Capítulo 11
Duas semanas atrás, como de costume, Ethan estava aproveitando uma partida de cartas no clube até o amanhecer e tinha bebido mais do que o habitual.
À medida que a chuva ficava mais forte, ele atravessou um beco em direção ao carro que o aguardava na saída dos fundos, em vez da entrada principal. Foi então que viu uma mulher agachada em um canto, encharcada pela chuva gelada.
Pensou que fosse uma mendiga ou uma mulher vendendo o próprio corpo em troca de um abrigo para passar a noite e estava prestes a seguir caminho, mas ouviu um fraco gemido atravessando o som da chuva.
De forma incomum, voltou atrás e viu a mulher tremendo sob a chuva fria, segurando o próprio ventre enquanto gemia de dor.
— Ah… por favor… me ajude.
Ethan, que normalmente jamais se importava com os outros, virou-se porque aquele pedido delicado que alcançou seus ouvidos através da chuva parecia desesperadamente doloroso. E também porque o tom dela parecia estranhamente deslocado para uma mulher de um beco.
Por fim, aproximou-se e reconheceu imediatamente aquele rosto pálido e encharcado.
Yvonne Polshared.
Era, sem dúvida, a Duquesa Polshared, esposa de Carlisle.
Com sua aparência delicada, semelhante a um lírio, e sua beleza misteriosa, ela rapidamente se tornou a debutante mais disputada da sociedade, mesmo tendo estreado tarde. No ano seguinte, tornou-se esposa do Duque Polshared.
Ele também se lembrava de tê-la visto algumas vezes em festas após o casamento tão comentado.
A mulher, de corpo magro e frágil, chorava silenciosamente. Ela tinha sido criada tão protegida, sem conhecer nada da sujeira do mundo, então por que estava caída em um beco imundo?
Só esse fato já o surpreendeu e, quando se ajoelhou para examiná-la, percebeu que sua condição era alarmante.
Ele afastou delicadamente os fios platinados que estavam grudados em sua bochecha molhada, revelando um rosto pálido, com as sobrancelhas franzidas e os lábios mordidos pela dor.
— Onde dói?
— Minha barriga… dói tanto que não consigo me mover.
— Vou chamar alguém. Você precisa ir imediatamente para o Hospital Real.
Ele olhou em direção ao prédio para pedir ajuda, mas sentiu um puxão na barra da calça.
Ao abaixar os olhos, viu Yvonne balançar a cabeça.
— Não… não para o Hospital Real. Em qualquer outro lugar… Só preciso de um lugar para descansar um pouco.
— O que está dizendo? Eu deveria avisar imediatamente a família Polshared…
— Por favor, não os contate. Não deixe aquele homem saber…
Ela recusava obstinadamente qualquer contato com a residência ducal e, enquanto Ethan estalava a língua, o corpo dela tombou para o lado.
Ele conseguiu segurá-la a tempo, mas naquele instante um cheiro metálico forte atingiu suas narinas.
Sob a saia encharcada, sangue vermelho se espalhava pela chuva.
A chuva violenta castigava incessantemente a janela.
Ethan estava recostado em uma cama pequena, porém confortável, observando a mulher cuja respiração era fraca.
Ele a havia levado para a casa de um médico que conhecia pessoalmente.
O médico, aposentado devido a certas circunstâncias, mas de habilidade incontestável, era alguém a quem Ethan recorria apenas quando precisava manter algo em segredo.
Yvonne tinha recusado tanto o Hospital Real quanto qualquer contato com a residência ducal, então Ethan imaginou que ela estivesse escondendo algum problema. Principalmente considerando seus ferimentos, percebeu instintivamente que ela queria manter tudo em segredo.
O que estava acontecendo?
Ele apenas tinha estendido a mão para ajudar, mas agora o local estava comprometido. Enquanto pensava em como impedir que ela falasse demais quando acordasse, saiu para fumar.
Observando a chuva cair, soltou uma longa nuvem de fumaça.
Já que as coisas tinham chegado a esse ponto, começou a se perguntar o que poderia exigir de Carlisle em troca.
Foi então que o médico terminou o tratamento e saiu do quarto.
— Ela está viva?
— Sim. Mas a criança não pôde ser salva.
Ethan, que estava prestes a dar outra tragada no cigarro, parou.
— Ela estava grávida?
— Sim. Parece que sofreu um aborto espontâneo repentino.
Então era aquilo.
Ao perceber que ela não havia sido atacada, mas tinha perdido o bebê, a expressão de Ethan se tornou sombria.
Por que ela sofreu um aborto espontâneo na rua?
Sentiu uma pontada de pena, mas logo seus lábios retos se torceram.
— Isso não pode ser compensado apenas com uma dívida comum.
Mesmo diante de uma notícia tão triste, Ethan demonstrou pouca emoção enquanto tragava profundamente o cigarro.
— Uma duquesa sofrendo um aborto espontâneo na rua, no meio da noite… Será que foi atacada?
— Eu também suspeitei disso, mas não foi uma agressão. Os hematomas sugerem que ela caiu em algum lugar. Ou pode ter sido um aborto espontâneo natural.
— Vou entrar. Ela já deve ter acordado.
Ele jogou o cigarro no chão e o esmagou sob o sapato, quando o médico disse algo inesperado.
— A propósito, parece que a Madame não sabia que estava grávida.
— Ah. Então ela deve estar devastada.
Quão distraída alguém precisava ser para nem perceber que estava grávida e ainda vagar por lugares perigosos?
Quanto mais ouvia, mais absurdo parecia.
Mas não era problema dele.
Naquele momento, pensou apenas que o comportamento imprudente dela, sem compreender os perigos do mundo, tinha levado ao aborto espontâneo, e descartou aquilo como tolice.
Ele só queria saber por que ela estava naquele lugar.
Ao abrir a porta e entrar, percebeu que a chuva havia diminuído e que o quarto estava estranhamente silencioso.
Yvonne já estava sentada na cama.
Ele estava prestes a se aproximar quando seus passos pararam.
— Hnn…
Ela segurava o ventre enquanto chorava amargamente.
A pequena luminária mal iluminava a beirada da cama, mas ele conseguia ver claramente as lágrimas caindo sobre o cobertor.
Sua aparência dolorosa drenou instantaneamente toda a sua energia.
Não.
Fez seu coração doer.
Ele tinha visto mulheres chorarem incontáveis vezes durante a vida.
As mulheres com quem se envolvia casualmente e depois se separava sempre acabavam chorando quando chegava a hora do adeus.
Portanto, ver uma mulher chorando não deveria significar nada para ele.
Mas aquelas lágrimas faziam até mesmo seu coração indiferente doer.
— Me desculpe… bebê… eu não sabia…
Ela continuava pedindo desculpas para alguém que já não existia mais.
Ele se lembrou de como tinha zombado quando o médico disse que ela não sabia da gravidez.
Ver aquela mulher chorando pelo filho perdido trouxe de volta a lembrança de sua mãe fria.
Uma mulher que sorriu ao dizer que era um alívio ter sofrido um aborto espontâneo.
O sorriso cruel de sua mãe, dizendo que estava feliz por não precisar sentir o horror de dar à luz novamente, foi o único sorriso que ela já lhe mostrou.
Mas a mulher diante dele era completamente diferente.
Ela chorava sem parar.
— Me desculpe… eu não sabia.
Ao vê-la se culpar por não saber que estava grávida, os fragmentos desagradáveis de suas memórias começaram a desaparecer.
No fim, Ethan apenas fechou a porta e saiu.
Mesmo depois disso, ela continuou chorando de forma tão triste e dolorosa.
As pessoas sempre culpam os outros.
Seja por culpa própria ou por consequência de suas próprias escolhas, culpar os outros é fácil.
Ele mesmo fazia isso.
E também inúmeras pessoas que conheceu ao longo da vida.
Por isso, a reação dela lhe pareceu diferente.
Não é minha culpa! Se seu pai tivesse me deixado ir, aquele homem não teria morrido!
Como sua mãe, que dizia coisas assim.
Olhe para mim. Virei motivo de piada por causa da sua mãe.
Como seu pai, que culpava os outros e afundava impotentemente no alcoolismo.
Mas Yvonne era diferente.
Foi minha culpa. Eu não sabia.
Foi porque eu não sabia que você foi embora, bebê.
Quem percebe imediatamente a primeira gravidez?
Mesmo sabendo que sete semanas era um período difícil para uma mulher notar, ela culpava a si mesma, não as pessoas que tinham provocado seu aborto espontâneo.
Ele sequer conseguiu oferecer o consolo habitual de que aquilo não era culpa dela.
Ele não se importava por ela ter perdido o filho daquele homem.
Mas sentia pena dela por ter perdido o próprio filho.
Aquele improvável gesto de bondade naquela noite marcou o início de sua ligação com uma mulher com quem nunca teve motivo para cruzar caminhos.
No dia seguinte, apesar da recomendação do médico para permanecer em repouso, ela insistiu que tinha algo a fazer e foi embora.
Naquela mesma noite, retornou carregando uma pequena mala e acompanhada de uma criada.
Ele só descobriu que aquilo aconteceu após ela entregar os papéis do divórcio e deixar a residência ducal quando leu o jornal naquela tarde.
Durante uma semana, ela se recuperou não em um hospital, mas na casa do médico que ele havia apresentado.
Sob a luz do dia, era tão bonita quanto diziam os rumores.
Seus membros eram finos e delicados e, sentada durante os exames médicos, parecia um cervo.
Seus grandes olhos, de um azul incomum, eram tão límpidos quanto gotas de orvalho sobre uma flor.
Parecia ter superado aquilo, mas por um tempo alternava entre ficar distraída e cair em lágrimas.
Então, depois que a notícia sobre seu aborto espontâneo causado pela violência do marido abalou Aerondo durante uma semana, ela se mudou calmamente para Lisian House.
Foi nessa época que Ethan teve uma ideia brilhante para usá-la.
Esperava que ela agisse como desejava, mas jamais imaginou que ela realmente faria aquele pedido.
Enquanto isso, o carro entrou na Luna Street, repleta de clubes e hotéis, e parou na larga avenida.
Ao entrar no escritório localizado no último andar do clube, Ethan sentou-se, cruzou as pernas e girou a cadeira.
Pouco depois, o gerente do clube entrou e se curvou.
— O relacionamento entre o Duque Polshared e a esposa era realmente tão ruim assim?
— Havia rumores de que tudo desmoronou completamente há seis meses. Eles nunca foram exatamente um casal apaixonado, mas depois daquele incidente passaram a ser piores do que estranhos.
— Que incidente?
— Não se lembra? Quando Lady Polshared arruinou o acordo com o Departamento Militar do Reino de Dugol. Ela invadiu a sala da reunião bêbada e causou um escândalo.

