Capítulo 3

A notícia que não chegava, mesmo após enviar pessoas para procurá-la, finalmente veio depois de uma semana.

Quando Carlisle pousou o copo e se levantou, Owen ergueu os olhos, confuso.

— Aonde você vai? Não me diga que pretende voltar ao trabalho numa situação dessas.

— Aonde mais eu iria? Já que foi um pedido pessoal seu, vou resolver isso, Sua Alteza, o Príncipe Herdeiro.

Carlisle soltou uma breve risada, ajeitou o paletó levemente desalinhado e saiu da sala de visitas com passos firmes.

Quebra de página

As townhouses construídas ao longo da Cadney Road desfrutavam de uma vista ampla para o Rio Luthers a partir da colina, algo apropriado para uma região repleta de residências secundárias pertencentes à alta nobreza.

Entre todas elas, a Lisian House possuía a paisagem mais bela da área.

Seu nome vinha da abundância de flores lisianthus que floresciam nos jardins da frente e dos fundos da mansão branca.

A luz do sol repousava sobre os caules coloridos das flores, que balançavam suavemente sob a brisa da primavera.

Exceto pelo zelador que aparecia ocasionalmente para cuidar da propriedade, a mansão costumava permanecer silenciosa.

Mas naquele dia duas mulheres caminhavam pelo interior da propriedade.

Entre elas, os cabelos platinados da mulher de aparência delicada ondulavam suavemente ao vento.

A pessoa que abriu a porta principal daquela casa sem dono era justamente a proprietária da residência.

A Duquesa de Polshared.

— Madame, está pesado. Deixe-me carregar sua bagagem.

— Não precisa. É apenas uma mala.

Recusando gentilmente a ajuda da criada, Yvonne entrou no vestíbulo.

Ao deixar Glade Hills, tudo o que levara consigo era uma pequena mala fácil de carregar e Jane, a criada que a acompanhava desde a casa de seus pais.

Para alguém como a Duquesa de Polshared, uma das mulheres mais influentes do reino, aquela independência poderia parecer modesta.

Mas Yvonne não se importava.

— Senhorita, a senhora é boa demais. Já que pretende se divorciar, deveria ter arrancado uma fortuna dele.

— E o que eu faria com tanto dinheiro?

Diferente do sorriso educado que mantinha diante dos outros por mera formalidade, o sorriso que surgia agora em seus lábios era sincero.

Era um sorriso leve.

Aliviado.

Como o de alguém que finalmente desistira de alcançar algo impossível.

Aquilo reduziu um pouco da preocupação que Jane carregava havia uma semana.

— É uma casa tão vazia que eu só vinha aqui uma vez por ano. Ainda assim, está impecavelmente limpa.

Carlisle, o verdadeiro dono daquela residência, nunca a visitara sequer uma única vez.

Sua mãe estivera ali apenas uma vez.

Depois da morte dela, ninguém mais passou uma noite naquele lugar.

Mesmo assim, a manutenção era perfeita.

Não havia poeira em canto algum.

A lareira estava limpa, sem vestígios de cinzas.

Os móveis antigos transmitiam uma atmosfera clássica, enquanto os tapetes e as cortinas possuíam um estilo mais moderno.

— Nesse aspecto, Harold é muito meticuloso.

— Meticuloso? Ele é simplesmente insuportável! Vive reclamando de tudo. Foi rude com a senhora também. Só porque é jovem, ele a tratava com superioridade. E guardava a chave do cofre como se alguém fosse roubá-la.

Jane estremeceu ao recordar do mordomo.

Os cabelos presos em duas tranças balançaram junto com o movimento.

Apenas lembrar dos modos antiquados e das constantes reclamações dele já era cansativo.

— Ele é uma pessoa rigorosa. Provavelmente só queria preservar as tradições severas de uma família que produziu gerações de Comandantes Supremos.

Yvonne tentou enxergar o lado positivo.

Mas o sorriso amargo em seus lábios mostrava que nem ela acreditava completamente nisso.

Carlisle havia herdado do pai uma personalidade rígida e fria.

Não era surpresa que os criados que serviam aquela família também não fossem particularmente calorosos.

— Sente-se um pouco. Vou preparar um chá.

Depois de deixar a mala no chão, Jane correu para a cozinha.

Enquanto isso, Yvonne abriu as janelas da sala e as portas da varanda para arejar o ambiente.

O perfume das flores lisianthus entrou suavemente pela brisa.

A visão dos jardins em plena floração transmitia tranquilidade.

Yvonne observou o cenário em silêncio.

Embora tivesse chovido durante todo o dia anterior, as flores permaneciam vibrantes.

Além delas, o Rio Luthers estendia-se até o horizonte, cintilando sob a luz do sol como poeira dourada.

Já fazia uma semana desde que deixara Glade Hills.

Ela havia se casado com Carlisle por meio de um simples contrato.

Um pedaço de papel.

Uma união de conveniência.

Durante três anos viveu apenas como esposa no nome.

Três anos.

Somente no momento em que sua vida se aproximava lentamente do fim foi que Yvonne finalmente tomou sua decisão.

Quando aquele homem frio aceitou o divórcio com tanta facilidade, ela quase se arrependeu.

Mas aquilo também fortaleceu sua determinação.

Por isso não confiou os documentos a ele.

Foi pessoalmente ao tribunal.

Era sua maneira de impedir que a própria fraqueza a fizesse voltar atrás.

Uma promessa feita a si mesma.

Um juramento para encerrar aquele casamento sem sentido.

O toque da campainha interrompeu sua paz.

Jane colocou a cabeça para fora da cozinha e inclinou a cabeça.

— Quem será?

As duas haviam passado uma semana escondidas antes de se mudarem para ali.

Não havia motivo para receber visitas.

Muito menos para alguém saber onde estavam.

Yvonne também pareceu confusa.

— Eu vou ver.

Como Jane estava ocupada preparando o chá, Yvonne dirigiu-se rapidamente até a porta principal.

Quebra de página

— Chegamos.

Após cerca de trinta minutos de viagem desde o palácio até a townhouse, o automóvel parou.

O ajudante que ocupava o banco da frente saiu rapidamente e abriu a porta traseira.

Carlisle desceu sem pressa.

Ergueu os olhos para a mansão cercada por arbustos verdes.

Embora fosse menor que a residência principal, a construção de três andares destacava-se como uma das mais luxuosas da região.

Mas ele não tinha interesse em apreciar a paisagem.

Atravessou o gramado com passos firmes.

Foi então que seu olhar pousou involuntariamente sobre algumas marcas deixadas na grama.

Seus passos pararam.

Não demorou para perceber.

Aquelas pegadas não pertenciam a uma mulher.

Tinham o tamanho de sapatos masculinos.

Enquanto observava silenciosamente as marcas, seus olhos escureceram gradualmente.

Mas aquela reação desapareceu tão rápido quanto surgiu.

Pela primeira vez na vida, havia ido a algum lugar para procurar a esposa.

Parado diante da entrada principal, Carlisle ajustou calmamente o nó da gravata.

Henry tocou a campainha.

— Quem é?

Uma voz suave, semelhante a uma melodia, veio do interior.

A porta branca lentamente se abriu.

Ao mesmo tempo, o sorriso brilhante estampado no rosto da mulher desapareceu.

Seu corpo ficou rígido.

— Yvonne.

Diante da esposa que havia criado uma situação tão descarada, Carlisle curvou os lábios em um sorriso elegante.

Era um sorriso bonito o bastante para atrair qualquer olhar.

Mas Yvonne conhecia muito bem a frieza escondida por trás dele.

Por isso não conseguiu sorrir de volta.

— Divertiu-se transformando seu marido em motivo de chacota durante uma semana?

Sem esperar resposta, ele entrou.

Ao passar por ela, lançou apenas um olhar para seu rosto pálido.

Yvonne fechou a porta.

As mãos tremiam levemente.

Ela sequer conseguia se mover.

Quebra de página

Um pesado silêncio pairava entre os dois.

Sentados frente a frente à mesma mesa, nenhum deles falava.

Carlisle levou aos lábios a xícara de chá servida por Jane.

Bebeu com os movimentos refinados típicos da alta nobreza.

Sua simples presença fazia a ampla sala parecer menor.

Yvonne engoliu em seco ao encarar o marido que havia vindo procurá-la pessoalmente.

Carlisle era um homem naturalmente frio.

Mesmo após deixar o exército depois de cinco anos de serviço e se tornar um empresário respeitável, ela ainda sentia que estava diante de um soldado recém-saído de um campo de batalha sempre que o observava.

Não era apenas porque administrava uma companhia de suprimentos militares.

Era algo em sua essência.

Ele já possuía aquela expressão no dia do casamento.

E a vida conjugal apenas tornara aquilo mais evidente.

Era tão frio quanto aço.

Às vezes ela chegava a se perguntar se ele conhecia o significado da palavra afeto.

Embora conseguisse sorrir adequadamente em eventos sociais e reuniões de negócios, diante da esposa seu rosto permanecia impiedosamente frio.

Por isso ela jamais imaginou que viria pessoalmente.

Pensou que enviaria outra pessoa.

Carlisle tomou mais um gole de chá.

Então começou a falar.

— Parece que sua intenção era desonrar seu marido. Infelizmente, isso não vai funcionar. Você deveria ter planejado melhor.

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