunca tivera oportunidade de perguntar.
Esta era sua chance.
Convencido de que aquela mulher sabia algo importante, pressionou imediatamente:
— Claro. Mas não conheço muito bem os costumes do Continente Ocidental. Existe algum motivo para os cisnes precisarem partir justamente no Dia da Lua Vermelha ou…
Tentou manter a expressão calma, como se fosse apenas curiosidade inocente.
Já ouvira inúmeros rumores sobre os destinos entrelaçados de cisnes e demônios.
E os rumores envolvendo esta mansão eram particularmente sombrios.
O lago da propriedade, supostamente tingido de vermelho por sangue.
Os cadáveres retirados pela porta dos fundos…
Se descobrissem que ele era um cisne, nada de bom aconteceria.
O coração de Sehyun batia violentamente enquanto tentava esconder sua identidade.
Felizmente, Rose não pareceu suspeitar de nada.
Mais do que isso.
De maneira quase inacreditável, ela estava prestes a revelar justamente o método que ele tanto desejava encontrar.

