Capítulo 33

— Eu a enchi com minha semente, então deveria me agradecer.

— Obri… obrigada.

Exausta, Anna respondeu por reflexo.

Ela não tinha sequer tempo para sentir vergonha. Não lhe era concedido o luxo de se deter em sentimentos como aquele.

Ao contrário de Anna, que ainda permanecia largada na cama, incapaz de juntar as pernas, Rothbart rapidamente voltou a vestir a máscara da civilidade e da razão. Enquanto se recompunha e ajustava as roupas, falou casualmente:

— Pensando bem, uma convidada chegará em breve.

— Uma convidada?

Só então Anna conseguiu erguer o corpo trêmulo.

Enquanto afastava os fios de cabelo colados ao rosto pelo suor e os prendia atrás da orelha, o gesto chamou a atenção de Rothbart.

Mesmo depois de derramar sua semente dentro dela várias vezes, ele ainda parecia insatisfeito.

Com um leve traço de arrependimento, zombou:

— A convidada ficará hospedada na mansão por algum tempo, então seus “deveres como minha criada pessoal” serão suspensos por enquanto. Parabéns pela breve liberdade.

Ao dizer isso, deu um tapa em suas nádegas.

Seu corpo estremeceu.

A pele pálida avermelhou-se por um instante antes de voltar ao tom habitual, mas o líquido que ele havia deixado dentro dela escorreu devido ao impacto repentino.

Observando o delicado cenho de Anna se franzir, Rothbart acariciou o queixo e murmurou:

— Mas… com um corpo desses, você sentirá falta também. E, se sentir, pode vir me procurar depois do pôr do sol.

— ……

As provocações dele assumiam as mais diversas formas.

Emburrada, Anna virou o rosto sem responder.

O que mais a desagradava era que suas palavras não estavam totalmente erradas.

Eles compartilhavam os corpos todos os dias, sem exceção.

Agora, apenas vê-lo vestido era suficiente para despertar nela uma reação involuntária.

Desde que passara a ser acolhida naquela cama, tornara-se ainda mais descontrolada.

Seria porque começara a se apegar a ele como se fosse um amante?

Ela sentia que afundava cada vez mais no pântano chamado Rothbart.

Já não podia negar.

O espaço que Rothbart ocupava em seu coração estava crescendo.

Anna percebeu então que faltavam apenas alguns dias para a Lua Vermelha, que surgia uma vez por ano.

Já fazia exatamente um ano desde que caíra naquele mundo.

Ainda lhe parecia inacreditável.

…Vou ter de desistir este ano também.

Ela sequer conseguira engravidar.

Era óbvio que perderia a oportunidade mais uma vez.

Embora tivesse chegado ao ponto de implorar para que Rothbart lhe desse um filho quando ele evitava terminar dentro dela, Anna jamais alimentara grandes esperanças.

Mesmo antes disso, eles haviam compartilhado a cama incontáveis vezes ao longo dos últimos meses.

Ainda assim, ela não engravidara.

Diziam que demônios não deveriam ter filhos.

Mesmo que um cisne pudesse carregar uma semente, parecia que isso jamais seria simples.

Talvez fosse difícil no próximo ano.

E também no ano seguinte.

Além disso, meu corpo não está em boas condições. Meu ciclo continua irregular. E se eu for infértil…

Então permaneceria presa naquele mundo para sempre.

Quando Rothbart a chamara de amante ou de marquesa pela primeira vez, ela o rejeitara sem hesitar.

Agora, porém, sabia que vacilaria.

Ainda assim, desde aquele dia, Rothbart nunca mais tocara no assunto.

Aquilo a deixava aliviada.

E, estranhamente, decepcionada.

Decepcionada? Que absurdo.

Assustada pelos próprios sentimentos, Anna estremeceu.

Era uma relação na qual jamais deveria ter se envolvido.

O melhor desfecho possível seria continuar servindo apenas como substituta da marquesa para aliviar os desejos dele.

Se se tornasse sua amante oficial…

Ou até mesmo a nova marquesa…

Talvez começasse a desejar algo além do que possuíam agora.

Até a lâmina mais afiada perde o fio um dia.

Até a superfície mais polida acaba marcada por impressões.

E, quando esse momento chegasse, ela já não se contentaria em viver como a sombra da antiga marquesa.

Essa ganância acabaria destruindo-a.

Era uma premonição quase inevitável.

De qualquer forma, ela e Rothbart não combinavam.

No início, ele apenas projetara nela a imagem da marquesa e se sentira atraído por isso.

Mas por quanto tempo alguém conseguiria viver ao lado de uma substituta?

Aquele nunca fora o lugar dela.

Anna obrigou-se a endurecer o coração.

Uma determinação fina como um fio de seda.

Frágil como uma pétala de magnólia.

Quebra de página

Alguns dias depois, uma carruagem completamente branca, semelhante a um fantasma, aproximou-se do Túmulo do Cisne.

Era a tão aguardada visitante.

A primeira pessoa a visitar a mansão em muito tempo, desde o último baile realizado anos atrás.

Quando Rothbart retornava de suas viagens, todos os criados saíam para recebê-lo.

Mas, desta vez, apenas os empregados homens apareceram do lado de fora.

As criadas estavam ocupadas dentro da mansão, preparando a recepção da visitante.

Como convinha a uma família nobre de longa tradição, nenhuma falha era permitida em sua hospitalidade.

Madame Dova, mais severa do que o habitual, pressionava as criadas sem descanso.

Como suas tarefas habituais haviam sido suspensas, Anna pediu autorização para ajudar na cozinha.

Madame Dova franziu a testa em desaprovação, mas, após refletir por alguns instantes, assentiu.

— Talvez seja melhor assim. Muito bem. Faça isso.

Parecia que ela ainda não havia esquecido o susto que levara quando Anna, aproveitando um raro momento de folga, colhera as rosas do jardim.

Com um sorriso constrangido, Anna dirigiu-se à cozinha.

— Se Madame Dova permitiu, então está tudo bem.

A chefe da cozinha, Cathy, aceitou sua ajuda prontamente.

Anna esperava receber alguma repreensão por abandonar outras funções para trabalhar ali, mas, diferente da última vez, Cathy a recebeu sem qualquer resistência.

Susan aproximou-se e cochichou em seu ouvido:

— Ela acha admirável que você tenha procurado trabalho por conta própria. Basta olhar para Rose. Sempre tão arrogante, como se fosse superior a todos nós. Acha que sua posição é diferente.

— Ela é uma governanta. Eu sou apenas uma criada.

— Vai mesmo defender Rose agora? Você sabe o quanto ela ficou feliz quando aquele incidente das flores virou um escândalo?

Anna sorriu amargamente.

De fato, fora Rose quem armara tudo para humilhá-la.

E o fato de ela ter saído praticamente sem punição devia tê-la deixado furiosa.

— De qualquer forma, você chegou em boa hora. Hoje íamos preparar cerejas em conserva, mas as ordens mudaram.

— Então quer que eu cuide das conservas?

— Isso ajudaria muito.

Susan abriu um largo sorriso.

Primeiro era preciso retirar todos os caroços.

Anna encontrou um espaço livre em um canto da cozinha para não atrapalhar o trabalho dos demais e pegou o descaroçador de metal.

Remover os talos e extrair os caroços era uma tarefa repetitiva e tediosa.

Ainda assim, sentiu-se estranhamente aliviada por ter algo mecânico para ocupar as mãos.

A cada caroço removido, o suco vermelho respingava em seu avental.

Não demorou para que o tecido branco ficasse coberto de manchas escarlates.

Por toda a mansão, os criados corriam de um lado para outro por causa da chegada do visitante.

Muitas pessoas entravam e saíam da cozinha.

Até as criadas que apenas passavam pelo local paravam para cumprimentar Anna.

Betty, sua companheira de quarto, aproximou-se alegremente.

— Oh, Anna. Trabalhando na cozinha hoje?

— A chegada do visitante me deixou livre.

— Isso não parece liberdade para mim.

As duas riram.

Era agradável compartilhar uma conversa simples com uma colega.

Desde que se envolvera com Rothbart, Anna vinha sendo arrastada pelos caprichos dele dia após dia, esquecendo completamente a tranquilidade da rotina comum.

— Você sabe alguma coisa sobre a visitante, Betty? Só ouvi dizer que ela vem da família do Conde de Brabant. Presa aqui na cozinha, não descobri mais nada.

— Dizem que é a terceira filha do conde.

— A terceira filha? Então é uma jovem dama?

Susan arregalou os olhos e lançou um olhar para Anna.

Embora Rothbart tratasse Anna claramente como uma exceção, ninguém compreendia exatamente qual era a relação entre os dois.

Todos apenas especulavam que, algum dia, aquilo poderia se tornar algo mais.

A forma como ela fora poupada após o incidente das rosas havia sido chocante.

Mas era só isso.

A muralha erguida pela personalidade excêntrica de Rothbart continuava alta e difícil de transpor.

No entanto, por dividir o quarto com Anna, Susan suspeitava de mais coisas do que os demais.

Seu olhar preocupado percorreu o rosto da amiga.

Mas Anna, surpreendida demais pela notícia inesperada, não percebeu.

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