Capítulo 35

Se ele ia apenas ficar sentado observando, então ao menos poderia dizer uma palavra em sua defesa.

Mas Anna sabia que aquilo não passava de uma expectativa unilateral sua em relação a Rothbart. Se ele realmente pretendesse ficar ao seu lado, jamais a teria colocado naquela situação…

No fim das contas, estar cercada por aquelas duas mulheres naquele momento era exatamente o que Rothbart desejava.

A Srta. Brabant pareceu perder rapidamente o interesse por Anna. Recostando-se no sofá, fez um gesto displicente com a mão.

— Já vi seu rosto uma vez, isso basta. De agora em diante, continue servindo bem o Marquês.

Falava como se possuísse algum direito sobre Rothbart.

E Rothbart não a corrigiu.

Sentados lado a lado, Rothbart e a Srta. Brabant exalavam um charme decadente e refinado. À primeira vista, pareciam combinar perfeitamente.

Os olhos vermelhos dela eram iguais aos dele.

Se Svanhild também estivesse ali, os três realmente pareceriam uma família.

Ah…

Será que…

Será que o Marquês pretende se casar novamente com aquela mulher…?

A suspeita surgiu de forma natural.

Considerando tudo o que sabia até agora, parecia ser a explicação mais plausível.

E aquilo a feriu muito mais profundamente do que os olhares avaliadores da Srta. Brabant ou as provocações de Rose.

Se for assim… então aquelas palavras que ele me disse antes, pedindo que eu me tornasse sua esposa…

Foram apenas palavras vazias? Impulsivas?

Ou então…

Porque eu o rejeitei naquela época…

A oportunidade que deixei escapar acabou indo para a Srta. Brabant?

Só de pensar nisso, uma dor abrasadora a consumiu, como se estivesse sendo lançada sobre brasas ardentes.

Anna levou a mão ao peito apertado.

Ela nem sequer se lembrava de como conseguiu deixar a sala de recepção.

Recordava apenas ter saído às pressas.

Não sabia se havia conseguido manter a compostura.

Não sabia se parecera estranha.

Nada disso permanecera em sua memória.

O único sentimento que restava era a dor vívida de ter o coração esmagado.

Ainda assim…

Ela conseguiria suportar.

Por enquanto.

Talvez fosse melhor assim.

Deveria ter traçado uma linha desde o início.

Aquela era uma relação na qual não havia espaço para expectativas.

Sem deveres.

Sem responsabilidades.

Uma relação em que o que era dado e recebido estava perfeitamente definido.

Por isso, era hora de dobrar e guardar aqueles sentimentos ambíguos e os apegos que insistiam em permanecer.

Foi assim que Anna tentou consolar a si mesma.

Quebra de página

Observando as costas de Anna se afastarem de maneira tão miserável, Rose sorriu com desdém.

Não importava o quanto Anna ostentasse o título de criada pessoal.

No fim, continuava sendo apenas uma humana comum.

Rose era diferente.

Como maga negra, ela fazia parte dos escolhidos.

Daqueles que tinham permissão para cruzar aquela linha.

Uma sensação de superioridade floresceu dentro dela.

A jovem nobre sentada à sua frente, Odile Brabant, parecia ser apenas uma aristocrata comum.

Mas, na verdade, era um demônio que ocultava completamente sua presença.

Diferentemente de Rothbart, que exibia sua aura demoníaca sem qualquer intenção de escondê-la, Odile escolhera viver sob a aparência de uma humana desde o nascimento.

Mesmo aos olhos de uma renomada maga negra, seria impossível distinguir se ela era humana ou demônio.

Ela chegara até mesmo a usar magia para alterar a marca de sua linhagem demoníaca.

Seus olhos originalmente vermelhos haviam sido transformados em azul.

Se Rothbart não tivesse contado a verdade, nem mesmo Rose teria descoberto que Odile era um demônio.

Restaurar e aperfeiçoar o perdido Ritual de Invocação do Cisne exigia muito mais recursos e pesquisas do que imaginavam.

Por isso, Rothbart mobilizou todos os contatos que possuía.

Odile era um deles.

Como demônio, ela também precisava do cisne para gerar um herdeiro.

Por esse motivo, tornou-se outra patrocinadora da pesquisa e uniu forças com Rothbart.

Além disso, entre os demônios, Odile era a única mulher que possuía legitimidade para reivindicar Rothbart.

Para ela, a restauração do Ritual de Invocação do Cisne era uma necessidade absoluta.

Se as pesquisas fossem interrompidas, também sofreria prejuízos.

Era natural imaginar que apoiaria completamente a retomada dos estudos.

Confiando nisso, Rose convocou Odile secretamente para a propriedade dos Lohengrin.

Ela temera que o mestre descobrisse que a visita repentina de Odile fora obra sua.

Felizmente, tudo pareceu ser interpretado apenas como mais um capricho da visitante.

Rose aguardou pacientemente por uma oportunidade para mencionar Anna diante de Odile.

Nem precisou explicar quem Anna era.

Bastou mencionar que existia uma criada pessoal.

Odile compreendeu imediatamente a situação e ordenou que Anna fosse chamada.

Mesmo assim, Rose continuava inquieta.

Por mais irritante que fosse admitir, Rothbart reagia de forma extremamente sensível quando o assunto envolvia Anna.

Se ele demonstrasse irritação por causa dela até mesmo diante de Odile — sua parceira e uma companheira demônio — então não haveria mais nada que Rose pudesse fazer.

Mas seus receios acabaram se mostrando infundados.

Rothbart não contestou Odile em nenhum momento quando ela menosprezou Anna.

Se ele não estivesse tão envolvido com Anna quanto parecia…

Então talvez ainda restasse uma chance para mim.

O coração de Rose se encheu de expectativa.

Mas, justamente quando começava a alimentar esperanças, a voz fria de Odile caiu sobre ela como água gelada.

— Você também pode se retirar.

— Sim? Mas…

Ela ainda nem havia abordado o assunto principal.

Precisava sugerir a retomada das pesquisas de magia negra enquanto Odile estava presente.

Ao vê-la hesitar, Odile soltou uma risada sarcástica.

— Por quê? Pretende se intrometer na conversa que o Marquês e eu teremos?

A pergunta deixou Rose sem palavras.

Afinal, Odile estava perguntando se ela realmente acreditava ter o direito de participar de uma conversa entre demônios.

Os frios olhos azuis da mulher brilharam em escárnio.

— Ou será que esse seu ciúme mesquinho e suas suspeitas também estão voltados para mim?

— N-Não! Jamais ousaria…

Rose se apressou em responder.

— Se existe algo importante que os senhores precisam discutir em particular, naturalmente devo me retirar.

As palavras de Odile pareciam ter lido seus pensamentos.

Sem alternativa, Rose levantou-se.

No canto da sala, o mordomo que aguardava em silêncio moveu discretamente o bigode, como se zombasse dela.

Rose foi obrigada a sair.

O mordomo, sempre atento às intenções de seus superiores, também deixou o recinto.

Quando a porta se fechou, apenas Odile e Rothbart permaneceram na sala.

— A cabeça dela deve ser completamente vazia. Consigo ouvir o esforço que faz para pensar daqui.

Odile estalou a língua em desprezo.

Rose talvez a enxergasse como sua única esperança.

Mas tudo o que Odile sentia por ela era hostilidade.

Com um leve sorriso nos lábios secos, Odile inclinou-se para a frente.

Seus olhos brilharam de forma travessa enquanto encarava Rothbart.

— Enfim… funcionou?

— O suficiente para despertar o ciúme no meu pequeno cisne?

— A expressão dela não mudou muito, então não consegui perceber.

— Inútil.

— Você diz isso, mas os cantos dos seus lábios estão erguidos, Lorde Lohengrin.

Rothbart não respondeu.

Manteve a compostura impecável enquanto levava a xícara de chá aos lábios.

Ainda assim, como Odile havia apontado, um discreto sorriso escondia-se atrás da porcelana.

Era o primeiro sorriso que demonstrava desde que ela chegara.

— Aquela garota vazia realmente não percebe nada.

— Nem sequer se deu conta de que você já alcançou seu objetivo.

Odile balançou a cabeça.

— Bem, imagino que tenha sido por isso que me chamou para participar dessa encenação.

— Ela realmente acreditou que conseguiria enganar dois demônios para sempre?

Odile estava genuinamente indignada.

Uma simples humana ousando utilizá-la.

Ela parecia tão fácil assim?

Não importava o quanto escondesse sua verdadeira natureza.

Seu orgulho demoníaco continuava intacto.

Rose talvez tivesse acreditado que Odile agiria apenas conforme seus próprios interesses.

Mas o orgulho elevado de um demônio produzia muito mais ira do que complacência.

— Ela não sabe de nada.

Rothbart pousou a xícara sobre a mesa e respondeu com desinteresse.

— É apenas uma criada que sequer cumpre adequadamente suas próprias funções.

— Vive falando de experimentos e pesquisas…

— Mas jamais teve verdadeira determinação para concluir a invocação.

O chá vermelho-escuro, da mesma cor de seus olhos, ondulou suavemente dentro da xícara.

Enquanto recordava algo, as pontas de seus dedos tamborilaram lentamente no braço do sofá.

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