Capítulo 38

— Errou.

A voz grave que ressoou na escuridão era inconfundivelmente familiar.

Anna se assustou e se ergueu de imediato.

Sentado à beira de sua cama estava um homem envolto da cabeça aos pés em roupas da mais alta qualidade, vestes que destoavam completamente dos aposentos simples e desgastados das criadas.

Mesmo na penumbra, seus olhos vermelhos brilhavam como tochas acesas.

Anna voltou o olhar para a janela.

O sol já havia se posto, mas a noite ainda não caíra completamente. Como as outras criadas não estavam ali, devia ser a hora do jantar.

Mas aquilo era estranho.

Na primeira noite de estadia de um convidado, era costume que o anfitrião oferecesse um banquete em sua honra.

— O que está fazendo aqui…? E a Srta. Brabant?

— Isso importa?

— …Não.

Embora respondesse daquela forma, uma alegria mesquinha e vergonhosa floresceu dentro dela ao imaginar que Rothbart havia deixado Odile Brabant para vir vê-la.

Talvez percebendo seus sentimentos expostos com tanta facilidade, os lábios de Rothbart se curvaram levemente.

Ele puxou uma mecha dos longos cabelos negros de Anna, depositou um beijo nela e sorriu com os olhos semicerrados.

— Está preocupada com ela?

— Não.

— É mesmo?

Diante daquela risada zombeteira, Anna virou o rosto abruptamente.

Sentia-se humilhada, como se seu coração tivesse sido completamente desnudado diante dele.

Os fios negros escaparam por entre seus dedos.

Rothbart fechou e abriu a mão vazia por um instante, como se lamentasse a perda da sensação, antes de estender a mão para seu rosto.

Seu polegar acariciou a maçã de sua face e passou delicadamente por seus olhos, como se procurasse vestígios de lágrimas.

Envergonhada com a possibilidade de que ele percebesse que havia chorado antes de adormecer, Anna afastou sua mão e desviou o olhar.

Mas Rothbart não pareceu se importar.

Seus dedos brincaram com seu lóbulo, deslizaram por sua nuca e penetraram por baixo de suas roupas para acariciar sua pele nua.

Seu rosto permanecia impecavelmente sereno.

Porém, aqueles olhos fixos e implacáveis a atravessavam.

Era impossível não compreender o significado daqueles toques descarados.

Anna balançou a cabeça e afastou novamente sua mão.

— Não aqui. Se é isso que deseja… então me deixe ir até o seu quarto.

— Eu gosto daqui.

Rothbart puxou de uma só vez a perna de Anna, que escapava por baixo do cobertor.

Seu corpo foi estendido sobre a cama num instante.

Ele ergueu sua saia e separou à força suas pernas cerradas.

A diferença de força entre os dois tornava qualquer resistência inútil.

— Este lugar tem o seu cheiro.

Com um leve sorriso, Rothbart depositou um beijo em sua nuca.

Ao ouvir aquelas palavras, Anna percebeu que já não conseguia afastá-lo.

Quando Rothbart se acomodou entre suas coxas, as mãos que pressionavam seu peito caíram lentamente sobre o colchão.

Ela fechou os olhos.

Logo, uma sombra enorme cobriu completamente seu corpo.

Quebra de página

— Ah…!

O espaço onde ela mal conseguia respirar livremente, rir ou descansar foi inundado pelo êxtase.

O vazio que antes não continha vestígios de Rothbart agora estava completamente preenchido por ele.

Daquele momento em diante, nem mesmo ali ela conseguiria descansar sem se lembrar dele.

A cada movimento de Rothbart, a cama rangia alto, incapaz de suportar seu peso.

Os lençóis estavam gastos até se tornarem quase miseráveis.

Rothbart estalou a língua em desaprovação.

— A cama, os lençóis… tudo aqui é deplorável.

Ainda assim, sua excitação não pareceu diminuir nem um pouco.

Seus movimentos permaneceram intensos.

Não.

Pela força com que apertava um de seus seios, parecia ainda mais excitado do que antes.

Anna arfou e prendeu a respiração.

Tentou prestar atenção aos sons do lado de fora, temendo que alguém pudesse abrir a porta a qualquer momento.

Mas, em meio às ondas incessantes de prazer que a engoliam sem descanso, manter a consciência intacta era uma tarefa difícil.

— Ainda assim, você escolheu continuar sendo criada em vez de se tornar minha esposa.

— Ah… nn…

— Continua pensando da mesma forma? Que não existe diferença entre uma amante e uma esposa?

Somente quando Anna já havia desistido de resistir foi que Rothbart voltou a sussurrar junto ao seu ouvido.

A língua do demônio, longa e sedosa, deslizou por sua orelha.

Sem conseguir distinguir se aquilo era dor ou prazer, Anna sentiu o ventre se contrair.

Enquanto continuava a envolvê-la em sensações doces, Rothbart prosseguiu:

— E a Srta. Brabant? Você realmente não se importa com ela?

— Ah…!

— Diga, Anna.

Seus olhos vermelhos cintilaram.

— Eu farei o que você desejar.

Como sempre, ele a enfeitiçava com palavras.

— Seja me livrar daquela mulher… ou mudar a sua posição.

Como se Odile Brabant não valesse absolutamente nada diante dela.

Essas palavras abalaram profundamente Anna.

Por um instante, um pensamento atravessou sua mente.

Então por que não me defendeu naquela sala?

Mas ela fechou os olhos com força.

Convenceu-se de que Rothbart devia ter seus próprios motivos.

Não queria reconhecer a verdade.

Não queria despertar daquele sonho.

No fundo, ela mesma sabia que nem todas as suas palavras eram sinceras.

Rothbart estava sempre calmo.

Sempre impecável.

E Anna sabia que sentimentos verdadeiros raramente eram tão elegantes assim.

Ainda assim…

Cada palavra que ele lhe oferecia era doce demais.

E ela queria acreditar.

— Marquês…

Com o coração disparado, Anna finalmente abriu os lábios.

Nesse instante, o corpo de Rothbart congelou.

A interrupção repentina naquele movimento contínuo permitiu que ela recuperasse o fôlego.

Então, reunindo coragem, continuou:

— O senhor… gosta de mim? Nem que seja um pouco?

— Gostar?

Os cantos dos lábios de Rothbart se ergueram.

Como se ela estivesse se preocupando com algo completamente desnecessário.

— Acha que eu desejaria uma mulher por quem não sinto nada?

— …

— Para mim, Anna, não existe ninguém além de você.

O cortejo de Rothbart era ardente.

Mas ele jamais pronunciava a palavra amor.

E Anna também não possuía coragem para exigir isso dele.

Porque, se ousasse ouvir a resposta e tudo desmoronasse como um bolo esmagado sob os pés…

Ela não tinha confiança de que conseguiria suportar.

Assim, engoliu as palavras que permaneciam presas em sua garganta.

E, em vez disso, começou a rir.

Não conseguiu evitar.

— Hah… hahaha…

— O que há de tão engraçado?

Talvez acreditando que estava sendo ridicularizado, Rothbart franziu o cenho.

Uma ruga profunda surgiu entre suas sobrancelhas.

Pela primeira vez em muito tempo, sua voz carregava emoção.

Talvez ele também estivesse apenas fingindo tranquilidade enquanto escondia a própria inquietação.

Ao pensar nisso, o coração de Anna ficou um pouco mais leve.

— Não é nada.

Sem perceber, ela ergueu a mão e acariciou sua face.

A pele abaixo da maçã do seu rosto tremeu levemente no instante em que foi tocado.

Comparado aos inúmeros beijos úmidos que haviam trocado tantas vezes, aquele simples toque mal poderia ser chamado de intimidade.

Mas era a primeira vez que Anna o tocava por vontade própria.

Rothbart piscou lentamente, surpreso.

Então segurou sua mão como se precisasse confirmar que aquela sensação era real.

Fitando-a de cima, levou seus lábios até a palma de sua mão.

O calor daquele beijo queimou sua pele como uma marca gravada a ferro.

Os olhos vermelhos fixos nela ferviam como lava derretida.

Atravessada por aquele olhar impossível de evitar, Anna abriu novamente os lábios.

E o gemido que havia reprimido escapou.

Como se tentasse apagar o silêncio constrangedor onde sentimentos sinceros permaneciam escondidos.

Pouco depois, o sótão escuro e modesto foi preenchido apenas pelos sons de sua respiração ofegante e de seus gemidos entrelaçados.

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