Capítulo 8
As tentativas de roubar informações já haviam acontecido inúmeras vezes, tanto por parte de países estrangeiros quanto de empresas rivais.
Mas nenhuma delas foi tão meticulosa e exaustiva quanto a daquele homem.
O que mais o irritava era a forma descarada e sem vergonha com que ele roubava informações, como se nem sequer tivesse a intenção de esconder.
E a razão para agir assim não era apenas o crescimento da empresa.
Também havia sentimentos pessoais envolvidos.
Uma provocação que chegava perto do âmbito privado.
Para alguém que tinha uma relação tão amarga com Carlisle, a aproximação com Yvonne era óbvia.
— A segurança está completamente reforçada, certo?
— Claro, senhor. Além do senhor, de mim e do gerente, nem mesmo os executivos da Rein Kleint podem ter acesso sem autorização.
Henry respondeu com uma expressão rígida à pergunta que sequer tinha um sujeito definido.
Eles estavam falando da arma automática na qual a Rein Kleint havia investido dois anos de pesquisa e dedicação.
Era uma arma revolucionária que jamais havia sido revelada na capital e exigia o mais alto nível de segurança até seu lançamento.
Yvonne nunca tinha estado naquele local.
E também era uma mulher que nada sabia sobre os assuntos da empresa.
Por isso, era evidente que tentar obter informações através dela tinha apenas o propósito de provocá-lo.
Mesmo sabendo que aquilo era apenas uma tentativa de testá-lo, aquilo o incomodava de maneira estranha.
Após um breve silêncio, Carlisle informou o destino.
— Vamos para Bermingwell agora mesmo.
O automóvel partiu suavemente ao seu comando e avançou pela avenida que acompanhava o curso do Side Rivers.
Seu olhar, voltado para o rio azul que era lentamente engolido pelos tons do crepúsculo, tornou-se frio.
Ao longe, uma fumaça cinzenta subia da locomotiva que deixava a Estação Central de Aerondo, conectada à Federation Square.
Ethan sustentou o olhar de Yvonne por um longo momento antes de sorrir.
— Ah… Ah, agora não posso mais ir embora.
Sentando-se novamente como se pretendesse permanecer por mais tempo, Ethan observou Yvonne fazer um gesto para a criada.
Quando a criada trouxe um bule de chá preto recém-preparado, a própria Yvonne serviu o líquido na xícara vazia de Ethan.
Ele observou aqueles movimentos calmos e elegantes com uma sensação estranhamente nova.
O lírio da família Sellus.
A representação perfeita de uma dama aristocrática.
E, ainda assim, ela não apenas o testava como também lhe propunha um negócio.
Era a primeira vez desde aquele homem que Ethan sentia como se alguém tivesse lhe acertado a cabeça.
Os dois não pareciam ter nada em comum.
Mas talvez um casal fosse mesmo um casal.
Sentindo que acabara de aprender na prática aquele velho clichê de que os cônjuges acabam se parecendo, Ethan voltou a envolver a xícara com as mãos.
— Ouvi dizer que a senhora era apenas uma flor de estufa, uma princesa criada dentro de um jardim. Acho que me enganei. Quanto sabe? Não… a verdadeira questão é: realmente sabe? Carlisle não é o tipo de homem que compartilha informações com a esposa.
Era um homem reverenciado como herói por ter levado seus inimigos à derrota durante a guerra civil.
Mas Ethan conhecia muito bem o lado calculista e impiedoso escondido por trás daquela imagem.
A verdadeira face daquele elegante duque era extremamente cruel.
O próprio Ethan agia sem piedade muitas vezes.
Ainda assim, Carlisle era ainda mais calculista e astuto.
Um homem assim jamais mostraria à esposa — especialmente uma esposa com quem não tinha intimidade — informações sobre uma arma que vinha desenvolvendo havia dois anos.
Pensando nisso, ele a observou.
Yvonne respondeu como se já esperasse a pergunta.
— O senhor tem razão, Marquês. Ele nunca me contou nada.
— Então mentiu para mim?
Suas palavras ficaram um pouco mais afiadas.
— Claro que não. Eu descobri sozinha.
Meu Deus.
Agora ele não podia evitar ficar interessado.
Os lábios de Ethan se curvaram em uma expressão de discreta excitação.
Enquanto isso, Yvonne sorriu calmamente, um pouco aliviada por finalmente ver o homem demonstrar interesse.
— Então agora está disposto a fazer um acordo?
— Vamos ser específicos. Já temos algumas informações sobre o desempenho da arma. A senhora viu o produto finalizado?
— Não.
O entusiasmo de Ethan quase desapareceu.
Mas Yvonne sustentou seu olhar.
— Em compensação, vi os desenhos do projeto.
A expressão de Ethan mudou completamente.
— Onde eles estão?
Percebendo a ganância no rosto daquele belo homem, Yvonne apontou o dedo indicador para a própria cabeça.
— Estão aqui dentro. E consigo reproduzi-los, naturalmente.
— …Memorizou tudo?
O rosto cheio de expectativa vacilou levemente.
Aquilo era sequer possível?
Para reproduzir uma planta técnica depois de vê-la apenas uma vez, seria necessário conhecer os nomes das peças e possuir uma boa quantidade de conhecimento sobre armamentos.
Parecia uma mentira absurda.
Mas o rosto de Yvonne estava repleto de confiança.
— É possível.
O olhar dela desviou para o lado da lareira.
Seguindo a direção indicada, Ethan viu apenas materiais de desenho comuns, do tipo usado por pintores.
O que aqueles instrumentos tinham a ver com aquilo?
Enquanto pensava nisso, uma antiga história que certa vez circulou por Aerondo lhe veio à mente.
Ah.
Agora tudo fazia sentido.
Ethan cruzou os braços.
— Quase cometi um erro por desconhecer seu profundo conhecimento artístico, Lady Yvonne.
— Está exagerando.
Yvonne respondeu modestamente.
Ethan a observou por alguns instantes enquanto inúmeros cálculos passavam por sua mente.
— Claro que não pretende me mostrar agora.
— Mostrarei depois que tudo terminar.
— Consegue lidar com as consequências? Se Carlisle descobrir que entregou isso para mim, ele não deixará passar. Não demonstrará misericórdia apenas porque a senhora será sua ex-esposa. Nem mesmo o Condado de Sellus escapará da ira dele.
Apesar das palavras duras, não havia sinal de medo no rosto dela.
Pensando que talvez ela ainda estivesse esperando algo, Ethan balançou a cabeça.
— A senhora realmente não acredita em mim. Aquele homem não possui sentimentos desse tipo. Ele nasceu sem compaixão ou consideração por mulheres e crianças frágeis. Pode se vingar da senhora sem sequer piscar.
— Eu sei. Se ele chegar a esse ponto, eu não poderia desejar mais nada.
Ethan observou silenciosamente a mulher que permanecia resoluta mesmo diante da possibilidade de sua amada família sofrer.
Então soltou um longo suspiro.
— Certo. Então temos um acordo.
— …Mesmo?
Embora esperasse por isso, Yvonne ficou um pouco surpresa com a facilidade com que ele concordou.
Pelo que tinha descoberto, aquele homem jamais se envolvia em algo sem obter algum benefício.
Também acreditava apenas no que confirmava com os próprios olhos.
Por isso, tomar uma decisão apenas com base em suas palavras parecia inesperado.
— Eu odeio complicações, mas isto é interessante. Amanhã virei buscá-la.
Ethan se levantou.
Ao chegar à entrada e colocar o chapéu, perguntou de repente:
— Mais importante que isso… a senhora está bem agora?
— Sim. Fisicamente, estou quase recuperada.
— Não estou falando do seu corpo. Estou falando do seu coração.
Os olhos de Yvonne, que estavam tranquilos e distantes, estremeceram.
— A senhora perdeu um filho. E por causa do marido mais admirado de Aerondo.
— ……
Yvonne, que estava prestes a acompanhá-lo até a saída, congelou.
Ao ver a expressão dela afundar, Ethan segurou a maçaneta.
— Sobre a criança… sinto muito.
Depois que Ethan foi embora e Yvonne fechou a porta, ela escorregou lentamente até o chão.
O peito que ela havia se esforçado para manter firme se apertou dolorosamente.
A sensação era como se um peso esmagasse sua garganta, dificultando sua respiração.
Enquanto tentava recuperar o ar, Jane correu da cozinha, assustada.
— Madame, está bem? Sua barriga ainda dói? Precisamos ir ao hospital…
— Não.
Yvonne balançou a cabeça enquanto segurava as mãos agitadas de Jane.
— Não? Seu rosto está tão pálido que parece que vai desmaiar. Foi por isso que eu disse que deveríamos esperar mais. Até o médico falou que a senhora precisava descansar por mais tempo…
O rosto de Jane estava cheio de preocupação.
Parecia que ela temia que Yvonne desabasse novamente.
— Como eu poderia ter esse direito…?
— Que direito? A senhora ainda está sofrendo.
A voz de Jane estava carregada de tristeza.
Lágrimas começaram a se acumular em seus olhos.
Ao ver Jane chorando, Yvonne abaixou a cabeça enquanto seus próprios olhos ardiam.
Ela tentou segurar as lágrimas.
Mas foi inútil.
Como uma gota prestes a transbordar, as lágrimas escorreram por suas bochechas secas.
Acumularam-se brevemente em seu queixo antes de caírem.
As pontas de seus dedos trêmulos deslizaram suavemente sobre o ventre agora plano.
Mesmo acariciando-o devagar, ela não sentia nada.
E, finalmente, cobriu o rosto com as duas mãos.
As lágrimas atravessaram os espaços entre seus dedos.
Logo começaram a cair como chuva.

