Capítulo 5
O dia em que Rothbart nasceu foi um dia amaldiçoado.
Foi o dia em que as três luas se sobrepuseram, tornando-se uma só e brilhando em um vermelho sangrento.
Ele nasceu em uma poça de sangue vermelho após matar a própria mãe, a antiga Marquesa Lohengrin.
Existe uma lenda que diz que aqueles que nascem em um dia assim são seres de mau agouro.
As pessoas chamavam tais seres de “demônios”.
Os aldeões acreditavam firmemente que Rothbart também era um demônio.
Com entusiasmo, contavam tudo o que sabiam sobre os poderes extraordinários e aterrorizantes que ele havia demonstrado desde a infância.
— Desde o nascimento, ele enfeitiçava as pessoas, manipulava suas mentes e controlava quem estava ao seu redor.
— Se você encarar aqueles olhos vermelhos, não consegue mover nem um dedo. E não são apenas os humanos. Até as feras mais ferozes abaixam o rabo e fogem.
— Dizem que até os magos negros que se escondem nas sombras o reverenciam. Se o marquês ordenar, eles arrancariam o próprio coração para lhe oferecer. Se isso não é um demônio, então o que é?
Anna e Sehyun acreditavam que aquelas histórias eram exageradas.
Demônios? Magos negros?
Aquilo parecia absurdo.
Mas também não havia motivo para contrariar os moradores e criar problemas.
Então apenas concordavam com a cabeça.
Ainda assim, era evidente que eles não acreditavam de verdade na existência de demônios.
Os aldeões balançaram a cabeça e continuaram.
— Deve ser porque vocês são do continente oriental. Não acreditam facilmente nessas coisas.
— Haha…
— Demônios existem de verdade.
Um homem esvaziou o copo de uma vez e lançou-lhes um olhar severo.
Sua voz rude carregava uma convicção intensa, misturada com medo.
Sehyun, que sempre considerara a palavra “demônio” apenas um rótulo dado a pessoas assustadoras, soltou uma risada sem graça e perguntou cuidadosamente:
— E-então… o que exatamente esse demônio fez? Eu realmente não entendo por que todos têm tanto medo.
— Dizem que os demônios manipulam a mente das pessoas. Certo. Tudo bem. Você não acredita nem um pouco, não é?
— Mm…
Quando Sehyun respondeu apenas com um sorriso vago, o homem ergueu a barba manchada de bebida e abaixou a voz.
— Vou contar um exemplo. Ouvi essa história da minha avó… É diferente do caso do marquês. Trata-se de um demônio que nasceu como plebeu. O pai dele odiava o filho, que havia nascido após causar a morte da própria mãe, mas tinha medo de ser amaldiçoado caso o abandonasse, então decidiu criá-lo. Mais tarde, ele se casou novamente. A nova esposa era uma viúva que já tinha um filho.
— E depois?
— O demônio ficou feliz por finalmente ter uma mãe. Mas a madrasta era diferente. Quando percebeu tarde demais que o filho daquele homem era um demônio, tentou desfazer o casamento. O demônio ficou furioso. Sabe o que ele fez?
— …Ele a matou?
Anna perguntou, inquieta.
Se fosse apenas uma história de ficção, ela ouviria algo muito pior sem sequer piscar.
Mas histórias apresentadas como reais, transmitidas de uma pessoa para outra, sempre causavam um desconforto difícil de explicar.
— Se ele apenas a tivesse matado, seria um simples caso de assassinato familiar. O demônio manipulou o pai para enxergar o filho da madrasta como se fosse a própria madrasta. E manipulou a madrasta para enxergar o demônio como se fosse seu verdadeiro filho.
— Meu Deus…
No começo, os dois não entenderam.
Mas quando perceberam o que aquela situação significava, seus rostos se contorceram de repulsa.
Ao vê-los assim, os aldeões deram risadinhas.
— Existem inúmeras histórias sobre demônios, mas todas ensinam a mesma coisa. Nunca se envolva com eles.
Ainda tentando afastar o mal-estar, Anna respirou fundo antes de perguntar novamente:
— Se eles são tão perigosos, por que simplesmente não os matam?
— Como? Com que força? E se algo der errado e você despertar a ira de um demônio? Quem sabe o que pode acontecer?
— …
— Quem assumiria esse risco? Todo mundo finge não ver e diz que não é problema seu. É a mesma coisa com o Marquês Lohengrin. Sempre que ele aparece, os animais fogem e sua simples presença faz você perder o ar. Mas, por outro lado, ele parece um bom governante. Cobra impostos de forma justa… e não é como se saísse desonrando todas as moças da aldeia.
Embora demonstrasse medo, o homem parecia quase defender o marquês.
Desde que não estivesse diretamente envolvido, acreditava ser melhor deixar tudo como estava.
Nesse momento, um homem magro sentado do outro lado da mesa balançou a cabeça enquanto bebia.
— Mesmo assim, não consigo deixar de achar estranho. A família do marquês vive contratando empregados. Mas ninguém jamais ouviu falar para onde os antigos empregados foram ou por que saíram.
— Não é simplesmente porque faltam trabalhadores competentes? Hans, você mesmo vive reclamando que está difícil encontrar jovens capazes para ajudá-lo hoje em dia. Deve ser a mesma coisa na mansão. Quem não serve para o trabalho é dispensado. Quem sairia por aí se gabando de ter sido demitido?
— Você realmente acha que é só isso? Nos últimos anos, alguns cadáveres estranhos têm aparecido pelo domínio.
— Que tipo de cadáveres? Eu ouvi histórias sobre cisnes mortos sendo encontrados.
O homem barbudo tentou interromper Hans, mas Sehyun rapidamente entrou na conversa.
Ao ouvir aquilo, Hans soltou uma risada de deboche.
— Cisnes mortos? Não me faça rir. Eram corpos humanos. Corpos completamente ressecados. Como se alguém tivesse sugado todo o sangue deles… Ouvi dizer que existe uma câmara de tortura sob a mansão do marquês. Talvez seja verdade.
Quando Hans terminou de falar, um silêncio desconfortável tomou conta da taverna.
Mesmo com todos já bastante bêbados, um arrepio percorreu o ambiente.
Foi outro homem, e não Hans ou o barbudo, quem soltou um longo suspiro e retomou a conversa.
— Agora que penso nisso, depois que o antigo marquês morreu e até aquele demônio crescer, nada de muito estranho aconteceu. Os problemas começaram quando ele atingiu a idade adulta. Não foi nessa época que a marquesa apareceu?
— Isso foi há mais de dez anos.
— Talvez quinze. Foi por volta daquela época. Lembro bem porque minha mãe morreu naquele ano.
Os homens remexeram suas memórias.
À medida que compartilhavam lembranças fragmentadas, pedaços do passado começaram a se encaixar.
— Ela era uma mulher do continente oriental, como vocês dois. Ninguém sabia de onde tinha vindo. Era como se tivesse caído do céu ou surgido da terra.
— Dizem que os poderes do demônio não funcionavam nela.
— Isso mesmo. Ela também não tinha medo dele. Às vezes até levantava a voz e discutia com ele.
— Discutia? Com o demônio?
— Uma criada que trabalhava naquela casa contou que certa vez ela deu um tapa no rosto dele durante uma briga.
— Céus. Impressionante. A marquesa não era uma mulher comum. Talvez tenha sido justamente isso que despertou o interesse do marquês.
— Ouvi dizer que ele a perseguiu durante anos.
— Mercadorias caríssimas chegavam sem parar da capital para a mansão, e todas as flores do domínio eram colhidas para decorar o quarto dela. No fim, ele finalmente a conquistou, mas…
— Quem poderia imaginar que, poucos dias depois de dar à luz um filho, a marquesa morreria da peste que assolou o domínio? Acho que nem chegaram a completar um ano de casamento… Pensando assim, foi um período muito curto.
Mas a desgraça da família Lohengrin não terminou aí.
Antes mesmo que a terra sobre o túmulo da marquesa secasse, outra tragédia aconteceu.
O pai de Rothbart também sucumbiu à peste.
Assim, restaram apenas dois membros da família Lohengrin:
O demônio Rothbart.
E seu filho, Svanhild.
— Dizem que o marquês reviveu uma família em decadência, mas olhem só a quantidade de desgraças que ainda pairam sobre aquela casa! Nunca se deve se envolver com demônios.
— O marquês tentou ter um filho, e os céus o puniram por isso. Foi um castigo divino.
— Talvez a marquesa nem tenha morrido de verdade. Tom, o homem que carregou o caixão dela, disse que ele era leve como se estivesse vazio.
— Se a marquesa não morreu, então para onde ela teria ido? O marquês jamais a deixaria partir.
— Agora que você falou nisso, existe uma velha lenda que diz que, para um demônio ter um filho, sua companheira precisa ser um cisne. Se a marquesa era um cisne, talvez apenas tenha voltado voando para os céus.
— Um cisne? Que história absurda.
— Se existem demônios nesta era, então cisnes também devem existir.
— Se a marquesa era um cisne, então esses dois aqui também devem ser cisnes.
— Hum… o que é exatamente um cisne?

