Capítulo 36

— No início, achei natural que ela levasse alguns anos tropeçando e falhando, então deixei passar. Mas, antes que percebesse, ela se acomodou ao próprio fracasso.

Rose acreditava ter escondido perfeitamente suas falhas deliberadas na pesquisa do Ritual de Invocação do Cisne, mas tudo já estava sob o conhecimento de Rothbart.

Odile estremeceu de repulsa.

— Manter algo tão traiçoeiro ao seu lado por tanto tempo… Você é realmente generoso, Lorde Lohengrin. Para mim, isso é inconcebível.

— Até agora, não havia ninguém além dela capaz de rastrear os vestígios do ritual de invocação. Não tive escolha.

Magos negros não podiam ser submetidos a lavagem cerebral, tornando impossível arrancar informações à força. Encantamentos eram possíveis, mas isso não significava que a pessoa passaria a agir conforme a vontade de Rothbart. Por causa disso, até mesmo desviar recursos do ritual precisava ser feito por meios indiretos.

O cisne também não podia ser controlado mentalmente, e o poder de um grande demônio era inútil justamente onde mais importava.

Os lábios de Rothbart se torceram.

— Mas, se ela nunca teve a intenção de concluir o ritual com sucesso, como conseguiu invocar o cisne?

— Ela continuou pesquisando a restauração do ritual porque precisava de uma carta na manga para usar quando chegasse a hora. Simplesmente não tinha intenção de compartilhar isso comigo. Então… meu filho fez o trabalho.

Nas últimas palavras de Rothbart havia um leve traço de orgulho.

Pela primeira vez, a surpresa apareceu claramente no rosto de Odile.

Rothbart soltou uma breve risada, como se estivesse divertido, e explicou os acontecimentos com calma. Embora ambos fossem demônios, Odile era uma subordinada leal que obedecia a Rothbart, além de uma parceira política que buscava benefícios em comum.

— No começo, tentei obter os registros experimentais através do mordomo, mas não foi fácil. Então, um dia, Svan veio até mim com uma proposta. Disse que tentaria por conta própria. E eu permiti. Crianças costumam despertar descuido nos adultos.

— Ele não tinha apenas nove anos naquela época?

— O filho de um demônio sempre se tornará um demônio. O sangue jamais trai sua natureza.

As crianças aprendiam observando os pais.

Assim como Rothbart herdara a malícia de seu próprio pai, Svanhild, criado pelo demônio Rothbart, também estava muito distante de ser uma criança comum.

Até mesmo Odile, que também era um demônio, dificilmente teria suspeitado que o jovem Svanhild pudesse estar agindo como espião.

Além disso, ele era filho de Rothbart — alguém cuja boa vontade Rose precisava desesperadamente manter. Rose se esqueceu de que também deveria se proteger de Svanhild.

O inteligente Svanhild não decepcionou as expectativas do pai.

Ele roubou o ritual de invocação que estava quase completo.

Utilizando o conhecimento de magia negra que aprendera observando de longe, desenhou perfeitamente o círculo de invocação. Ainda assim, não conseguiu invocar o cisne de imediato.

Algo certamente estava faltando.

Talvez outro método surgisse mais tarde, então não houve escolha além de manter Rose na mansão…

E essa variável acabou sendo sangue.

Quando o Duque Albert invocou a Marquesa pela primeira vez, utilizou o sangue de Rothbart.

Seguindo esse precedente, sangue foi usado diversas vezes nos experimentos posteriores, mas o círculo não reagiu apenas a isso.

Então, de repente, perceberam algo.

Existia algo ainda mais eficaz do que o sangue de Rothbart: o sangue de Svanhild, em cujas veias corriam tanto o sangue de Rothbart quanto o de Ianna.

A hipótese mostrou-se correta.

A única diferença foi que o local e o momento em que Anna caiu naquele mundo estavam fora da faixa prevista, fazendo-os acreditar inicialmente que o experimento havia fracassado.

Naquela época, com sangue escorrendo da palma da mão, Svanhild ergueu os olhos para Rothbart e sorriu levemente.

— Está tudo bem, pai. Teremos muitas oportunidades… Podemos simplesmente tentar de novo e de novo.

Ao ver aquela expressão, Rothbart explodiu em uma gargalhada pela primeira vez diante do filho.

Era, sem dúvida, o espírito de uma criança demônio.

A invocação do cisne fora uma conquista construída pela determinação de pai e filho.

Mesmo um pai com pouco afeto pelo próprio filho não podia deixar de sentir orgulho.

Os olhos vermelhos de Rothbart escureceram enquanto ele recordava o passado.

Compreendendo suficientemente a situação, Odile apenas assentiu, sem fazer mais perguntas.

— Muito bem. Como minha participação se resume a fornecer dinheiro e materiais, todos os experimentos permanecem sob sua responsabilidade, Lorde Lohengrin. Então, quando pretende realizar a segunda invocação?

Seus olhos azuis brilhavam com o desejo de finalmente gerar um herdeiro.

Embora as qualidades de um demônio fossem reverenciadas, nem toda família que recebia um demônio prosperava.

Na maioria dos casos, era o caminho mais curto para a destruição.

O nascimento de um demônio em uma linhagem significava, muitas vezes, o fim daquela família.

E não era apenas porque demônios tinham dificuldade para ter filhos.

Um demônio não compartilha aquilo que considera seu.

A primeira coisa que um demônio devora após nascer são os irmãos que disputam o amor dos pais.

A maioria dos irmãos de um demônio encontrava um fim terrível.

Os próprios pais não eram exceção.

Por isso, a maior parte dos demônios era morta pelo próprio pai no instante em que nascia.

Rothbart, como filho legítimo e único herdeiro da Casa Lohengrin, jamais fora afetado por esse tipo de problema.

Odile, por outro lado, era a terceira filha, com dois irmãos mais velhos acima dela.

Sentindo a hostilidade da própria família desde o nascimento, Odile instintivamente alterou a cor dos olhos para esconder sua verdadeira natureza.

Seu pai e seus irmãos, tranquilizados pelos olhos azuis, permitiram que ela vivesse.

Foi necessária uma paciência imensa até que a caçula devorasse toda a Casa Brabant.

E para tornar Brabant completamente sua no final, um herdeiro era absolutamente indispensável.

Os anos que passou vivendo cautelosamente como um demônio permaneceram como uma ferida profunda em seu orgulho.

Justamente por isso, não tinha a menor intenção de deixar sua família continuar através dos filhos de seus irmãos.

O dia em que gerasse seu próprio filho seria o dia em que pisaria sobre os irmãos inúteis.

Odile aguardava esse momento com ansiedade.

— Já não há mais necessidade de invocar o cisne.

— O quê?

Diante da resposta inesperada de Rothbart, os olhos de Odile se arregalaram.

Sem se perturbar com sua reação, ele respondeu tranquilamente:

— Parece que meu filho possui certo talento para magia negra. Ele conseguiu trazer dois de uma só vez.

Odile também vinha cooperando com Rothbart, enviando periodicamente seu próprio sangue.

Desde o início, Rothbart suspeitava que o sangue de apenas um demônio não seria suficiente para realizar a invocação.

Foi ele quem primeiro a procurou por esse motivo.

Desta vez, acreditava-se que o fato de um cisne masculino também ter sido atraído estava relacionado ao sangue de Odile, que permanecera ressecado e coagulado de experimentos anteriores.

Naturalmente, era apenas uma hipótese.

— …Isso é uma notícia melhor do que eu esperava.

Odile estremeceu, como se ainda tivesse dificuldade em acreditar.

Mas este era Rothbart.

Um homem que não precisava mentir.

Um homem capaz de transformar qualquer palavra sua em realidade.

As únicas mentiras que contava eram reservadas ao cisne.

Portanto, o que acabara de dizer certamente era verdade.

Finalmente.

Odile não conseguiu conter a alegria que transbordava e caiu em uma gargalhada sonora.

Relutara em vir à Mansão Lohengrin, sem vontade de engolir o próprio orgulho e se envolver nas pequenas intrigas de Rose.

Agora, porém, arrependia-se de não ter vindo mais cedo.

Depois de um longo momento tomada pela felicidade, sua risada finalmente diminuiu.

Por melhor que fosse a notícia que tanto aguardara, o desconforto de ter sido usada por uma simples humana ainda permanecia.

Não havia motivo para tolerar aquilo por mais tempo.

Os lábios de Odile se curvaram de forma torta.

— A propósito, por quanto tempo pretende manter aquela insolente por perto? Um dia ela acabará causando problemas. Agora que o cisne chegou, está na hora de se livrar dela…

— Eu já vinha considerando isso. Só que… desde o retorno dela, não tive tempo para me preocupar com assuntos tão insignificantes. Mas, ouvindo você mencionar isso, percebo que fui negligente. Está na hora de resolver essa questão.

A voz seca de Rothbart soou indiferente, como se ainda considerasse tudo aquilo um incômodo.

Seu olhar pousou sobre a xícara de chá vazia.

Ele acreditava que conseguiria suportar por mais tempo.

Mas ela sempre o deixava sedento…

Rothbart sabia que sua paciência estava chegando ao limite.

O momento se aproximava.

Por isso…

Antes que aquele dia chegasse, era necessário remover tudo o que estivesse em seu caminho.

Afinal, esse era o castigo por ousar enganar um demônio.

Se ela tivesse cumprido adequadamente o papel que lhe fora dado, talvez o cisne pudesse ter sido chamado muito antes…

Ao pensar nos anos desperdiçados, Rothbart não tinha a menor intenção de permitir que ela morresse facilmente.

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