Capítulo 31
Em vez de dizer qualquer outra coisa, Rothbart abaixou a cabeça.
A sensação de seus lábios pressionando os dela já lhe era familiar, mas, ainda assim, um estranho estremecimento agitou seu peito.
Mesmo com apenas suas línguas entrelaçadas, o desejo dele era transmitido com clareza. Pelo que pressionava seu baixo-ventre, Anna podia sentir o calor do corpo dele. Pensando bem, eles ainda não tinham feito nada naquele dia.
— Haa…
Sem interromper o beijo, Rothbart deitou Anna sobre a cama. A maciez do colchão sob suas costas lhe pareceu estranha, e ela encolheu os ombros, murmurando de forma constrangida.
— Esta é… a cama…
— Eu sei.
Rothbart respondeu como se aquilo fosse óbvio.
O rosto de Anna corou imediatamente.
Era ela quem estava atribuindo significado ao fato de estar sendo abraçada sobre uma cama. Temendo que ele a considerasse alguém excessivamente sensível a detalhes sem importância, arrependeu-se de ter falado sem pensar.
Mas seus pensamentos não duraram muito.
A grande mão de Rothbart deslizou sob sua saia como uma serpente, contornando sua coxa enquanto subia lentamente.
— Você está usando roupa íntima.
Com um leve sorriso, Rothbart enfiou a mão dentro de sua calcinha.
Normalmente, ele parecia estar excitado a todo instante. Arrancava suas roupas íntimas sem cerimônia e chegara até mesmo a ordenar que ela não as usasse.
Até então, Anna obedecera.
Era desconfortável e desagradável, mas ainda melhor do que vê-las serem rasgadas ou inutilizadas repetidas vezes. Graças a Rothbart, muitas coisas haviam melhorado em sua vida dentro da mansão, mas ele jamais se preocupava com trivialidades como suas roupas íntimas.
Ela nunca imaginou que ele a procuraria justamente em um dia tão tumultuado quanto aquele.
Por isso não as havia retirado antes de entrar ali.
E, ainda assim, a situação acabara tomando aquele rumo.
Temendo que fossem rasgadas, Anna tentou removê-las rapidamente.
Mas Rothbart a impediu primeiro.
— Assim também não é ruim.
— Ah…
A mão dele acariciou lentamente sua intimidade por cima do tecido.
A textura áspera do pano certamente não deveria ser agradável, mas, por algum motivo, o sorriso nos lábios dele apenas se aprofundou.
Devagar, Rothbart retirou a calcinha.
Então levou o tecido aos lábios e lambeu os vestígios úmidos que haviam ficado ali.
A naturalidade descarada daquele gesto era tão absurda que, por um instante, Anna chegou a duvidar da própria visão.
— O quê?!
Seu rosto incendiou-se.
Com um grito agudo, ela se ergueu de repente.
Tentou arrancar a peça das mãos dele, mas o braço de Rothbart prendeu sua perna com firmeza, e ela acabou caindo novamente sobre a cama.
Enquanto Anna respirava de forma descompassada, Rothbart a provocou com uma voz carregada de diversão.
— Perdi a paciência sem necessidade. Então, hoje, como pedido de desculpas, pretendo recompensá-la adequadamente.
— Espere… ah…!
Antes mesmo que conseguisse expressar toda a sua inquietação, Rothbart já havia descido até a beira da cama.
Enterrando o rosto entre suas pernas, ele pressionou os lábios contra ela.
A respiração profunda que soltou pareceu alcançar até o fundo de seu ventre.
A ponta da língua circulou lentamente seu clitóris.
Em seguida, abriu caminho para dentro, explorando a umidade que já transbordava.
— Ah!
A cabeça de Anna tombou para trás.
Seu pescoço esguio tremeu impotente, como o de um cervo preso nas presas de um predador.
Os sons úmidos e indecentes ecoaram nitidamente em seus ouvidos.
Como se não quisesse desperdiçar uma única gota produzida por seu corpo, Rothbart a saboreava com uma dedicação quase obsessiva.
Uma onda avassaladora de prazer começou a se formar.
Sentindo a aproximação do clímax, Anna estremeceu instintivamente.
Tentou se afastar.
Tentou fechar as pernas.
Mas as mãos dele seguravam seus quadris com firmeza, sem permitir qualquer fuga.
E assim, forçada a permanecer ali, ela atingiu o ápice.
— Mmh… ngh… ah…!
Suas coxas tremiam violentamente.
Mesmo sem colocar força na cintura, seu corpo se arqueava sozinho em um ritmo constante.
Enquanto Anna permanecia deitada, estremecendo, com as pernas abertas de forma vergonhosa, o homem responsável por aquele estado simplesmente se ergueu.
Sereno.
Impecável.
Nem um único fio de cabelo estava fora do lugar enquanto ele o penteava para trás com elegância.
Apenas seus lábios denunciavam o que acabara de acontecer, brilhando com vestígios de sua umidade.
Ele a consumira em silêncio.
Como se a fúria que demonstrara mais cedo jamais tivesse existido.
Talvez tivesse acumulado toda aquela emoção apenas para transformá-la em combustível para o próprio desejo.
Ofegante, Anna pensou exatamente isso.
Rothbart ajustou as calças.
Só a lembrança do que viria a seguir fez o corpo dela reagir novamente.
Seu ventre se contraiu.
A entrada entre suas pernas pulsou de maneira inquieta, enchendo-a de uma ansiedade impossível de ignorar.
A ponta espessa e quente de sua masculinidade tocou sua entrada.
Seu corpo inteiro estremeceu diante da expectativa daquele prazer.
Ela precisava admitir.
Assim como Rothbart parecia entrar em frenesi sempre que a via, ela também reagia a ele.
Os olhos escuros dele estavam densamente tomados pelo desejo.
Anna o observou com um olhar repleto de expectativa.
Ao vê-la — sempre tão reservada e indiferente — agora dominada pela luxúria, Rothbart sorriu levemente.
Pouco depois, Anna fechou os olhos devagar.
Entregou o próprio corpo à onda crescente de prazer.
E, enquanto seu ser era lentamente remodelado pelas mãos de Rothbart, percebeu vagamente que algo dentro de seu coração estava perdendo sua forma original.
Seu propósito.
Sua direção.
Tudo começava a se tornar indistinto.
Tudo começava a se confundir.
Depois de entrar no quarto de Rothbart, Rose aguardou ansiosamente o momento em que Anna seria expulsa da mansão com o rosto inchado de tanto apanhar.
Mas nenhuma notícia desse tipo chegou.
Nem naquele dia.
Nem nos dias seguintes.
Pelo que ouvira, Anna havia retornado normalmente aos aposentos das criadas. Porém, como não tinha uma boa relação com as outras empregadas que dividiam o quarto com ela, Rose não conseguiu descobrir muitos detalhes.
Anna continuou circulando pela mansão como sempre.
Em compensação, espalhou-se o rumor de que quem havia sido punido pelo incidente fora o jardineiro.
Foi Svanhild quem lhe contou.
Durante toda a conversa, ele a observou com seus olhos vermelhos enquanto exibia um sorriso doce.
Como se estivesse lhe enviando um aviso silencioso para que não se intrometesse mais naquele assunto.
Svanhild também não queria expulsar Anna?
Incapaz de compreender o que se passava na mente do garoto, Rose apenas mordeu o lábio com força.
Se nem mesmo as rosas da Marquesa tinham conseguido expulsar aquela insolente da Anna, o que mais ela poderia fazer?
Pelas circunstâncias, nem mesmo trazer “aquela pessoa” seria suficiente para remover Anna da mansão.
Nesse caso, não havia sentido.
Rose quebrou a cabeça tentando encontrar outra maneira de derrubá-la.
Mas Rose não era a única pessoa da mansão que nutria ressentimento contra Anna.
A história de Anna ter destruído as rosas da Marquesa e saído ilesa acabou chegando até mesmo aos estábulos, onde Sehyun trabalhava.
— O mestre realmente deve prezar muito aquela criada. Nesse ritmo, ela pode acabar se tornando a nova Marquesa.
— Ela continua sendo apenas uma criada. No máximo, acabará virando amante, não acha?
— A própria origem da Marquesa também não era meio suspeita?
Os cavalariços conversavam entre si, lançando olhares discretos na direção de Sehyun, que estava sentado em um canto.
Quando a notícia de que Anna havia se tornado criada pessoal do Marquês se espalhou, costumavam provocá-lo, chamando-o de cunhado do Marquês.
Mas agora aquilo parecia menos uma piada.
Depois que os rumores cresceram, as pessoas passaram a tratá-lo com uma gentileza cautelosa.
No início, Sehyun não entendeu o motivo.
Quando descobriu, achou divertido.
Ver aqueles que antes o desprezavam agora andando em ovos ao seu redor era bastante satisfatório.
Ainda assim, ao lembrar de Anna insistindo que era apenas uma criada pessoal e nada mais, sentia-se irritado.
Se ele queria dormir com ela, bastava transformá-la em amante. Hah… E agora acabou assim?
Sehyun zombou.
Achava que Anna era uma tola.
Mas, no fim, ela talvez fosse mais esperta do que qualquer um.
Assim que surgiu uma oportunidade, foi direto para a cama do Marquês.
Ele já não nutria nenhum apego especial por ela.
No passado, talvez tivesse lamentado perder uma mulher tão bonita.
Mas depois de conhecer Rose, o brilho de Anna lhe pareceu apagado.
Para ser sincero, acreditava que o gosto do Marquês era péssimo.
Se estivesse em seu lugar…
Teria escolhido Rose como amante.

