Capítulo 24
Quando a noite caía, as luzes mais brilhantes da Fleet Avenue sempre estavam acesas no clube masculino Avandonasser.
O edifício mais alto da região também funcionava como hotel, por isso estava sempre movimentado com cavalheiros e empresários vindos de outros países.
Um lugar construído para o entretenimento masculino normalmente receberia partidas de cartas ou festas regadas a bebida, mas naquela noite era diferente.
Ali estava sendo realizado um encontro com o tema “Noite dos Empresários”.
Sob os lustres deslumbrantes, homens em trajes formais retiravam os chapéus e trocavam apertos de mão.
Como era um evento oficial, jornalistas tinham sido convidados para registrar o evento. Flashes disparavam por todos os lados, capturando a cena hipócrita de cavalheiros fingindo cordialidade.
Em meio à troca incessante de cumprimentos e informações, Ethan permanecia sentado tranquilamente, apoiando o queixo sobre uma das mãos.
— Senhor.
Apesar da insistência de Jayde, o olhar de Ethan continuava voltado para o céu escuro do lado de fora da janela.
Como anfitrião, ele deveria estar circulando entre os convidados, mas estava completamente absorto em pensamentos. A ansiedade de Jayde aumentava a cada minuto.
Ethan sempre fora imprevisível, mas também era um homem que sabia separar as coisas. Mesmo quando se envolvia com mulheres, deixava claros os limites para qualquer uma que tentasse ultrapassá-los. Era extremamente criterioso quanto às suas prioridades, principalmente nos negócios, e por isso conquistava o respeito de todos.
Mas naquela noite Ethan Inglebert estava diferente.
— Isso é estranho…
Murmurando para si mesmo, Ethan reviveu mentalmente os acontecimentos de uma hora antes.
— Você não apareceu no nosso encontro, então vim buscá-la. Aconteceu alguma coisa?
— Ah… Desculpe. Não estou me sentindo bem, então acho que hoje não vou conseguir sair.
Já fazia dias que, sempre que tentava encontrá-la, Yvonne recusava.
Mesmo quando ele demonstrava irritação, ela insistia que estava indisposta, recusando-se tanto a sair quanto a deixá-lo entrar.
Aquilo nunca tinha acontecido antes.
Os dois fingiam ser amantes, o escândalo ocupava diariamente as manchetes dos jornais, e, ainda assim, ela havia mudado de atitude de repente.
Aquilo o deixava completamente confuso.
— Jayde, o que disseram as pessoas que estavam observando a Yvonne?
— Hã? Essa pergunta de novo? Nada demais. Desde que o Conde Sellus e a esposa o visitaram, há cinco dias, ela não saiu mais de casa.
— Tem certeza?
Já era a terceira vez que confirmava aquilo, mas o momento em que tudo aconteceu parecia estranho.
Foi justamente depois da visita do Conde e da Condessa que tudo mudou.
Aquilo significava que eles tinham conversado sobre alguma coisa.
— Talvez ela tenha mudado de ideia. Eu realmente não esperava que ela…
Sua voz carregava um traço de irritação enquanto levava o copo aos lábios.
Ele tinha deixado tudo muito claro, mas agora parecia que todo o esforço havia sido em vão.
— Se houve gritos, talvez o Conde tenha repreendido a filha por ter entregue os papéis do divórcio.
— Gritos? Isso não estava no relatório.
Jayde respondeu como se não fosse importante.
— Houve um pouco de barulho, mas logo tudo ficou em silêncio. Também ouvi algo quebrando… talvez estivessem brindando?
— Brindando? O que haveria para comemorar enquanto ele dava uma bronca nela?
As sobrancelhas de Ethan se franziram diante da resposta, e Jayde desviou o olhar.
— Conte tudo o que deixou de fora.
— Não é nada demais. O Conde entrou primeiro, e a Condessa chegou depois carregando um buquê de lírios.
— Espere… lírios?
Ethan, que já ia beber, virou-se abruptamente para Jayde.
— Seja específico. Eram mesmo lírios?
A súbita seriedade de Ethan deixou Jayde desconcertado.
— Sim. Ela carregava uma quantidade enorme de buquês. Como o apelido da Lady Yvonne é Lírio, imaginei que ela gostasse muito deles.
Isso não fazia sentido.
Ethan lembrou imediatamente da expressão pálida de Yvonne diante de um único lírio.
Se os pais sabiam da alergia dela, por que levariam flores justamente daquela espécie?
E não apenas um buquê, mas uma montanha deles… uma quantidade suficiente para colocar sua vida em risco.
Enquanto reorganizava mentalmente o estranho relatório, uma lembrança surgiu.
Já fazia dias que Yvonne não aparecia.
Ela apenas respondia do lado de dentro da porta, sem deixá-lo entrar e sem mostrar o rosto.
— No último relatório dizia que o Conde Sellus e a esposa estavam no Asnesh Kingdom tratando de negócios. Por que voltaram de repente?
— Não faço ideia. Talvez tenha surgido algum assunto urgente.
A resposta despreocupada de Jayde fez Ethan mergulhar ainda mais nos pensamentos.
Havia algo errado.
Algo que o incomodava profundamente.
— Vou sair por um instante.
— Hã? Agora? Não está vendo que todos já chegaram? Nem pensar.
— Vai ser rápido.
Ethan deu um tapinha no ombro de Jayde, pegou o casaco e se levantou.
Foi então que o ambiente animado esfriou.
Todos voltaram os olhos para o homem que acabava de entrar pela porta.
Jayde arregalou os olhos, boquiaberto, e segurou o braço de Ethan.
— Senhor, não olhe para trás. Corra pela porta dos fundos. Seja lá o que esteja pensando, deixe para depois. Tome cuidado.
— O que deu em você agora, Jayde?
Ethan respondeu irritado, incomodado com o falatório do assistente.
Jayde balançou a cabeça, como se já fosse tarde demais.
— É melhor se preparar. Você pode acabar levando um soco.
— Do que está falando? Hoje nem há mulheres neste evento.
Ignorando as palavras absurdas do assistente, Ethan virou a cabeça.
Seu rosto endureceu no mesmo instante.
Duque Carlisle Polshared.
Ele caminhava diretamente em sua direção.
***Quebra***
— Isso ficou um pouco constrangedor.
Sentado exatamente em frente a Carlisle, Ethan exibiu seu sorriso habitual e estalou os dedos em direção ao balcão.
Um funcionário, que acompanhava atentamente a situação, trouxe imediatamente um balde de gelo e uma garrafa de uísque.
Os copos foram colocados sobre a mesa, e Ethan, segurando a garrafa, encheu o copo de Carlisle com um sorriso.
— Vamos beber. Faz tempo que você não aparece no meu clube.
Carlisle lançou um olhar para o líquido dourado que enchia o copo e perguntou friamente:
— Nós somos do tipo que brinda juntos?
— Por que não? Aos olhos de todo mundo, parecemos grandes amigos.
Ethan ergueu levemente o queixo com elegância, e Carlisle soltou um suspiro entre os lábios bem desenhados.
Ignorando a mão estendida por Ethan, pegou o copo e virou todo o conteúdo de uma só vez.
— Como sempre, você não tem nenhuma etiqueta quando se trata de beber.
Tratando Carlisle como um soldado rígido, Ethan também esvaziou o próprio copo de uma vez.
As pessoas no salão fingiam não olhar, mas roubavam discretos olhares para os dois.
Os repórteres, impedidos de fotografar a cena, escutavam atentamente qualquer conversa que pudesse render uma manchete.
Desde o instante em que Carlisle entrou, todos imaginavam que algo poderia acontecer.
Mas, quando ele se sentou diante de Ethan Inglebert, vários queixos simplesmente caíram.
Os rumores de que Marquis Inglebert finalmente tinha se apaixonado por uma única mulher já circulavam por toda Aerondo.
Mesmo que os papéis do divórcio já tivessem sido entregues, Yvonne ainda era legalmente a Duquesa Polshared.
Todos estavam curiosos para saber como o marido reagiria.
Como o Duque permanecia indiferente, muitos já tinham desistido de esperar algum escândalo.
Mas agora o Duque estava sentado diante do Marques.
Olhos curiosos brilhavam por toda parte, ansiosos por qualquer confusão.
— Está chamando atenção demais. Imagino que isso seja exatamente o tipo de coisa que você mais odeia, Duque Carlisle Polshared.
— Não era exatamente isso que você queria?
— Foi você quem veio primeiro. Mas esse pessoal está fazendo barulho demais.
Ethan fez outro sinal para o bar.
A música mudou imediatamente para uma melodia mais animada.
Como se estivessem esperando por aquele momento, dançarinas de corpos esguios ocuparam o palco cercado pelas mesas.
Depois de assumirem poses provocantes, começaram a dançar usando saias curtas e cheias de babados ao ritmo da música.
Graças à apresentação, parte da atenção que recaía sobre os dois homens acabou se dispersando.
— Os homens são realmente patéticos. Não importa o quanto estejam curiosos, basta aparecer uma mulher bonita para esquecerem de tudo.
As palavras de Ethan foram recebidas por um olhar frio de Carlisle.
— Igual a você.
— Acho que você entendeu errado. Eu sou diferente.
— Em que exatamente você é diferente? Você se esforçou bastante para se aproximar da Yvonne.
Desta vez foi Carlisle quem serviu mais uísque no próprio copo.
O copo de Ethan permaneceu vazio.
Infantil.
A recusa deliberada de Carlisle em servi-lo irritou Ethan, que soltou uma risada debochada.
Ele realmente não deveria esperar flexibilidade ou cortesia de um homem tão inflexível.
Afinal, desde jovens Carlisle sempre tinha sido assim.
— Carlisle, vir até mim foi um erro. Você acabou de revelar qual é a sua fraqueza… sua esposa.
— Você continua tão arrogante quanto sempre foi.
Enquanto zombava do sorriso estampado no rosto de Ethan, Carlisle endireitou a postura.
Mesmo aquele pequeno movimento irradiava a arrogância natural de um Duque.
— Seja lá o que você esteja tramando, infelizmente, Yvonne não sabe absolutamente nada.

