Capítulo 28
Dizem que inimigos estão destinados a se encontrar em pontes estreitas, e, de todas as pessoas possíveis, tinham que ser justamente eles.
Anna abaixou a cabeça e deu um passo para o lado, abrindo passagem. Esperava que simplesmente a ignorassem e seguissem adiante.
Mas esse tipo de esperança raramente se realiza.
Svanhild foi o primeiro a chamá-la, com seu habitual entusiasmo.
— Olá, Anna. Bom dia.
— …Bom dia, jovem mestre.
Anna imaginara que Svanhild ainda estaria magoado depois de ter sido rejeitado tão categoricamente outro dia, mas ele não demonstrava o menor sinal disso.
— Achei que o Pai naturalmente a levaria consigo quando saísse, mas vejo que não levou.
— Sim. Ele me disse para descansar hoje.
— Então você não tem nada para fazer?
Os olhos de Svanhild brilharam.
Era impossível não perceber o quanto ele parecia determinado a arrastá-la para algum plano seu.
Com um sorriso doce, perguntou:
— Eu estava pensando em dar uma volta pelo jardim. Gostaria de vir comigo?
Quando o filho do patrão fazia um pedido desses a uma criada em seu dia de folga, as opções de resposta eram bastante limitadas.
Svanhild talvez fingisse não saber disso.
Ou talvez soubesse perfeitamente.
No caso dele, certamente era a segunda opção.
Se soubesse que isso aconteceria, Anna não teria saído perguntando aos outros se precisavam de ajuda.
Teria se escondido em seu quarto imediatamente.
Arrependida tarde demais, esforçou-se para recusar com delicadeza.
— O senhor não vai com a Srta. Rose? Eu apenas atrapalharia.
— Ontem você foi ao jardim com o Pai. Não quer ir comigo também?
As palavras dele fizeram as lembranças do dia anterior retornarem.
Recordar-se de estar nos braços de Rothbart naquele mesmo jardim só fez crescer sua relutância.
O Marquês disse que fez lavagem cerebral neles, mas… e se o jardineiro ainda se lembrar do que aconteceu ontem…?
Só de imaginar aquilo, sentiu um arrepio.
Anna lançou um olhar para Rose, que estava atrás de Svanhild.
Ao ouvir que Anna havia estado no jardim com Rothbart, a expressão de Rose se distorceu instantaneamente.
Como Rose a detestava, certamente encontraria algum motivo para discutir e impedir que ela fosse junto.
Depositando nela sua última esperança, Anna aguardou.
— Venha conosco, Anna.
Mas Rose destruiu essa esperança sem a menor piedade.
Em vez do olhar venenoso de sempre, exibiu um sorriso radiante.
Fiel ao próprio nome, parecia tão bela quanto uma rosa.
— É apenas um passeio pelo jardim. Por que não viria?
Uma coisa era Svanhild.
Mas a disposição de Rose em levá-la junto era impossível de compreender.
Seria apenas para causar uma boa impressão diante de Svanhild?
Seja qual fosse o motivo, Anna não queria participar.
Estava prestes a alegar cansaço quando Rose falou antes.
— Ou será que a criada pessoal do Marquês não precisa atender aos pedidos do jovem mestre?
Depois de ouvir aquilo, tornou-se impossível recusar.
Anna suspirou.
E assim, carregando uma crescente sensação de inquietação, seguiu os dois em direção ao jardim.
Svanhild, aparentemente radiante de felicidade, segurou sua mão e avançou quase saltitando.
Era um comportamento apropriado para uma criança de sua idade.
Ainda assim, por algum motivo, não parecia combinar com ele.
Rose caminhava logo atrás.
Embora Anna tivesse se juntado ao grupo por último, era Rose quem parecia deslocada.
Sua aparente indiferença em ser deixada de lado só tornava tudo ainda mais desconfortável.
— Ora, ora, não é o jovem mestre? O que o traz ao jardim?
O jardineiro do dia anterior saudou Svanhild com extrema deferência.
Pelo visto, Svanhild não costumava visitar o jardim com frequência.
— Ontem tivemos a visita de uma jovem dama, e hoje recebemos a da Governanta. As flores acabarão ficando apagadas em comparação.
Embora as palavras parecessem elogiar tanto Anna quanto Rose, seu olhar pousou apenas em Rose.
Seu rosto iluminou-se ao contemplá-la.
O que não era surpreendente.
Rose era extraordinariamente bonita.
Anna, por outro lado, sentiu-se aliviada.
Pela reação dele, parecia evidente que não se lembrava de absolutamente nada do dia anterior.
— Desejam que eu os acompanhe? Ou talvez…
Svanhild entrou no jardim sem sequer responder.
De fato, ele não possuía uma personalidade particularmente gentil ou educada.
O jardineiro, aparentemente acostumado àquilo, apenas deu uma risada constrangida.
Svanhild atravessou o jardim em passos largos.
Não parecia admirar nada em especial.
Enquanto caminhava sem rumo aparente, parou de repente.
E justamente no pior lugar possível.
Exatamente onde Anna estivera nos braços de Rothbart no dia anterior.
Como uma ladra atormentada pela própria consciência, sentiu o coração disparar.
Svanhild voltou-se para ela casualmente.
— Anna, que tal colher algumas flores? O Pai ficará satisfeito se decorarmos seu escritório com elas.
— Bem… acredito que ele ficaria mais feliz se fosse o próprio senhor quem as colhesse, jovem mestre.
A resposta saiu hesitante.
Mas recusas indiretas não funcionavam com Svanhild.
Rothbart já não costumava ouvir ninguém.
Com Svanhild era ainda pior.
À obstinação herdada do pai somava-se a teimosia irracional típica de uma criança.
Ele insistiu:
— Não. O Pai vai gostar mais se você as colher.
Ao ouvir novamente o nome de Rothbart, os lábios de Rose se contraíram.
Quanto mais Svanhild destacava Anna, mais Rose a odiaria.
Mas Svanhild não parecia se importar nem um pouco.
— Mesmo assim, eu deveria pedir permissão ao jardineiro. Posso acabar cortando flores que não deveriam ser colhidas.
— Não existem flores que você não possa colher. E, se forem para decorar o escritório do Pai, como isso poderia ser errado?
— É uma ótima ideia. Vou buscar uma tesoura de poda. Por favor, esperem um instante.
Rose interveio imediatamente para ajudar Svanhild.
Anna tentou impedi-la.
Mas Rose já havia se virado e partido, fingindo não ter ouvido nada.
Pouco depois, retornou trazendo a tesoura.
Com um sorriso brilhante, estendeu-a para Anna.
Para Anna, porém, aquilo parecia mais uma corda apertando lentamente seu pescoço.
Mas não havia escapatória.
Estava claro que Svanhild havia decidido fazê-la colher flores.
E era exatamente por isso que a arrastara até o jardim.
Certamente Rothbart não a mataria apenas por colher algumas rosas.
Resignada, Anna suspirou e aceitou a tesoura que Rose lhe oferecia.
Snip.
Com um único corte, o caule de uma rosa tombou e sua cabeça pendeu delicadamente.
Quando a manhã chegou, Rose foi procurar o mordomo Barrett.
Ultimamente, Rothbart sempre usava a desculpa de estar ocupado para evitar encontrá-la.
E quanto mais ele a evitava, mais inquieta ela se tornava.
— Quero ver o mestre. Quando será possível?
— O mestre está ocupado hoje. Não tem tempo disponível. Se deseja transmitir algo, pode me dizer, e eu repassarei o recado.
— O senhor sempre usa essa desculpa!
— Não é uma desculpa. Ele realmente está ocupado.
Barrett ergueu o queixo e rejeitou suas palavras com firmeza.
Rose, que jamais passara por algo semelhante, sentiu-se tomada pela indignação.
Mas agora não estava em posição de exigir.
Precisava implorar.
Repetidas vezes, insistiu.
— É sobre o experimento. Preciso falar diretamente com ele.
— Nesse caso, também pode me contar. Eu transmitirei tudo.
— O mestre sempre disse que atenderia aos meus pedidos. Impedir que eu o encontre assim é abuso de autoridade!
— As circunstâncias são diferentes agora. Aquilo que o mestre apoiava com todos os seus recursos era o mago negro, não a preceptora.
Ao contrário de Rose, que perdia a paciência, Barrett permaneceu perfeitamente calmo.
Lançou um olhar pela janela antes de voltar a encará-la.
Havia desprezo em seus olhos.
— Não está na hora da aula do jovem mestre Svanhild? Se deseja continuar nesta mansão, talvez devesse concentrar-se em cumprir seus deveres como preceptora.
Diante das palavras sarcásticas de Barrett, Rose não pôde fazer nada além de morder os lábios e se afastar.
O mordomo.
A governanta-chefe.
Pessoas que antes observavam cada um de seus movimentos com respeito agora a pisoteavam sem qualquer consideração.
Mas o que mais feria seu orgulho era outra coisa.
Todos pareciam estar tomando o partido de Anna.
Daquela garota.

