Capítulo 24
Rothbart nunca havia reprimido o próprio desejo. Pelo menos, não desde que Anna aceitara sua proposta.
Sempre que era tomado pelo desejo, não importava a situação, ele despejava toda aquela excitação sobre Anna.
Portanto… faria o mesmo agora.
Anna quis rir amargamente de si mesma por ter alimentado a esperança de que nada aconteceria naquele dia.
Desesperada, balançou a cabeça.
— Não aqui. Vamos voltar para o quarto…
— Shhh… Você só precisa ficar quieta.
Rothbart pressionou a ponta bem desenhada do dedo contra os lábios dela enquanto Anna suplicava em voz baixa.
Os olhos escarlates dele a prendiam como correntes.
— Ninguém virá.
— Mas…
— Adiar não lhe trará vantagem alguma.
Os cantos dos lábios de Rothbart se ergueram.
Ele estava claramente se divertindo.
Como se tivesse acabado de se lembrar de algo, acrescentou despreocupadamente:
— Agora que penso nisso, eu disse para me chamarem quando o almoço estivesse pronto. Por enquanto, ninguém ficará rondando por aqui… mas, se você demorar demais, o jardineiro pode aparecer.
De fato, já pareceu estranho que ele tivesse falado com o jardineiro mais cedo.
Devia ter sido justamente para este momento.
Anna lançou a Rothbart um olhar cheio de humilhação.
Não importava o quanto implorasse, ele a possuiria ali mesmo.
E, como ele dissera, ela não tinha escolha a não ser apressar-se.
Mas expor-se ao ar livre, em plena luz do dia, e ser penetrada por ele era algo para o qual não conseguia reunir coragem.
Era completamente diferente de quando ele a tomara diante da janela.
Anna mordeu com força o lábio inferior.
Após muito hesitar, tomou uma decisão.
— Eu… eu vou usar a boca. Então, por favor…
— Com a boca?
Rothbart arqueou uma sobrancelha, como se tivesse ouvido algo inacreditável.
— Um truque novo? Onde aprendeu uma coisa tão vulgar?
Ele soltou uma risada baixa.
Mas não parecia particularmente satisfeito.
Por algum motivo, parecia irritado.
Anna, que tinha certeza de que aquilo despertaria o interesse dele, ficou desconcertada.
Sem saber o que fazer, torceu o avental entre os dedos, tomada pela vergonha.
Rothbart soltou um sorriso de escárnio, como se estivesse exasperado.
Sem esconder a irritação, encarou Anna com olhos sombrios.
Depois de observá-la por alguns instantes, falou em tom zombeteiro:
— Muito bem. Vamos ver o quão boa você é nisso.
A permissão foi concedida.
Com medo de que ele mudasse de ideia, Anna suspirou internamente, aliviada.
Era melhor suportar o desprezo dele do que expor-se daquele jeito ao ar livre.
Engolindo a humilhação, ajoelhou-se diante dele.
Rothbart permaneceu imóvel.
Parecia realmente disposto a observá-la e julgar seu desempenho.
As pontas dos dedos trêmulos de Anna tocaram sua cintura.
Enquanto desfazia os botões das calças, um a um, o membro dele, tão rígido que repuxava o tecido, saltou para fora pela abertura estreita.
O odor intenso de masculinidade atingiu suas narinas.
Desde a vez em que o observara secretamente satisfazer-se no quarto da marquesa, era a primeira vez que aquilo estava tão perto de seu rosto.
Naquela ocasião, estava escuro demais para enxergar com clareza.
Agora, porém, nem mesmo as sombras conseguiam ocultá-lo.
Estava nítido diante de seus olhos.
A glande arredondada, avermelhada sob o prepúcio, a haste mais grossa no centro, semelhante a um pilão, e as veias salientes que a percorriam.
Era maior, mais grosso e mais longo do que imaginara.
Pensando bem, nada nele era pequeno.
Nem as mãos.
Nem os ombros.
Devia ter percebido.
Mesmo quando era acariciada por aquela mão enorme, parecia não ter fim.
Era espantoso pensar que algo daquele tamanho já entrara em seu corpo até a raiz.
Anna hesitou, sem saber o que fazer.
Imaginara que bastaria colocá-lo na boca e sugá-lo.
Mas nem coragem para tocar os lábios nele conseguia reunir.
— Pretende ficar olhando para ele por quanto tempo?
Instigada por Rothbart, Anna segurou-o com as duas mãos.
Então, fechando os olhos com força, levou-o à boca.
Mas era impossível.
A pressão de tê-lo preenchendo sua boca fez sua língua se agitar instintivamente, tentando expulsá-lo.
Anna reprimiu o reflexo de engasgo e obrigou-se a acomodá-lo.
O gosto forte invadiu sua boca e pareceu subir até suas vias respiratórias.
Ela nem sequer conseguira engoli-lo por completo quando a ponta já tocava o fundo de sua boca.
Rothbart soltou um gemido grave, debochado, como se apreciasse a sensação.
— Haa… Você era virgem aqui embaixo, mas aí em cima parece já ter chupado alguns paus antes, não é?
Anna ergueu os olhos, indignada.
Se tivesse experiência, não estaria tão nervosa nem tão humilhada.
Como aquela era a única forma de escapar da situação, ela se esforçou para fazê-lo gozar.
Movendo a cabeça de forma desajeitada, passou a língua ao longo dele.
Sua mandíbula doía por estar aberta além do limite.
A saliva escorria sem controle.
Rothbart baixou os olhos e acariciou suas bochechas afundadas.
Com o polegar, percorreu os cantos dos lábios dela, esticados a ponto de parecerem prestes a rasgar.
Então sorriu e murmurou:
— É verdade. Se tivesse experiência, não seria tão ruim nisso. Está uma bagunça.
Os olhos dele se estreitaram enquanto estalava a língua.
Toda a irritação anterior desaparecera.
Agora, apenas satisfação preenchia seu rosto tomado pelo desejo.
Apesar das críticas, toda vez que a língua de Anna o tocava, um gemido profundo escapava de sua garganta.
O prazer estampava-se claramente em suas feições.
Soltando um longo suspiro, Rothbart bateu levemente na bochecha dela.
Assustada, Anna entreabriu os lábios.
Ele retirou-se de sua boca.
Enquanto ela hesitava, sem saber o que fazer, Rothbart encostou a ponta de seu membro nos lábios macios dela e disse:
— Apenas chupe a ponta. Eu cuido do resto.
Logo ela compreendeu o que ele queria dizer.
Mantendo apenas a ponta presa entre seus lábios, Rothbart começou a acariciar a própria ereção com a mão.
Sem usar as mãos, Anna esforçou-se para manter os lábios no lugar enquanto ele se movia.
Ela sequer ousava encostar os dentes, sem saber como ele reagiria.
Rothbart observava Anna, que o prendia entre os lábios, enquanto movia a mão.
— Huuh…
Quanto mais acelerava o ritmo, mais Anna sentia a pulsação das veias contra seus lábios.
Agora que não precisava mais se concentrar em sugá-lo, sua mente vagava inquieta.
E se alguém aparecesse?
Ansiosa, só conseguia rezar para que aquilo terminasse logo.
— A língua. Mostre-a.
Ao comando dele, Anna colocou a língua para fora como um cão obediente.
Rothbart esfregou seu menbro sobre a superfície rosada e macia dela, soltando um gemido.
A respiração que saía das pequenas narinas de Anna roçava sua pele.
— Hngh… Não existe nada em você que não seja obsceno. Só de respirar, você me excita.
Rothbart riu de si mesmo.
Sua mão acelerou.
O som da pele se friccionando preenchia os ouvidos de Anna de forma insuportável.
O líquido transparente que escorria da ponta gotejou sobre sua língua e acumulou-se em sua boca, deixando um gosto desagradável.
Enquanto brincava distraidamente com a orelha dela, Rothbart murmurou:
— Parece que voltei àquela época.
— Mmhh… mmf…
— Embora eu tenha mudado tanto desde então. Não acha?
A voz dele parecia distante e indistinta.
O cheiro intenso de masculinidade ardia em suas narinas, enquanto o calor que emanava de seu corpo a deixava tonta.
Com os olhos enevoados, Anna ergueu o olhar.
O belo rosto de Rothbart estava contorcido pelo prazer.
Os olhos vermelhos, sob as sobrancelhas espessas, cintilavam como lava prestes a entrar em erupção.
E o êxtase estampado naquele homem sempre arrogante e ameaçador fazia-o parecer, por um breve instante, impotente diante do próprio desejo.
Até então, Anna estivera tão sobrecarregada pelo prazer que ele lhe impunha que jamais prestara atenção nisso.
Mas permanecer parada, observando-o afundar cada vez mais na luxúria, despertava nela uma sensação estranha.
Foi então que, ao longe, ouviu-se o som de folhas sendo agitadas.

