Capítulo 6

Era Ethan Inglebert, amplamente conhecido como o libertino mais famoso de Aerondo.

Ele era o chefe da prestigiada Casa do Marquês Inglebert e, recentemente, o representante em ascensão da Goldright. No entanto, sua vida privada era tão controversa que seu nome aparecia frequentemente nas revistas de fofoca.

Ethan sorriu para as mulheres surpresas ao vê-lo e recebeu do assistente o enorme buquê que carregava.

— O senhor realmente aparece aqui todos os dias.

Como desde o dia em que Yvonne Sellus se instalara ali ele aparecia carregando flores e presentes diariamente, Jayde não perdeu a oportunidade de repreendê-lo.

— Preciso vir. Consolar uma bela dama de coração partido é uma das virtudes básicas de um cavalheiro, não acha?

— Estou dizendo isso porque o senhor não está consolando dama alguma.

— Ah, Jayde. Alguma vez você entrou no meu coração?

— Preciso mesmo entrar para saber? Eu o sirvo há dez anos. É óbvio. Ou por acaso o senhor comeu algo estragado?

Ethan, um nobre que valorizava as virtudes cavalheirescas e também o patrão de Jayde, sorriu enquanto apoiava a mão no ombro do assistente, que balançava a cabeça sem conseguir compreender o que se passava na mente de seu mestre.

— Essa é apenas a sua opinião. Vá almoçar em algum lugar por perto. Isto vai demorar um pouco.

Dispensando o assistente resmungão, Ethan caminhou em direção ao jardim impregnado pelo perfume das flores.

A grama se dobrava suavemente sob seus sapatos de couro Duelshan de alta qualidade.

Parando diante da porta principal, Ethan observou por um instante o próprio reflexo no vidro ao lado da entrada e curvou os lábios.

Estava prestes a tocar a campainha, mas mudou de ideia e bateu levemente na porta algumas vezes.

Pouco depois, a porta se abriu.

Uma mulher de olhos grandes e gentis, semelhantes aos de um cervo, apareceu.

— Como está se sentindo hoje, Lady Yvonne?

Sorrindo com o mesmo brilho de seus cabelos dourados, Ethan lhe entregou um buquê de rosas.

Também ofereceu o sorriso que costumava enlouquecer tantas mulheres.

Mas Yvonne não aceitou as flores imediatamente.

Primeiro, olhou atrás dele para confirmar se não havia repórteres por perto.

Só então abriu mais a porta.

— Entre.

O único homem que Yvonne escolhera entre todos aqueles que a cortejaram durante a última semana entrou tranquilamente na residência.

— Veio de novo hoje?

Ethan ignorou os inúmeros buquês espalhados pela sala e entregou as rosas que havia trazido.

— Uma bela dama está sofrendo por amor. Achei que deveria consolá-la.

Sorrindo com os olhos, sentou-se no centro do sofá bege como se aquele lugar lhe pertencesse.

Afinal, durante toda a semana, ele praticamente desgastara a soleira daquela casa.

— Finalmente está silencioso. Até ontem, metade dos jovens de Aerondo que nem sabiam que você estava aqui apareciam para visitá-la.

— Talvez tenham mudado de ideia depois de ver a matéria de hoje. Não foi por isso que você distribuiu aquela fotografia?

Um pouco irritada, Yvonne lhe entregou o jornal.

Ethan ergueu as sobrancelhas, como se já tivesse lido a notícia.

— Eu disse que eles deixariam de aparecer se vissem fotos nossas juntos. Não queria que você se sentisse incomodada.

— Fez isso por mim?

— Por vários motivos.

Seus olhos curvados exibiam uma expressão travessa e ao mesmo tempo atraente.

Yvonne observou o homem que respondia tão brevemente.

Embora não fosse a primeira vez que se encontravam, eles não eram íntimos a ponto de falarem com tanta informalidade.

Ainda assim, aquilo não a incomodava.

Talvez porque Ethan transmitisse uma imagem naturalmente calorosa.

Se Carlisle possuía uma aparência marcante e masculina, com físico robusto e traços esculpidos, Ethan podia ser descrito como refinado.

Acostumada a homens de expressão rígida, Yvonne sentia ainda mais contraste diante das emoções vivas estampadas no rosto dele.

— Eu sei que você vazou a fotografia de propósito. Você deu a entender aos repórteres que deviam nos fotografar juntos para afastar seus concorrentes.

— Ah. Isso é um pouco decepcionante. Aqueles sujeitos nunca poderiam ser meus concorrentes.

Observando a confiança natural de Ethan — não arrogância, mas uma convicção adquirida ao longo da vida — Yvonne teve a estranha sensação de enxergar algo semelhante a Carlisle.

Então perguntou:

— Pode parar de fingir que está preocupado comigo e dizer logo o que realmente quer?

— Ora. A senhorita acredita que tenho segundas intenções, Lady Yvonne?

Enquanto falava, Ethan recebeu da criada uma xícara de chá e tomou um gole.

Seu comportamento tranquilo fez Yvonne insistir.

— Você quer alguma coisa de mim. Eu percebi que vem tentando me levar discretamente para uma determinada direção.

Ethan, que a observava silenciosamente havia uma semana, respondeu como se estivesse comentando algo trivial.

— A senhorita deve odiar o seu marido. Não sente vontade de se vingar?

Conduzir uma conversa para o rumo que desejava era algo típico dele.

Mesmo quando suas intenções eram óbvias.

Na verdade, ele permitia que fossem óbvias.

Assim, a outra pessoa acreditava ter descoberto tudo sozinha.

Era uma forma sutil de controle.

Apoiando os cotovelos nos joelhos, Ethan inclinou levemente o corpo para a frente.

Seus olhos pousaram diretamente sobre a mulher que havia se casado sem jamais usar a própria beleza como arma.

Uma curiosidade estranha brilhou em seu olhar.

— Pare de apenas observar as pessoas e seja sincera, Lady Yvonne. Assim saberei se devo me envolver ou não.

Enquanto o olhar dele permanecia sobre ela, Yvonne começou a girar lentamente a pulseira fina em seu pulso.

Então falou:

— Quero que, durante algum tempo, você finja ter um relacionamento comigo.

A expressão gentil que normalmente permanecia no rosto de Ethan desapareceu um pouco.

— Está me pedindo para me tornar o maior vilão da história? O homem que seduziu a esposa de um amigo?

— Você não é do tipo que se preocupa com honra.

Yvonne enfatizou suas palavras para o homem que fingia não entender.

— Você e meu marido não são amigos, parceiros ou qualquer coisa parecida.

Ela percebeu?

Por um instante, o silêncio se instalou entre eles.

Então Ethan sorriu diante daquele tom provocador.

— Está certa. Considerá-lo um amigo, um parceiro de negócios ou um rival digno… tudo isso é uma grande mentira.

Nos círculos políticos e financeiros, Carlisle e Ethan eram conhecidos como nobres influentes que haviam estudado na mesma academia militar e mantinham uma sólida amizade.

Mesmo com suas empresas competindo entre si, dizia-se que possuíam uma rivalidade saudável que estimulava ambos os lados.

Mas aquilo era apenas fachada.

Na realidade, a relação entre os dois era amarga.

— Nunca imaginei que me pediria algo assim, Lady Yvonne. Se começar a se encontrar comigo, Carlisle ficará bastante irritado.

— É exatamente isso que eu quero.

— Para uma dama tão gentil, essa é uma decisão bastante cruel.

Ethan cruzou a perna direita sobre a esquerda e se acomodou confortavelmente no sofá.

— É uma história previsível. A esposa abandonada quer destruir tudo o que o marido possui. Mas o fato de ser você quem está fazendo isso é realmente inesperado, Lady Yvonne.

— Infelizmente, eu não sou uma pessoa tão boa assim.

Mesmo respondendo calmamente à voz carregada de sarcasmo, Yvonne percebeu que Ethan a observava com uma expressão estranha.

Ela parecia diferente da mulher que ele conhecera uma semana antes.

Naquela noite.

A imagem que tinha da esposa de Carlisle era a de uma mulher bonita, porém tão sem expressão que parecia entediante.

Mesmo quando causava algum alvoroço, continuava parecendo apenas uma típica dama nobre.

Mas a mulher diante dele agora não era comum.

Nem parecia uma boneca de porcelana.

Era como se tivesse finalmente despertado para a vida.

Seus olhos brilhavam.

— Posso perguntar uma coisa? Por que eu? Parece que acredita que sou uma boa pessoa por causa daquela noite, mas, como sabe, se se envolver comigo, os rumores que finalmente desapareceram voltarão a persegui-la.

— Não me importo. Também não quero uma grande vingança.

Ela fez uma breve pausa.

Então completou:

— Só quero destruir a reputação dele.

Porque eu o odeio.

As palavras foram quase um sussurro.

Quase uma confissão feita apenas para si mesma.

Mas Ethan ouviu.

E seus lábios se curvaram suavemente, como se aquela resposta correspondesse exatamente ao que esperava.

— Se é assim que se sente, por que corrigiu a matéria? Poderia ter mantido a imagem do marido violento.

— ……

— Pessoas que se deixam levar pela emoção e acabam amolecendo são as mais difíceis de lidar nos negócios.

Em algum momento, todo vestígio de sorriso desapareceu do rosto de Ethan.

— A matéria sobre o marido violento… e também a matéria dizendo que os homens de Aerondo estavam correndo para pedi-la em casamento…

Os olhos dourados se estreitaram.

— Foram todas obra sua, não foram?

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