Capítulo 29

Mesmo durante a aula de Svanhild, Rose estava tão tomada pela irritação que não conseguia se concentrar em absolutamente nada.

De qualquer forma, Svanhild raramente prestava atenção às suas lições. Rose aproveitava o desinteresse do menino como desculpa para agir da maneira irresponsável que bem entendesse.

Quando a aula terminou e os dois deixaram o escritório juntos, encontraram Anna pelo caminho. Svanhild, que passara toda a lição com a mente distante, iluminou-se de repente e declarou que pretendia passear pelo jardim com Rose. Em seguida, insistiu para que Anna os acompanhasse.

O jardim era mais um dos vestígios deixados pela Marquesa naquele Túmulo do Cisne.

Não era um lugar proibido como os aposentos da Marquesa, mas as flores ali eram tratadas como algo mais precioso do que pessoas. Ninguém, exceto o próprio Marquês, tinha permissão para tocá-las.

Alguns anos antes, um criado tolo colhera uma flor daquele jardim para presentear sua amante.

Poucos dias depois, desapareceu sem deixar rastros.

Desde então, os empregados evitavam o jardim como se fosse terreno sagrado.

E agora Svanhild queria levar Anna justamente para lá?

Rose percebeu imediatamente que as intenções do garoto estavam longe de ser inocentes.

Anna era a primeira criada que o pai mantinha tão próxima de si.

Uma criança astuta como Svanhild certamente já havia notado que Anna poderia acabar ocupando o lugar de sua mãe.

A existência de uma mulher capaz de apagar os vestígios da Marquesa seria, inevitavelmente, um espinho cravado em seu coração.

Quando Rose chegou à mansão pela primeira vez, também tentara conquistar a simpatia de Svanhild. Mas o menino jamais lhe dera uma abertura sequer.

Naquela época, ele tinha apenas cinco anos.

Talvez estivesse planejando empurrar Anna para uma armadilha.

Era um pensamento sombrio para uma criança de onze anos, mas Svanhild sempre fora um menino calculista, impossível de decifrar.

Rose não sabia exatamente o que ele estava tramando.

Mas, se aquilo significasse fazer Anna sofrer, então estavam do mesmo lado.

Pela primeira vez, Rose e Svanhild compartilhavam o mesmo objetivo.

Por isso, Rose tomou partido dele e levou Anna ao jardim.

E, como esperado, Svanhild sugeriu que Anna colhesse algumas flores.

Rose não sabia por que Rothbart a levara ao jardim no dia anterior.

Mas o fato de ele ter permitido uma vez não significava que Anna pudesse pisotear o território da Marquesa com seus pés impuros.

O que o Marquês faria ao descobrir que ela havia cortado aquelas flores?

Só de imaginar a cena, um sorriso surgiu nos lábios de Rose.

Se queria empurrar Anna para o abismo, precisava agir de forma mais ativa.

Assim, sem avisar o jardineiro, Rose pegou discretamente uma tesoura de poda.

Anna parecia desconhecer os pequenos tabus que existiam naquela mansão.

Instintivamente, ela sentia que havia algo errado, mas não compreendia exatamente o quê.

Talvez por isso, embora demonstrasse cautela, ainda assim aceitasse a armadilha que lhe foi entregue e colocasse o laço ao redor do próprio pescoço.

Depois que Anna colheu um grande buquê de rosas e retornou para a mansão, Rose procurou o jardineiro e só então contou o que havia acontecido.

— Ela cortou as flores. O jovem mestre e eu tentamos impedi-la, mas ela insistiu mesmo assim. Não pudemos fazer nada. Foi extremamente insolente. É apenas uma criada, mas age como se fosse a própria Marquesa.

O rosto do jardineiro perdeu toda a cor.

Se Anna realmente tivesse colhido as flores apesar das objeções de Svanhild, naturalmente seria o próprio Svanhild quem relataria o ocorrido.

Mas, tomado pelo pânico, o homem não pensou tão longe.

Aceitou as palavras de Rose sem qualquer suspeita.

O jardineiro sempre fora extremamente sensível quando alguém se aproximava daquele jardim.

Mas daquela vez estavam presentes Svanhild, a preceptora e a criada pessoal do Marquês.

Ele acreditara que ninguém ousaria tocar nas flores e, por isso, permitira sua entrada sem hesitar.

Não deveria ter feito isso.

Se estivesse presente, teria causado um escândalo para impedir Anna.

Mas agora era tarde demais.

As flores do jardim estavam sob sua responsabilidade.

Certamente Rothbart o responsabilizaria.

Se a punição fosse apenas perder o emprego, poderia se considerar afortunado.

Do jeito que as coisas estavam, sentia-se como um condenado já de pé diante da forca, com as chamas queimando sob seus pés.

Mesmo assim…

Talvez ainda fosse possível encobrir tudo discretamente.

O Marquês não visitava o jardim com tanta frequência.

Se conseguisse preencher os espaços vazios antes que Rothbart percebesse, talvez o ocorrido passasse despercebido.

O conflito cresceu dentro do coração do jardineiro.

Mas era justamente esse tipo de pensamento que Rose não desejava.

Com uma expressão pesarosa, ela alimentou ainda mais sua ansiedade.

— Assim que o Marquês retornar, o senhor deve informá-lo sobre isso imediatamente.

— Eu… realmente preciso fazer isso? É mesmo necessário…?

— Claro que sim. Se aquela criada pessoal falar com o Marquês antes…

Rose fez uma breve pausa antes de continuar.

— E se ela mentir, dizendo que o senhor lhe deu as flores? Ou que estava presente e não fez nada para impedi-la? Nesse caso, quem estará em perigo será o senhor. O Marquês não é alguém que investiga cada detalhe cuidadosamente. Não é verdade?

— Isso pode ser verdade, mas…

— Se acabar sendo responsabilizado por algo que nem sequer fez, não seria injusto? Só estou dizendo isso porque me sinto culpada por não tê-la impedido. Não estou obrigando o senhor a nada. No fim, a escolha é sua.

O jardineiro hesitou.

Não era fácil reunir coragem.

Mas as palavras de Rose continuavam ecoando em sua mente.

E se aquela criada realmente jogasse toda a culpa sobre ele?

O frio Marquês talvez não acreditasse completamente nela.

Mas também não se daria ao trabalho de investigar profundamente.

Como Rose havia dito, a única maneira de provar sua inocência era agir primeiro e implorar perdão.

Depois de finalmente se decidir, o jardineiro passou o restante do dia tomado pela ansiedade.

E, assim que a carruagem de Rothbart cruzou os portões da mansão, correu imediatamente ao seu encontro.

Cada movimento de Rothbart ao descer da carruagem era elegante.

Quando entregou o chapéu e a bengala ao mordomo, o jardineiro hesitou por um instante antes de se aproximar.

— M-meu senhor… tenho algo a relatar.

— O que é?

Apesar do evidente nervosismo do homem, Rothbart permaneceu indiferente.

O jardineiro apertou os olhos com força e confessou:

— A… a criada pessoal do Marquês… cortou as flores da senhora.

— O quê?

Como esperado, as grossas sobrancelhas de Rothbart ergueram-se imediatamente.

Faíscas pareciam atravessar sua voz normalmente serena.

Só de permanecer diante dele, as pernas do jardineiro tremiam e sua mandíbula vacilava.

Mas ele não podia permanecer calado diante daquela ira gelada.

Desesperado para salvar a própria vida, tentou se justificar.

— E-eu realmente peço perdão por não ter conseguido protegê-las. Mas tudo aconteceu tão de repente…

— Ha!

Os lábios de Rothbart se torceram numa expressão incrédula.

O suspiro que escapou de sua boca foi suficiente para aterrorizar todos ao redor.

Os criados próximos prenderam a respiração sob a pressão invisível que emanava dele.

— P-por favor, me perdoe.

O jardineiro caiu de joelhos.

Seu fôlego travou na garganta.

Sua visão ficou branca.

Sem dar qualquer atenção às súplicas desesperadas do homem, Rothbart virou-se bruscamente para o mordomo.

— Onde Anna está agora?

— …Provavelmente nos aposentos das criadas.

— Traga-a imediatamente para o meu quarto.

O mordomo estava prestes a defender Anna.

Queria dizer que ela jamais teria a intenção de enganar o Marquês.

Mas, diante dos olhos incandescentes de Rothbart, não conseguiu pronunciar uma única palavra.

Sem sequer tentar conter a própria fúria, Rothbart atravessou a mansão em direção aos seus aposentos.

Observando a figura do mestre desaparecer pelos corredores, o jardineiro soltou um pequeno suspiro de alívio.

Parecia que toda a ira do Marquês havia sido direcionada para a criada pessoal.

A notícia espalhou-se rapidamente pela mansão.

Os empregados começaram a cochichar entre si, comentando o ocorrido.

Susan e as outras criadas arregalaram os olhos ao ouvirem a história.

— Como ela foi acabar colhendo aquelas flores?

— Não faço ideia. Eu vi Anna carregando flores para dentro da mansão mais cedo, mas jamais imaginei que fossem do jardim.

Betty estremeceu.

A preocupação tomou conta do rosto de Susan.

— O jovem mestre e a Srta. Schwartz não estavam com ela? Por que ninguém a impediu?

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