Capítulo 20

As criadas que dividiam o quarto com Anna passaram o dia inteiro perguntando como havia sido servir Rothbart.

Para Anna, era uma pergunta difícil de responder.

Ela apenas sorria de forma constrangida e deixava as palavras morrerem antes de terminá-las.

Mas ninguém achou estranho.

Apesar do rosto bonito, o temperamento do Marquês era famoso por ser imprevisível.

As outras apenas assentiam, dizendo que certamente ela devia ter passado por dificuldades naquele primeiro dia e que, mais cedo ou mais tarde, acabaria reclamando dele como todos os demais.

Depois de conversarem animadamente por algum tempo, uma a uma foram se deitando conforme a noite avançava.

Apenas Anna permaneceu acordada na escuridão.

Talvez pelo choque de tudo o que acontecera naquele dia, o sono simplesmente não vinha.

— Uma vez por ano, quando as três luas se sobrepõem e brilham em vermelho… se você for até o lago na floresta atrás desta mansão, a lua cheia será refletida sobre a água. Aquela é a porta pela qual um cisne pode retornar ao seu mundo original.

Sob o pretexto de pagar o preço combinado, Rothbart havia se acomodado profundamente no sofá enquanto lhe contava aquilo com aparente generosidade.

Embora fosse apenas uma compensação justa pelo que ele exigia de seu corpo, a postura arrogante dele fazia Anna sentir-se duas vezes mais humilhada.

Mesmo assim, ela não podia discutir.

Limitou-se a inclinar a cabeça e gravar cada palavra na memória, repetindo-as inúmeras vezes dentro de si.

Já era tarde da noite quando Anna se levantou silenciosamente e caminhou até a janela ao lado da cama.

Ao longe, acreditava conseguir enxergar o lago do qual Rothbart falara.

— Mas lembre-se. Se as condições não forem cumpridas, a porta jamais se abrirá.

Embora finalmente tivesse descoberto como retornar ao seu mundo, Anna não conseguia se alegrar por completo.

A condição era gerar uma criança.

Aquilo ainda parecia irreal.

E, acima de tudo, ela não fazia ideia de como contar aquilo a Sehyun.

Na verdade, era isso que mais a atormentava.

— Ou você transou com o Marquês? Foi por isso que ele a tornou sua criada pessoal?

Sehyun havia dito aquilo sem hesitar quando soubera da promoção dela.

Se descobrisse que ela realmente havia se deitado com Rothbart… e que agora precisava até mesmo gerar um filho dele…

Quanto mais a desprezaria?

Explicar que era a única forma de voltar para casa provavelmente não mudaria nada.

Ele apenas zombaria dela, dizendo que estava certo desde o começo.

Que, no fim, ela havia se vendido.

Anna conseguia ouvir aquelas palavras antes mesmo que fossem pronunciadas.

Valia mesmo a pena contar a ele apenas para ouvir esse tipo de acusação?

E mesmo que ambos conseguissem retornar ao mundo original, ainda restavam problemas práticos.

Muitos já haviam questionado por que Sehyun, tão popular na universidade, namorava alguém como Anna.

Se eles terminassem repentinamente e depois surgissem rumores de que ela dera à luz em segredo, seria um desastre.

Sehyun também precisaria ter um filho com alguém deste mundo para conseguir voltar.

Mas, diferente dela, nada recairia sobre ele.

O peso carregado por uma mulher que gera uma criança era completamente diferente daquele suportado por um homem que apenas a concebe.

Claro, se Sehyun mantivesse silêncio, nada disso importaria.

Mas depois dos acontecimentos recentes, Anna já não tinha certeza de que podia confiar nele.

Durante toda a vida, ela havia negligenciado os estudos para cuidar da mãe doente e sempre vivera distante das outras pessoas.

Talvez não tivesse muito a perder mesmo que rumores surgissem.

Ainda assim…

Boatos podiam se transformar em facas.

E facas costumavam atingir justamente quando menos se esperava.

Anna balançou a cabeça.

— Talvez eu esteja pensando demais…

Nada ainda estava decidido.

Mesmo sem confiar mais em Sehyun, eles haviam sido lançados juntos naquele mundo desconhecido.

A solidão de despertar em um lugar estranho…

Provavelmente apenas os dois eram capazes de compreendê-la de verdade.

Anna também sabia o quanto Sehyun desejava voltar para casa.

Por isso, esconder o método de retorno lhe causava uma culpa difícil de explicar.

Ainda assim, ela não tinha coragem de lhe contar imediatamente.

Talvez, depois de organizar melhor os próprios sentimentos.

Talvez mais tarde.

Pensando friamente, o retorno de Sehyun poderia acontecer depois do dela.

Quando estivesse grávida, ela contaria tudo.

Apenas revelar o método já seria cumprir sua obrigação.

Tentando convencer a si mesma, Anna abraçou os próprios joelhos.

Mesmo assim, continuava sentindo um vazio impossível de preencher.

Quebra de página

Encontros frequentes tinham uma estranha capacidade de alterar a percepção do tempo.

A consciência humana era moldada pelo acúmulo dos momentos.

E Anna logo descobriu que aquilo era verdade.

Pouco a pouco, ela foi se acostumando a Rothbart.

A vergonha e o constrangimento que sentira no início praticamente desapareceram.

Não porque deixassem de existir.

Mas porque já não duravam muito tempo.

Rothbart a mantinha constantemente ao seu lado.

Quando desejava, ordenava que levantasse a saia.

Chegou até mesmo a dizer que ela não precisava mais usar roupas íntimas.

Naquele dia aconteceu a mesma coisa.

A manhã passara tranquila.

Nenhum sinal.

Anna chegou a acreditar que o dia terminaria sem incidentes.

Mas, quando o sol começou a se pôr, Rothbart simplesmente a puxou para si.

Curvou-a sobre a mesa de trabalho e a possuiu sem qualquer aviso.

A barra negra do vestido foi empurrada até a cintura.

Sob o tecido amassado, seus quadris claros estremeceram quando ele a tomou.

— Ah… dói…

— Isso não é dor. É excitação. Caso contrário, como explica seu corpo reagindo assim?

Anna não conseguiu responder.

Porque ele não estava totalmente errado.

Mesmo sentindo desconforto, seu corpo reagia de forma vergonhosamente sincera.

— Ah…! Ah…!

A cada movimento de Rothbart, a mesa estremecia.

Objetos espalhavam-se pela superfície.

Uma caneta cara rolou até o chão.

Ele sequer olhou para ela.

Apenas acelerou.

Segurando os braços finos de Anna para impedi-la de escapar, movia-se sem qualquer consideração.

E quando aquilo pareceu insuficiente, agarrou seus quadris e a puxou ainda mais para perto.

O corpo dela era sacudido sem misericórdia.

Como uma marionete presa pelos fios.

No dia anterior havia sido diante da janela.

Assustada com a possibilidade de alguém no jardim vê-los, Anna quase entrou em pânico.

Mesmo assim, Rothbart apenas a pressionou contra o vidro.

Cadeiras.

Tapetes.

Sofás.

Ele a levava para todos os lugares.

Mas nunca mais para a cama.

Nunca mais para o quarto da falecida Marquesa.

Como se aquele lugar fosse proibido para Anna.

Como se a cama pertencesse apenas à esposa legítima.

Anna suportava tudo em silêncio.

Na verdade, não passava de uma substituta.

Um recipiente para os desejos dele.

Palavras doces trocadas sobre lençóis não combinavam com a relação que possuíam.

E talvez nem valesse a pena desejá-las.

Por isso, às vezes, Anna chegava a desejar que Rothbart fosse ainda mais frio.

Ainda mais cruel.

Que a tratasse apenas como um nada.

Uma ferramenta.

Porque a intimidade física tinha um poder perigoso sobre o coração.

O prazer.

A proximidade.

A sensação de revelar cada parte escondida de si para alguém.

Quando aquela barreira desaparecia, tornava-se difícil manter distância.

Rothbart já havia entregue o coração a outra mulher.

Para ele, talvez nada daquilo significasse grande coisa.

Mas para Anna era diferente.

Ele fora seu primeiro homem.

E ela não conhecia outro prazer além daquele que ele lhe ensinara.

Sem ninguém mais em quem se apoiar, acabava sendo facilmente influenciada.

— Haa… Ianna… Ianna…

Principalmente quando o Marquês a abraçava e murmurava o nome da falecida Marquesa.

Nesses momentos, algo dentro dela estremecia.

Prazer.

Ciúme.

Tristeza.

Ela já não sabia distinguir.

— Ah… ahh…

Como se ele estivesse chamando por ela.

Como se aquele nome lhe pertencesse.

Seu corpo reagia involuntariamente.

Aquilo não era um bom sinal.

Anna tentava desesperadamente controlar os próprios sentimentos.

Mas Rothbart percebia tudo.

E ao notar que cada vez que pronunciava o nome da esposa o corpo dela reagia, passou a fazê-lo de propósito.

Aproximava-se de seu ouvido.

Sussurrava.

E acelerava.

— Ahh… eu vou…

— Ainda não.

Um sorriso perverso surgiu nos lábios dele.

Sua mão deslizou pela cintura de Anna.

Depois continuou descendo.

— Não… ah…

O contato arrancou um estremecimento violento de seu corpo.

Ondas de prazer percorriam cada nervo.

Ela perdeu a força nos braços.

Perdeu o controle da respiração.

Perdeu o controle de si mesma.

Pouco depois, Rothbart também atingiu o limite.

Seu corpo enrijeceu.

E então ele a preencheu mais uma vez.

Sempre em excesso.

Sempre como se jamais fosse suficiente.

Talvez fosse por causa do sangue demoníaco que corria em suas veias.

Ou talvez fosse apenas sua própria natureza.

Gotas escorreram lentamente.

Rothbart observou.

Então recolheu o que havia escapado e empurrou de volta.

— Sua boca diz não. Mas seu corpo é muito mais honesto.

Com ele, tudo sempre acontecia do mesmo jeito.

Sem pedir permissão.

Sem lhe dar escolha.

Apenas impondo sua vontade.

E o prazer que ele arrancava dela parecia zombar de cada tentativa de resistência.

Ainda assim, por mais egoísta que fosse, Rothbart jamais deixava de levá-la ao limite.

Era como se seu verdadeiro objetivo não fosse apenas satisfazer os próprios desejos.

Mas expor tudo aquilo que Anna tentava esconder.

Despir sua vergonha.

Destruir seu orgulho.

E, passo a passo…

Ele estava conseguindo.

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