Capítulo 9
O carro que transportava Carlisle deixou rapidamente a capital, Aerondo.
Quando a magnífica paisagem urbana desapareceu e eles seguiram por algum tempo através de campos de grama esparsos, surgiu uma vasta área cercada por arame farpado. Homens uniformizados que guardavam a única entrada abriram apressadamente o portão de ferro.
O carro avançou para o interior e parou diante de um enorme edifício de três andares, localizado nas profundezas da propriedade, em uma área extremamente isolada. O prédio, que lembrava um contêiner portuário, era protegido por soldados que proibiam rigorosamente a entrada de estranhos.
Antes que Henry pudesse abrir a porta pelo banco do passageiro, Carlisle a abriu sozinho e passou por uma grande placa de “Proibida a Entrada” sem sequer olhar para ela. Um homem que havia corrido do edifício em frente parou em posição de sentido e levou a mão à testa.
— O senhor chegou.
— Está tudo em ordem?
Carlisle respondeu com um leve aceno e observou os arredores com olhos afiados. Os longos rifles carregados pelos soldados em patrulha refletiam a luz do sol nas baionetas.
Bermingwell era uma região periférica de Aerondo e abrigava a instalação secreta de fabricação da Rein Kleint.
Na superfície, pertencia a uma área militar, mas, com autorização real, estava sendo usada como laboratório da Rein Kleint.
— Nenhum problema. Os experimentos estão avançando sem contratempos.
— Vou verificar com meus próprios olhos. Abra a porta.
Quando estava prestes a entrar, Carlisle parou de repente e virou o corpo rapidamente.
Seu olhar afiado fixou-se na floresta além da cerca de arame farpado. Em seguida, ele tomou o rifle das mãos de um guarda próximo.
— Vou pegar isto emprestado por um momento.
Tudo aconteceu num piscar de olhos.
Ele abriu a arma para verificar a câmara, apoiou o rifle no ombro e disparou em direção à floresta.
Bang!
O tiro ecoou pelo vasto campo.
Pássaros assustados pelo som repentino levantaram voo, batendo as asas, enquanto as folhas balançavam ao vento.
Naquele ambiente silencioso, o gerente e os guardas olharam ao redor sem entender o que havia acontecido. A distância até a floresta estava apenas dentro do alcance do rifle, e a área diante dela parecia completamente vazia.
Enquanto trocavam olhares confusos, imaginando se havia sido um disparo de advertência, algo despencou de uma árvore alta com um baque.
Os guardas prenderam a respiração ao ver uma figura pesada se contorcendo no chão.
O intruso conseguiu se levantar cambaleando, mancando como se tivesse quebrado a perna, e começou a fugir desesperadamente.
— Há ratos por toda parte. Acertei a perna, evitando pontos vitais, então ele não irá longe.
Carlisle devolveu o rifle ao guarda, e o gerente gritou imediatamente:
— Peguem-no!
Enquanto os soldados corriam em direção à floresta, Carlisle virou as costas.
Ignorando o choque do guarda diante da distância entre a floresta e a instalação, ele seguiu para o edifício.
As enormes portas se abriram.
O interior estava repleto de ruídos metálicos e marteladas.
Parecia uma forja. O som áspero do metal vinha dos funcionários ocupados testando várias peças.
A chegada inesperada do diretor fez todos interromperem o trabalho e abaixarem a cabeça.
A maioria possuía histórico militar, então seus movimentos eram rápidos e disciplinados.
Carlisle segurou cada um deles pelo ombro, transmitindo sua aprovação, e então entrou no escritório, onde logo foi seguido pelo gerente, Norman, que chegou sem fôlego.
— Eles não conseguiram capturá-lo, certo?
Norman abaixou profundamente a cabeça, já sabendo qual seria a resposta.
— Peço desculpas. Ele escapou por uma rota de fuga previamente preparada, auxiliado por outras pessoas escondidas nas proximidades.
Uma preparação tão meticulosa sugeria concorrentes domésticos, e não estrangeiros.
— Sente-se. Pelo menos confirmei que a segurança não relaxou.
— Eu sabia que eles não desistiriam, mas não imaginei que teriam a ousadia de fazer reconhecimento durante o dia.
Os “ratos” eram espiões industriais interessados nos produtos da Rein Kleint.
Isso incluía não apenas empresas de Windfog, mas também agentes enviados por outros países.
Em outras palavras, qualquer um que cobiçasse a tecnologia da Rein Kleint, independentemente da nacionalidade, poderia estar envolvido.
Goldright, sobre quem ele ouvira falar antes de vir, não era diferente.
Mesmo que aumentassem ainda mais o número de soldados, aquelas pessoas jamais desistiriam.
— Então, o que o trouxe até aqui sem aviso prévio?
— Vim verificar os ratos, mas claramente não há necessidade de perguntar. Se estão investigando em plena luz do dia, deve haver muitos loucos por aí.
— Eles ficaram quietos por um tempo, mas recentemente vi alguns rondando a região. Recuavam sempre que tentávamos intimidá-los. Eu não esperava que aparecessem hoje…
O lamento de Norman fez a expressão de Carlisle escurecer.
— Este lugar foi exposto há alguns meses. Não há muito o que fazer.
Por mais rigorosa que fosse a segurança, aqueles tipos persistentes inevitavelmente acabavam descobrindo a localização.
A única consolação era que a maioria apenas rondava a área externa.
Nenhum deles havia conseguido entrar.
Naturalmente, era impossível romper uma segurança tão rígida.
Eles apenas vagavam pelos arredores, esperando encontrar alguma pista.
Carlisle sempre prestou extrema atenção à segurança, e não havia ocorrido nenhum vazamento em dois anos.
Um esforço inútil.
Yvonne nunca esteve aqui, então não havia como ela saber qualquer coisa sobre a nova arma.
Mesmo que aquele homem se aproximasse dela, que tipo de informação poderia obter?
Mas o fato de Ethan agir dessa maneira, mesmo certamente sabendo disso, o incomodava.
Percebendo que havia vindo até ali por impulso, algo incomum para ele, Carlisle se levantou para partir.
Foi então que o gerente mencionou algo desnecessário.
— O senhor deve estar ocupado com o divórcio, então não se preocupe com este lugar. Eu assumirei a responsabilidade e verificarei tudo.
Carlisle não tinha intenção de continuar aquela conversa e saiu imediatamente.
Pouco antes de entrar no carro, perguntou distraidamente:
— Yvonne. A Duquesa nunca esteve aqui, certo?
— A Duquesa? Claro que não. Estou sempre de prontidão. Se ela tivesse vindo, eu teria informado o senhor.
Ele havia feito uma pergunta óbvia.
O que estava pensando?
Mesmo após três anos de casamento, nunca conversou com a esposa sobre negócios.
Então como Yvonne poderia sequer encontrar o caminho até ali?
Mesmo que viesse com a ajuda de algum funcionário, precisaria da autorização dele para entrar no edifício.
Principalmente para chegar ao terceiro andar, onde ficava seu escritório particular e onde estavam as informações sobre a nova arma.
Ethan estava apenas procurando no lugar errado.
Carlisle chegou a essa conclusão e estava prestes a entrar no carro quando um soldado falou de repente:
— Hm… na verdade… A Duquesa veio aqui uma vez.
— Yvonne veio aqui?
Carlisle lançou um olhar afiado diante da resposta inesperada.
O soldado engoliu em seco, mas continuou como se estivesse dizendo a verdade.
— Foi… cerca de um mês atrás.
Um mês atrás, Carlisle estava vivendo praticamente dentro da instalação, supervisionando de perto o desenvolvimento.
Efeitos colaterais inesperados haviam surgido, e os pesquisadores trabalhavam dia e noite, quase sem dormir, para solucioná-los.
Ele não voltou para casa.
E também não explicou a situação a Yvonne.
— Norman, o que significa isso? Nunca recebi nenhum relatório.
Norman, igualmente surpreso, piscou algumas vezes e pressionou o soldado.
— Por que não informou isso? Todos os visitantes devem ser registrados, mesmo que sejam funcionários!
— Ela viu que o senhor estava aí dentro e foi embora imediatamente. Disse para não mencionar nada porque o senhor estava ocupado. Achei que ela mesma tivesse contado ao senhor…
O procedimento padrão era relatar qualquer visitante ao superior.
Mas, como era tarde da noite e se tratava da esposa dele, o soldado presumiu que os dois haviam conversado e não fez o relatório.
Carlisle ouviu tudo em silêncio.
Seus olhos se estreitaram lentamente.
Um pensamento impossível surgiu em sua mente.
Retornando diretamente de Bermingwell para a sede na Crown Avenue, no centro de Aerondo, Carlisle dispensou todos e sentou-se em sua cadeira no escritório, acendendo um charuto.
— Quanto tempo Yvonne ficou lá?
O relatório do soldado foi confirmado no portão principal.
O guarda de serviço viu a carruagem com o brasão dos Polshared e a Duquesa em seu interior.
Em vez de reportar a visita, simplesmente permitiu sua entrada.
Yvonne entrou.
Não encontrou Carlisle.
Permaneceu ali por cerca de vinte minutos.
E foi embora.
E durante todo esse tempo, ninguém sabia exatamente para onde ela foi nem o que fez.

