Capítulo 19

Por algum tempo, Yvonne passou seus dias passeando por diversos lugares de Aerondo ao lado de Ethan. Como resultado, a atenção da imprensa se concentrou nos dois, e os cidadãos de Aerondo se reuniam por onde quer que fossem, curiosos para saber se surgiria um novo casal.

No início, Yvonne se sentia pressionada, mas, à medida que passava mais tempo com Ethan, foi se tornando indiferente. Era algo natural. Quando estava com ele, acabava inconscientemente seguindo seu ritmo.

Eles tinham acabado de almoçar em um restaurante com vista para Parkside, na Long Avenue.

Como o tempo estava agradável, os dois passaram por um parque próximo e sentaram-se em um banco voltado para o rio. Ethan estendeu discretamente um lenço sobre o assento e ofereceu a mão.

— As damas primeiro.

— Eu sempre soube disso, mas seus modos com as mulheres são realmente impressionantes.

— Dizem que eles brilham ainda mais quando tenho a honra de acompanhar uma bela dama.

Ele realmente era um homem com habilidades sociais excepcionais. Quanto mais tempo Yvonne passava ao seu lado, mais percebia que ele era o completo oposto de Carlisle, e isso a deixava discretamente admirada.

Quando estava prestes a se sentar, viu várias mulheres entrando no parque. Seus uniformes azul-marinho chamavam a atenção de todos.

— Ei, aquelas são soldados femininas do Ministério dos Assuntos Militares de Windfog.

— Elas parecem incríveis.

O olhar de Yvonne vacilou ao notar os uniformes, influenciada pela admiração das pessoas ao redor.

Entre os países vizinhos que adotavam o alistamento voluntário, Windfog era o único que mantinha o serviço militar obrigatório, e o Ministério dos Assuntos Militares sempre exerceu enorme autoridade. Ao mesmo tempo, era conhecido por sua mentalidade aberta.

Essa abertura também se estendia às mulheres. Filhas de famílias militares podiam se alistar. Como apenas famílias nobres tinham esse privilégio, as soldados eram vistas pelo público como uma elite privilegiada.

Elas eram admiradas nos círculos sociais, e vê-las uniformizadas nas ruas despertava olhares cheios de inveja.

— O que houve, Lady Yvonne?

Ethan chamou sua atenção ao perceber que ela permanecia imóvel, observando as mulheres uniformizadas.

Às vezes, ela demonstrava reações difíceis de entender, então Ethan pousou suavemente uma mão em seu ombro.

— Ethan?

Uma das soldados, que estava prestes a passar por eles, arregalou os olhos de repente e então olhou para Yvonne ao lado dele.

— Então os rumores eram verdadeiros?

— Ah. Sonia.

Ethan sorriu levemente ao reconhecer a mulher que o chamou.

Mas a mulher cujo nome ele pronunciou estremeceu de humilhação.

De repente, ela avançou e lhe deu um tapa no rosto.

Smack!

O som ecoou pelo parque.

Sua mão atingiu a face dele num instante.

Os transeuntes prenderam a respiração em choque.

Os lábios de Yvonne se abriram de surpresa.

Por mais influente que fosse a família daquela soldado, quem ousaria agredir o Marquês Inglebert?

Na atmosfera congelada, a mulher gritou:

— Sonia? Que tipo de homem você é para chamar o nome de outra pessoa desse jeito? Meu nome é Sally!

— Ah… Sally. Meu erro.

Ainda mais surpreendente foi a tranquilidade de Ethan.

Como se nada tivesse acontecido, ele tocou a própria bochecha com o indicador e inclinou a cabeça.

— Mas não me lembro de ter feito algo que justificasse levar um tapa seu.

— O… o quê?

A mulher o encarou incrédula antes de perguntar de maneira significativa:

— A informação que eu lhe dei. Você se aproximou de mim por causa dela desde o começo, não foi?

— Ah, sim.

Inacreditavelmente, Ethan admitiu com facilidade.

A mulher ficou tão chocada com a resposta imediata que ficou de boca aberta.

— Você realmente…

Incapaz de conter a raiva, ela ergueu a mão novamente para acertar sua bochecha mais uma vez.

Desta vez, porém, Ethan segurou seu pulso.

Ela tentou se soltar, cerrando os dentes, mas não conseguiu.

Enquanto a observava friamente, Ethan falou com Yvonne:

— Desculpe, Lady Yvonne. Poderia se afastar por um momento? Não quero assustá-la…

— Ethan!

Mesmo lidando com a mulher, Ethan continuava atento a Yvonne, revelando um lado frio que raramente mostrava.

A mulher gritou.

Ethan estreitou os olhos e a encarou com desprezo antes de soltar seu pulso.

— Eu não esperava tanta falta de educação. Você é bastante problemática.

Seu rosto, que continuava sorrindo mesmo após o tapa, agora estava completamente inexpressivo.

E parecia assustadoramente frio.

A mulher hesitou.

— Eu realmente fiz algo que merecia um tapa seu, Sally. Mas não dois.

Só então ela percebeu que Ethan havia permitido deliberadamente que o acertasse uma vez.

Seu rosto ficou vermelho de humilhação, e ela mordeu os lábios, prestes a avançar novamente.

Mas as companheiras a seguraram.

— Sally, as pessoas estão olhando. Pare com isso.

— Mas, Tenente, esse homem…

— Eu entendo, mas resolva isso em outro lugar. Não aqui.

Sem conseguir contrariar a superior, Sally afrouxou os punhos ao perceber toda a atenção voltada para ela.

Se causasse um escândalo vestindo o uniforme, poderia ser punida por prejudicar a reputação do exército.

Mesmo assim, ela não parecia disposta a recuar.

Lançou um olhar para Ethan como se quisesse matá-lo.

— Ethan, se continuar desprezando as pessoas desse jeito, um dia vai pagar por isso. Eu garanto.

Depois de lançar sua maldição, voltou-se para Yvonne, que permanecia sozinha.

— Você deveria tomar cuidado com esse homem. Não importa o quão doces sejam suas palavras, tudo não passa de truques para enganar mulheres.

Ela deixou aquele aviso para Yvonne e partiu, levada pelas companheiras.

Quando a situação terminou, os transeuntes que observavam discretamente se dispersaram rapidamente, fingindo estar ocupados.

Yvonne observou Ethan ajustando o chapéu ligeiramente desalinhado e perguntou com cautela:

— Você está bem? Precisa consultar um médico?

— Ha…

Ethan soltou um leve suspiro, surpreso ao ouvir justamente a pergunta que costumava fazer aos outros.

— Mostrei algo desagradável para você, Lady Yvonne. Ficou assustada?

Ele perguntou preocupado que a cena pudesse tê-la perturbado.

Mas Yvonne parecia estranhamente calma.

Ela não demonstrava nenhuma reação especial, como se não fosse a primeira vez que visse alguém levar um tapa.

Ethan sentiu-se intrigado.

E um pouco decepcionado.

— Por que não está perguntando por que eu apanhei?

— Posso perguntar?

Ao encontrar aqueles olhos azuis cautelosos, Ethan sentiu um estranho vazio.

Estava acostumado a mulheres fascinadas por sua aparência, mas mesmo depois de vê-lo envolvido com outra mulher, o olhar límpido de Yvonne não demonstrava curiosidade alguma.

— Você realmente não se interessa por mim.

Yvonne ficou confusa ao ver a expressão decepcionada de Ethan.

Ela apenas tinha evitado tocar no assunto por consideração, imaginando que ele pudesse se sentir constrangido por ter sido atingido diante de tantas pessoas.

— Não é que eu não me interesse. Acho que já sei o motivo. Você é um homem ruim. Provavelmente foi por isso.

— Você julga bem as pessoas.

— Não sou tão ruim nisso.

— Então por que se casou com um homem daqueles?

Um silêncio estranho caiu entre eles.

Yvonne pareceu ter levado um golpe.

Ethan soltou um sorriso amargo.

Sentia-se um tanto patético por querer vencer todas as discussões, mas não desgostava de vê-la sem jeito.

De repente, um pano branco foi pressionado contra sua bochecha.

Um lenço impecavelmente branco.

— Você deveria limpar isso. E se inchar?

Ele o recebeu, perguntando-se quando ela o tinha tirado, e então viu Yvonne retirar uma pequena pomada da bolsa.

— Provavelmente não vai ficar roxo, mas é melhor passar alguma coisa.

— Você também carrega remédios?

Ethan elogiou sua preparação, olhou para a pomada e puxou Yvonne para se sentar ao seu lado.

Então inclinou o rosto em sua direção.

— Já que está oferecendo, poderia passar para mim?

— …Aqui?

Yvonne lançou um olhar ao redor.

Já era depois do almoço, então a maioria das pessoas havia retornado ao trabalho.

Havia menos movimento, mas o lugar não estava vazio.

— Pode passar.

O homem loiro ofereceu a bochecha, com os olhos curvados de forma encantadora.

Era um sorriso capaz de fazer qualquer mulher se apaixonar à primeira vista.

Mas Yvonne, depois de vê-lo agir deliberadamente daquela maneira por vários dias, finalmente o encarou de frente.

Ela colocou um pouco da pomada na ponta do dedo mínimo e a espalhou suavemente sobre sua bochecha.

Ethan se inclinou um pouco mais.

Um perfume floral suave chegou até seu nariz.

Sentindo o toque delicado dela, Ethan mergulhou o olhar em seus olhos azuis, mais claros do que o próprio rio.

Aqueles olhos lembravam alguém que ele conhecia.

Calmos, mas brilhantes.

Percebendo aquele olhar persistente, Yvonne ergueu os olhos para ele.

— Não olhe para mim desse jeito.

— E como estou olhando para você?

— Com olhos que seduzem mulheres.

— Lady Yvonne, não vai acabar se deixando seduzir também?

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