Capítulo 7
A matéria que afirmava que Yvonne havia feito acusações falsas foi publicada justamente quando a opinião pública começava a ficar a seu favor.
Era um método simples e eficaz.
Afinal, todos queriam se tornar donos da Rein Kleint.
Certamente havia muitos homens que já cobiçavam aquela beleza antes mesmo de seu casamento e guardavam intenções ocultas.
Bastava vazar algumas informações para provocar exatamente a reação desejada.
Nessa situação, a pessoa que mais se beneficiava era a mulher diante dele.
A resposta era simples.
Um pouco surpresa com a pergunta de Ethan, Yvonne decidiu que não havia motivo para esconder a verdade.
— Sim. Existem muitos repórteres em Aerondo dispostos a escrever qualquer coisa por algumas moedas. A história sobre meu marido ser violento foi impulsiva. Eu o odiava e queria ver como ele reagiria. Depois que me acalmei, publiquei uma correção.
Uma dama nobre e gentil recorrendo a um truque covarde em vez de resolver as coisas da maneira correta.
Ethan não conseguia compreender completamente por que ela escolheria o caminho mais complicado quando o mais simples estava bem diante dela.
Mas não fez mais perguntas.
— Então encontrou a resposta que procurava? Porque, se ainda restam sentimentos, isso vai ser problemático para mim.
— Não. É exatamente o contrário.
Yvonne sorriu amargamente.
— Ele nunca disse sequer uma vez que se arrependia de ter se divorciado de mim. Claro, desde o início foi um casamento indesejado. Ele me odeia. Foi por isso que manteve uma amante escondida.
— Uma amante? Tem certeza de que Carlisle Polshared possui uma amante secreta?
— Tenho. Aquela pessoa olhou nos meus olhos e me disse isso diretamente.
Embora falasse com calma, Yvonne não conseguiu esconder a amargura.
Ethan sentiu-se intrigado.
Tinha certeza de que ela odiava Carlisle.
Mas, pelo que sabia sobre a personalidade dele, aquilo era difícil de acreditar.
Se Carlisle tivesse algum tempo livre para mulheres, provavelmente o passaria dentro de um arsenal sombrio.
Nenhuma informação semelhante jamais chegara através de suas fontes.
Mas isso não importava.
Ele já havia conseguido a resposta que desejava.
O resto não era problema dele.
Pelo contrário.
Pretendia aproveitar a oportunidade que surgira.
— Se a senhorita diz, Lady Yvonne, então deve ser verdade. E o que pretende fazer agora?
— Quero que ele fique ansioso e angustiado. E quero que aquela mulher que o idolatra e se esconde atrás dele apareça por conta própria.
— Então está planejando uma distração. Derrubar os dois de uma só vez. Não é um plano ruim. O problema é: por que eu deveria ajudá-la? Como sabe, não estou desesperado por mulheres. Ajudá-la não parece me trazer nenhum benefício real, Lady Yvonne.
Ethan deu de ombros.
— Envolver-me nos problemas conjugais de outras pessoas já é complicado o suficiente.
— O senhor não veio aqui porque quer alguma coisa? Não passou uma semana inteira me visitando porque tinha tempo livre, não é mesmo, famoso Marquês Ethan Inglebert?
Ethan respondeu ao sarcasmo com outro sarcasmo.
Por fim, soltou uma gargalhada.
Nada mal.
Apesar da aparência delicada de flor cultivada em estufa, a maneira como ela o testava silenciosamente era digna de respeito.
Pelo menos era o que Ethan pensava.
— Então o que exatamente a senhorita tem em mãos, Lady Yvonne, futura ex-Duquesa de Polshared?
Essa era a questão que mais despertava sua curiosidade.
Até mesmo durante aquela semana inteira em que prolongou deliberadamente os encontros entre eles.
Observando Yvonne brincar novamente com a pulseira em seu pulso direito, Ethan ergueu as sobrancelhas.
— Utilizar a imprensa foi admirável, mas sinceramente não acredito que possua alguma fraqueza do Duque Polshared.
Finalmente haviam chegado ao assunto principal.
Yvonne acariciou as pétalas das rosas que Ethan havia trazido.
— Sim. Sinto muito, mas se deseja segredos de Carlisle como todos os outros, não tenho nada para oferecer.
A expectativa desapareceu do rosto de Ethan.
Ao ouvir que ela não sabia de nada, sentiu decepção e compreensão ao mesmo tempo.
Suspeitar que todos aqueles homens estavam pedindo Yvonne em casamento apenas para obter informações era um equívoco.
O Carlisle que ele conhecia jamais revelaria segredos importantes de negócios à esposa.
E tampouco o casamento deles era próximo o bastante para isso.
— Bem… isso é constrangedor. Não esperava que realmente não houvesse absolutamente nada.
— Está decepcionado?
— Desperdicei meu precioso tempo.
Ethan tomou mais um gole de chá e colocou a xícara sobre a mesa.
O som seco ecoou pelo tampo de vidro.
Parecia o sinal que anunciava o fim daquela conversa.
Como a maior parte do chá já havia sido consumida, era evidente que o encontro chegara ao fim, pelo menos por cortesia.
Yvonne observou o homem.
Apesar da aparência descontraída, Ethan nunca era simples.
Mesmo com a fama de libertino que abandonava os negócios por causa de mulheres bonitas, ele parecia tão calculista quanto seu marido.
Por isso mesmo o representante da Goldright.
O Marquês Inglebert.
O homem famoso por sua vida privada escandalosa.
Era exatamente a pessoa que Yvonne precisava.
— Marquês, imagino que tenha muito interesse em informações sobre ele e sobre a Rein Kleint.
— Se eu dissesse que não fico tentado, estaria mentindo.
— ……
— Para ser sincero, tenho pessoas espalhadas por toda parte. Recebo quase todas as informações que preciso. A menos que possua algo além disso, o homem que conheço jamais compartilharia segredos importantes nem mesmo com a esposa que divide sua cama. Entendo que queira blefar, mas não comigo. Muitos homens arriscariam tornar-se os maiores vilões do mundo. Poucos arriscariam prejudicar os próprios negócios.
— Ah…
Talvez a resposta tivesse sido inesperada.
Yvonne mergulhou em pensamentos.
Enquanto observava aquele rosto sereno incapaz de apresentar uma resposta imediata, o interesse de Ethan começou a desaparecer lentamente.
Ele esperava algo diferente da esposa de Carlisle Polshared.
Mas ela parecia apenas a definição perfeita de uma nobre entediante.
Talvez tivesse criado expectativas demais.
Que decepcionante.
Sentindo o interesse que nutria pela esposa de Carlisle desaparecer pouco a pouco, Ethan começou a se preparar para partir.
Já estendia a mão em direção ao chapéu.
Nesse instante, a expressão vazia de Yvonne mudou ligeiramente.
— Então que tal isto? A nova arma automática da Rein Kleint. Aquela que está sendo desenvolvida há dois anos.
Ethan, que estava prestes a se levantar apoiando as mãos nos joelhos, congelou.
— A nova arma automática movida a energia. Se for essa informação… estaria disposto a me ajudar?
O almoço com o Duque Andente terminou rapidamente.
Aproveitando o horário de partida do navio que retornaria para Boblasia, o Duque expressou grandes expectativas para o próximo contrato e desejou que os problemas pessoais de Carlisle fossem resolvidos o quanto antes.
Então se despediram.
As pessoas abriram caminho quando viram o Duque Polshared descendo as escadas.
As mulheres coraram.
Os homens o observavam com admiração.
Carlisle atravessou o salão e entrou no automóvel que o aguardava.
Henry imediatamente lhe entregou vários jornais.
— Senhor, aqui estão os exemplares que solicitou.
Eram as edições extraordinárias publicadas pouco antes do almoço com o Duque Andente.
Carlisle as tomou de suas mãos.
Começou a analisar rapidamente as matérias.
Como se tudo tivesse sido combinado antecipadamente, a manchete principal era sempre a mesma.
Uma fotografia.
Yvonne e Ethan Inglebert sorrindo um para o outro diante da Lisian House.
— Hah.
Uma risada absurda escapou de seus lábios.
— Quase caí nisso.
Como esperado.
Tal pai, tal filha.
Primeiro o pressionaram com acusações absurdas.
Depois ela surgiu alegando que havia mudado de ideia.
Ele sempre soubera que Yvonne não era apenas uma mulher dócil.
Ainda assim, não imaginava que chegaria a esse ponto.
— Eu não tinha colocado alguém para vigiar Yvonne?
— Peço desculpas. Como não havia instruções especiais, retirei os homens da vigilância da última vez.
— Coloque alguém lá novamente.
Carlisle empurrou os jornais para o lado e afundou no banco.
Fechou os olhos.
Esfregou a ponte do nariz com uma das mãos.
A irritação era visível.
Justamente aquela pessoa.
Sua mandíbula se contraiu.
Ethan Inglebert.
No ano anterior, herdara o título de Marquês Inglebert.
Agora era o chefe da Goldright Munitions e de uma empresa militar privada.
Era um novato no ramo armamentista.
Mas a Goldright vinha reduzindo rapidamente a vantagem esmagadora da Rein Kleint.
E tudo isso graças ao estilo de administração extremamente astuto de Ethan.
Os dois haviam se formado juntos na Academia Militar de Aerondo.
Também serviram no exército ao mesmo tempo.
Mas, ao contrário do que o público acreditava, jamais foram próximos.
Após receber uma dispensa desonrosa, Ethan passou anos frequentando clubes sociais, praticando tiro e navegando em iates.
Então, três anos atrás, fundou uma empresa militar privada.
Contratou mercenários.
Enviou-os para guerras civis em diversos países.
Construiu seu nome dessa forma.
No ano passado, iniciou seriamente a fabricação de armamentos.
Expandiu seus negócios.
E rapidamente ganhou destaque.
Tudo isso poderia ser considerado uma trajetória empresarial impressionante.
O problema era seu método de gestão.
Era irritante.
Durante quase um ano inteiro, a Goldright tornou-se a principal fonte de aborrecimento de Carlisle.
Eles sabotavam constantemente os negócios da Rein Kleint.
As armas lançadas sob o nome da Goldright sempre apresentavam desempenho equivalente às novas armas desenvolvidas pela Rein Kleint.
Potência.
Desempenho.
Até mesmo o design.
Sem sequer tentar esconder.
Ethan parecia obcecado em roubar tudo aquilo que Carlisle conquistava e ocupar o seu lugar.
Um homem disposto a fazer qualquer coisa.
Um verdadeiro lunático.

