Capítulo 13
— Mas, Preceptora, ninguém entende quando eu digo que o monstro do meu sonho é realmente assustador.
Leblanc estava reclamando que, ultimamente, vinha tendo pesadelos com um monstro assustador. Ela ergueu o dedo indicador acima da cabeça e tentou fazer a expressão mais aterrorizante possível.
— Ele tem chifres compridos na cabeça e bigodes embaixo do nariz, igual aos de um gato.
Com movimentos já habituados, Yvonne pegou um pincel fino, mergulhou-o na tinta da paleta e começou a desenhar sobre uma tela branca. Seguindo a descrição de Leblanc, seus traços suaves formaram um contorno, e os olhos da princesa se arregalaram ao espiar o desenho.
— Hum. Ele parece com isso?
— Tem chifres na cabeça. E asas enormes nas costas, desse tamanho.
— Então talvez seja assim?
Com apenas algumas pinceladas, a forma começou a ganhar contornos, e os olhos da princesa se abriram ainda mais.
— Preceptora, você olhou dentro da minha cabeça?
— Claro que não. Princesa, você explicou muito bem.
Enquanto adicionava cores ao contorno quase concluído, a pintura rapidamente passou a corresponder à descrição da princesa. Leblanc abriu um grande sorriso e disse que mostraria o desenho para Lady Catherine, que nunca acreditava em suas histórias.
— Vamos começar a aula agora?
— Sim.
Lembrando-se de retomar a lição, Leblanc assentiu com entusiasmo e voltou para seu lugar.
A aula prosseguiu como de costume, em uma atmosfera agradável.
A princesa ainda era jovem e, felizmente, não sabia dos rumores que circulavam por toda parte. Era fácil imaginar o que os funcionários do palácio tinham sussurrado enquanto Yvonne caminhava até aquela sala.
Provavelmente os boatos sobre ela que vinham circulando nas últimas semanas.
Nesse momento, uma criada entrou silenciosamente e anunciou uma visitante. Quando Yvonne viu quem atravessou a porta aberta, ficou surpresa e se levantou apressadamente.
— Mãe!
Leblanc, que estava concentrada em uma natureza-morta de maçãs, saltou da cadeira e correu em direção à Rainha Louise.
No instante em que estava prestes a se jogar nos braços da mãe, a rainha deu um pequeno passo para trás.
— Leblanc, ninguém lhe ensinou que membros da família real não devem abraçar as pessoas com tanta liberdade?
— Ah… sim, mamãe.
Ao ouvir a observação fria da rainha, o rosto de Leblanc murchou.
— Saudações, Sua Majestade, Rainha Louise de Windfog.
Yvonne fez uma reverência impecável.
Depois de desmaiar quatro anos atrás, a Rainha Louise ficou conhecida por sua saúde debilitada e por permanecer reclusa em seu próprio palácio. Ela nunca havia assistido às aulas da princesa, por isso sua visita repentina parecia estranha.
— Sente-se.
A rainha tomou lugar em um sofá e fez um gesto para que Lady Catherine levasse Leblanc para fora por alguns instantes.
Quando a princesa foi conduzida para fora pela dama de companhia-chefe, um silêncio peculiar tomou conta da sala.
A aparência da rainha, magra a ponto de parecer frágil, estava ainda mais severa do que antes. Assim que Yvonne se sentou silenciosamente diante dela, Louise falou.
— Você está se divorciando do Duque Polshared.
— ……!
Yvonne não conseguiu esconder a surpresa diante daquele assunto inesperado.
A Rainha Louise, que outrora fora a Primeira Princesa do Reino Benoit, havia desmaiado ao receber a notícia de que toda a família real perdera a vida durante a guerra civil, quatro anos antes.
Seus pais, que haviam abdicado do trono, e até mesmo seu irmão mais novo, que os sucedera, foram executados na guilhotina. O choque a deixou gravemente doente, incapaz de sair da cama durante quatro anos, e o rei convocou os melhores médicos para tratá-la, fato amplamente conhecido por todos.
Quando Yvonne começou a ensinar a princesa, só havia conseguido cumprimentar a rainha enquanto ela permanecia deitada. Agora, vendo-a aparentemente recuperada e fazendo perguntas, respondeu educadamente.
— Sim. Eu já entreguei os documentos do divórcio, então tudo será resolvido em breve. Já não sou mais uma duquesa, por isso acredito que será difícil continuar ensinando a princesa…
— E o que isso importa? Para ser sincera, isso me parece um alívio.
A Rainha Louise interrompeu Yvonne sem qualquer emoção.
— Você tomou a decisão certa. Ninguém deveria dividir a cama com um demônio como ele.
— ……
A hostilidade explícita da rainha fez Yvonne engolir em seco.
Ela sabia que o exército revolucionário havia usado armas da Rein Kleint durante a guerra civil de Benoit.
Será que a rainha ainda guardava ressentimento contra Carlisle por causa disso?
Em vez de responder, Yvonne aguardou calmamente as próximas palavras.
A rainha ergueu levemente o olhar.
— Continue cuidando da educação de Leblanc. Quero que nos encontremos com frequência de agora em diante.
Sem sequer lançar um olhar para a pintura da própria filha, a rainha se levantou e deixou a sala.
Yvonne, que havia planejado encerrar suas aulas com a princesa naquele mesmo dia, sentiu-se confusa por um motivo completamente diferente.
***QUEBRA***
Depois daquela inesperada conversa a sós com a rainha, Yvonne deixou o palácio da princesa e seguiu em direção ao ponto das carruagens.
Ao longe, viu um elegante automóvel seguindo em direção ao palácio principal.
Será o rei?
Foi o que pensou.
Mas o carro mudou repentinamente de direção e veio em sua direção.
Os olhos de Yvonne vacilaram ligeiramente quando o veículo parou suavemente diante dela.
Henry desceu do banco do passageiro e fez uma reverência.
— Saudações, Senhora. Por favor, entre.
— Não acredito ter qualquer motivo para entrar. E, Sir Schubelia, como em breve deixarei de fazer parte da família, “Senhora” não é mais um tratamento apropriado.
Quando Yvonne deixou claro que já não fazia parte da família Polshared, a expressão de Henry endureceu, fria como a do próprio Carlisle.
Nesse momento, a porta traseira se abriu.
Um homem alto desceu do veículo.
O olhar de Yvonne naturalmente se ergueu e encontrou o rosto frio de Carlisle.
Vestindo um fraque cinza-escuro, ele fez um gesto em direção ao interior do carro.
— Entre. Eu a levo.
— …Eu vim de carruagem.
— Entre enquanto ainda estou sendo educado. A menos que queira causar uma cena.
Diante daquele tom autoritário, Yvonne tentou simplesmente passar por ele.
Carlisle deu um passo à frente com suas longas pernas, encurtando a distância entre eles, e segurou seu pulso.
Ao encarar de perto aquele olhar feroz, Yvonne congelou.
— É melhor entrar. Não quero fazer escândalo aqui.
***QUEBRA***
Sem conseguir resistir à pressão exercida por Carlisle, Yvonne entrou no carro e ficou observando a paisagem pela janela enquanto deixavam o palácio para trás.
O assento era macio e a viagem confortável, mas seu coração estava inquieto.
Pensando bem, aquela era a primeira vez que andava no carro dele.
Nos eventos oficiais, sempre saíam separados. E, quando ele estava ocupado com trabalho, costumava deixá-la sozinha nos bailes.
Por isso, apesar de ter sido sua esposa durante três anos, ela nunca havia entrado em seu automóvel.
O fato de Carlisle vir buscá-la pela primeira vez justamente depois do divórcio tinha um gosto amargo.
— Finalmente consigo andar no seu carro… depois de nos divorciarmos.
Carlisle respondeu ao comentário sarcástico dela lançando outro assunto.
— Interessante. Desta vez está até refrescante. Você tornou nosso divórcio público apenas para fisgar outro homem, não foi?
— O que quer dizer com isso?
— Eu deveria perguntar isso a você. O que está tentando fazer?
Os olhos cinzentos dele ardiam enquanto se voltava para Yvonne.
— Não faço ideia do que está falando.
— Quero ouvir por que escolheu aquele homem.
Só então Yvonne compreendeu a intenção por trás da pergunta.
Enquanto a paisagem passava rapidamente pela janela, seu olhar ficou distante, como se observasse um antigo amante.
Ela havia esperado que, mesmo sem amor apaixonado, seus sentimentos fossem reconhecidos depois do casamento.
Neste mundo sombrio, constantemente ameaçado pela guerra, ela queria segurar a mão dele e ser sua força.
Mas o homem que havia provado que todos aqueles desejos eram inúteis estava refletido no vidro da janela, e todo o calor desapareceu dos olhos de Yvonne.
— Preciso da permissão de um ex-marido para me encontrar com alguém depois da separação?
Sua cabeça, voltada para a janela, foi forçada a se virar.
Carlisle segurou seu queixo e torceu os lábios.
— Se acha que está sendo esperta, está enganada. Pensou que eu não descobriria o que está tramando com aquele bastardo?
Os avisos de Carlisle não tinham mudado.
Seu olhar frio, que jamais se importava com ela.
Sua atitude arrogante, que não procurava entender suas razões, apenas exigir obediência.
— Você odeia todo homem de quem eu me aproximo?
— Se está tentando arruinar meu trabalho novamente, como fez há seis meses, está enganada.
— Já terminou de dizer tudo o que queria?
As sobrancelhas espessas dele se contraíram.
Desde aquele incidente, eles viviam quase como estranhos, mas Yvonne jamais havia sido tão indiferente.
— Por quanto tempo ainda vou ter que suportar você?
— Eu gostaria de perguntar se você alguma vez realmente olhou para mim.
— Isso deveria ser uma resposta?
Apesar de todos os problemas que ela havia causado durante o casamento, dos escândalos e dos prejuízos que provocara aos seus negócios, ele ainda a mantivera ao seu lado.
Para Carlisle, não era difícil imaginar o que Yvonne estava pensando.
Ela sempre fazia o que queria.
Sempre agia por impulso.
— Yvonne, acho que você está enganada. Ainda somos casados legalmente.

