Capítulo 12
— Ah, aquele incidente.
Ethan imediatamente se lembrou do ocorrido e acendeu o cigarro que estava na boca.
Ele se lembrava de ter rido ao ler a matéria, pensando que todo tipo de coisa acontecia neste mundo. Do ponto de vista dele, tinha sido um acordo que deixou um gosto amargo, mas graças às trapalhadas da Duquesa embriagada que arruinaram o contrato, naquela noite ele brindou ao nome dela naquele mesmo clube.
Provavelmente chegou até a erguer um brinde em homenagem a ela.
O Reino de Dugol, que estava longe de ser aliado de Windfog, havia proposto um acordo junto de sua própria empresa de armamentos, cuja participação no mercado rivalizava com a da Rein Kleint, e a mídia fez um enorme alarde sobre aquilo na época.
Muitos exageraram, dizendo que seria a pedra fundamental para encerrar séculos de hostilidade e estabelecer uma amizade duradoura, mas, no fim, a Rein Kleint teve de pagar uma compensação gigantesca.
Pensando bem, foi naquela época que a reputação dela começou a piorar de repente.
Mesmo após o casamento, ela era uma figura bastante destacada na sociedade, mas aos poucos desapareceu dos eventos sociais e, desde cerca de um ano atrás, seu comportamento reservado passou a dar origem a rumores estranhos.
— Mas ela sempre foi tão problemática a ponto de gerar fofocas tão ruins?
— No começo não, mas os rumores começaram à medida que o relacionamento dela com o marido piorava. A fama da extravagância da Duquesa é lendária.
— Extravagância?
— Sempre que a Duquesa aparecia em Sandiewood, ela comprava todas as joias e vestidos das lojas.
Foi nessa época que começou a circular discretamente o rumor de que o nobre Lírio do Condado de Sellus havia se tornado uma esposa viciada em luxo.
Ethan se lembrou da imagem recente que tinha dela.
Ela parecia muito mais econômica e organizada do que extravagante.
Também havia histórias de que ela agia com arrogância em festas e frequentemente se envolvia em discussões, prejudicando a própria reputação sem a menor hesitação.
Nada daquilo combinava com a mulher que ele tinha conhecido.
— O Conde administra uma companhia comercial, mas, apesar das aparências, os negócios estão em péssimo estado. Eles evitaram a falência várias vezes apenas equilibrando investimentos recebidos em nome do Duque Polshared.
Quanto mais ouvia, mais impossível parecia que Yvonne tivesse sido a primeira a pedir o divórcio.
— Mas eles criaram a filha como uma verdadeira joia desde pequena. Em vez de enviá-la para uma academia, contrataram tutores particulares.
— Ah, do tipo tradicional.
Ethan assentiu enquanto soltava a fumaça do cigarro, e o gerente continuou animadamente:
— Mesmo depois de se casar, ela visitava a família com frequência. Às vezes ficava uma semana inteira. Outras vezes, até um mês.
— Hah… Ela não parecia uma dama tão mimada assim.
Na verdade, parecia justamente o contrário.
Independentemente do que tivesse vivido, o olhar dela não era o de alguém que enxergava apenas beleza no mundo. Parecia mais o olhar de alguém que já havia passado por todo tipo de sofrimento e acabado desiludida com a vida.
— Para onde ela costuma ir?
— Valley Lane.
Valley Lane era um distrito localizado nos arredores de Aerondo, vizinho às favelas de Operen e conhecido por sua péssima reputação.
Era um foco de criminalidade, onde mercados ilegais, casas de apostas e bordéis funcionavam secretamente.
Incidentes violentos aconteciam com frequência, tornando o lugar extremamente perigoso para mulheres da nobreza.
— Ela costuma ir até lá sozinha. Os rumores sobre a Duquesa se encontrando com jovens começaram justamente lá.
— Valley Lane, é?
Com um gesto indicando que já tinha ouvido o suficiente, o gerente se retirou em silêncio.
Os olhos castanho-avelã de Ethan refletiram uma curiosidade peculiar enquanto repetia mentalmente aquela informação.
Valley Lane era exatamente o lugar onde ele encontrou Yvonne caída sob a chuva.
Durante dias, as notícias sobre o divórcio entre o Duque Polshared e sua esposa incendiaram Aerondo.
Embora nenhuma das partes tivesse feito um pronunciamento oficial, a mídia especulava sobre a mudança repentina de atitude da Duquesa após ela alegar que sofreu um aborto espontâneo causado pela violência do marido e usar isso como motivo para o divórcio.
Quando o casamento deles foi anunciado pela primeira vez, todo o reino ficou agitado.
Por isso, o divórcio despertou um interesse igualmente fervoroso.
A imprensa, que acompanhou de perto os três anos de casamento do casal, agitou uma sociedade que andava apática devido às guerras civis e aos conflitos nos países vizinhos.
Especialmente os jornais de fofoca, obcecados por vendas, publicavam histórias não confirmadas como se fossem exclusivas.
【Cobertura Especial.
A causa do divórcio do casal ducal. Os rumores de desavença teriam começado devido ao ciúme da Duquesa em relação à Lady Vivian Alois, colega do Duque Polshared na academia militar. Além disso, as frequentes visitas da Duquesa a Valley Lane e as suspeitas de encontros secretos com diversos homens teriam levado à exigência do divórcio…】
【Há seis meses, revoltado com as ações da Duquesa, que cancelou um acordo avaliado em quase sete trilhões de francos entre a Rein Kleint e o Reino, o Duque teria sido o primeiro a exigir o divórcio…】
Artigos sem fundamento circulavam diariamente.
Recentemente, chegaram até a especular que a enxurrada de pedidos de casamento recebidos por ela tinha como objetivo obter informações confidenciais da Rein Kleint.
Mesmo enquanto todos afirmavam que já havia sinais de desastre no relacionamento do casal há muito tempo, ambos permaneciam em silêncio.
E Yvonne continuava vivendo sua rotina habitual.
A carruagem parou no posto do portão principal do palácio.
Os guardas, que observavam a carruagem sem brasão familiar, imediatamente se curvaram ao reconhecer o rosto de Yvonne através da janela.
— Perdoe-nos por não tê-la reconhecido, Duquesa Polshared.
— Sou Yvonne Sellus.
Quando ela corrigiu seu título, os guardas trocaram olhares constrangidos.
Já fazia dois anos que a Duquesa visitava o palácio, mas sua entrada sempre havia sido permitida por seu status de Duquesa.
Se os rumores sobre o divórcio em andamento fossem verdadeiros, não seria mais apropriado deixá-la entrar sem inspeção.
O guarda olhou para o superior em busca de instruções e, após receber um sinal, permitiu a passagem.
— Tenha um ótimo dia.
Depois que os guardas recuaram e cumprimentaram a dama, a carruagem voltou a se mover.
Ela virou bruscamente em direção ao lago ao sul, em vez de seguir para a residência do rei, o Palácio Hardingham, localizado ao final da longa avenida.
Após passar por um extenso canteiro de rosas florescendo, a carruagem parou diante de um pequeno palácio de pedra branca.
— Preceptora!
Assim que Yvonne desceu da carruagem, uma voz cristalina ecoou.
Uma menina, segurando a saia com as duas mãos, correu para fora pela porta principal e se lançou nos braços de Yvonne.
Os olhos de Yvonne se suavizaram ao olhar para a jovem princesa abraçando sua cintura.
— Princesa Leblanc, eu já disse que fico preocupada quando corre desse jeito, lembra?
— A senhora vai me segurar, não vai, Preceptora?
Yvonne sorriu gentilmente ao encontrar os olhos da princesa de sete anos.
Já fazia mais de dois anos desde que Owen, o Príncipe Herdeiro, pediu a Yvonne que ajudasse a jovem princesa com aulas de pintura uma vez por semana, depois de ver uma de suas pinturas de paisagem.
No passado, ela recusou, alegando não ter habilidade suficiente para ensinar alguém da realeza, mas agora simplesmente gostava de passar tempo com a adorável princesa que a idolatrava.
— Esperei a senhora o dia inteiro. Foi difícil.
Ainda nos braços de Yvonne, a criança colocou o rosto para fora, enquanto suas tranças douradas balançavam.
A dama de companhia-chefe veio logo atrás e limpou a garganta.
Assustada, Leblanc imediatamente endireitou as costas, dobrou levemente os joelhos e abriu a saia em uma reverência impecável.
— Leblanc de Windfog. Saudações.
Diante da saudação formal da princesa, Yvonne respondeu com uma reverência igualmente perfeita.
Embora os tempos tivessem mudado, a natureza rigorosa da Rainha fazia com que a educação da princesa fosse conduzida com extrema formalidade, e a dama de companhia-chefe insistia em manter a etiqueta mesmo entre pessoas próximas.
Quando a expressão da dama de companhia-chefe finalmente suavizou, Leblanc puxou Yvonne para dentro.
As duas seguiram para a ampla galeria onde as aulas eram realizadas.
Sentadas diante de dois cavaletes posicionados um de frente para o outro, Leblanc ergueu a voz para as criadas que aguardavam ao redor.
— Todas vocês, saiam agora.
Obedecendo à ordem da princesa, as criadas se curvaram e deixaram a sala.
Nem mesmo Lady Catherine, a dama de companhia-chefe, podia desobedecer, então fechou a porta silenciosamente ao sair.
Leblanc soltou um longo suspiro de alívio.
Yvonne não conseguiu conter o sorriso diante daquela princesa tão adorável.
— Por que esse suspiro, Princesa?
— Se a senhora não tivesse vindo, eu teria ficado exausta. As broncas da Lady Catherine fazem minha cabeça doer.
— É porque ela se preocupa com você.
— Tch, mas ela sempre parece tão assustadora.
Leblanc inflou as bochechas rosadas e imitou as sobrancelhas arqueadas de Lady Catherine, parecendo um esquilo escondendo uma bolota.
Compreendendo aquelas reclamações infantis, Yvonne acariciou suavemente a cabeça da princesa.
A princesa, vinte anos mais nova que o Príncipe Herdeiro Owen, era a filha que o rei e a rainha tiveram já em idade avançada.
Apesar da atmosfera rígida da família real, ela cresceu alegre e adorável.
Com sua bela aparência e sorriso constante, não se parecia em nada com a Rainha Louise, que estava sempre sem expressão.
Era sociável, alegre e especialmente afeiçoada a Yvonne, compartilhando todas as histórias de seu dia sempre que as duas se encontravam.

