Capítulo 18
Não fazia nem alguns dias desde que ela conseguira escapar do choque daquela primeira união forçada.
E agora… gravidez.
Ela teria de gerar um filho?
Era algo que jamais sequer passara por sua mente.
E, entre todas as possibilidades, justamente um filho de Rothbart…
Mas, se realmente não existisse outro caminho…
Sua mente mergulhou em uma tempestade de confusão.
Não havia como Rothbart deixar de perceber a hesitação estampada em seu rosto.
Como um demônio atraindo sua presa para a armadilha, ele sussurrou docemente:
— Nosso relacionamento… que dure apenas até o momento em que você gerar uma criança. O que acha?
Seus braços envolveram a cintura de Anna.
— Até lá, aproveitamos um ao outro. Depois você dá à luz e retorna para o seu mundo.
Enquanto falava, sua mão voltou a apertar-lhe um dos seios.
Os movimentos eram mais lentos e deliberados do que antes.
A respiração de Anna tornou-se irregular.
Rothbart deslizou os lábios por sua face e continuou:
— Além disso… nós combinamos muito bem, não foi?
Sua mão ergueu a saia dela.
A palma quente avançou lentamente por sua coxa.
— Claro, se não tiver interesse, pode recusar.
Sua voz tornou-se falsamente generosa.
— Existe mesmo a necessidade de ir tão longe apenas para voltar ao seu mundo? Passar o resto da vida aqui também não parece tão ruim.
Mas Anna compreendia.
Se escolhesse permanecer naquele lugar, jamais escaparia das garras dele.
Naquela sociedade regida por títulos e hierarquias, ela valia menos do que uma simples plebeia.
Já ele era um Marquês.
Anna mordeu o lábio e perguntou novamente:
— Para eu voltar… realmente não existe outro caminho?
— Não.
Rothbart respondeu sem hesitar.
— Juro pelo nome da minha Casa.
— …
— Se preferir, posso jurar pela minha esposa.
Um sorriso surgiu em seus lábios.
Anna sentiu um amargor subir pela garganta.
Que juramento poderia ser mais vazio do que invocar a própria esposa diante da mulher que ele desejava transformar em substituta dela?
Ainda assim…
Mesmo sem acreditar completamente em suas palavras, ela não tinha outra pista.
Nenhuma outra esperança.
— Primeiro…
A voz dele tornou-se suave.
— Vamos confirmar até que ponto você realmente se parece com minha esposa.
Seus dedos deslizaram pela cintura dela.
— Quanto às outras condições para seu retorno… eu lhe contarei aos poucos.
Sem pressa.
Rothbart aproximou-se ainda mais.
Anna fechou lentamente os olhos.
Tudo aquilo…
Era apenas para voltar para casa.
A partir daquele momento, já não havia caminho de volta.
— Tire a roupa.
A luz da manhã inundava o aposento.
Aquilo tornava tudo ainda mais constrangedor.
Sentado em uma cadeira, com as pernas cruzadas, Rothbart observava Anna.
Com dedos trêmulos, ela levou as mãos às fitas do avental.
O avental manchado de fuligem caiu primeiro.
Depois veio o vestido.
Os botões pareciam impossíveis de abrir.
Ainda assim, Rothbart aguardou pacientemente.
O tecido negro deslizou por sua pele clara.
Nua em meio àquele cômodo amplo e luxuoso, digno de um cenário cinematográfico, Anna sentiu uma estranha sensação de irrealidade.
Com a extremidade curva da bengala, Rothbart puxou-lhe a cintura para mais perto.
— Seus seios…
Seu olhar percorreu seu corpo.
— São um pouco menores.
A mão dele sustentou um deles por baixo.
— Mas cabem perfeitamente na minha mão.
Seus dedos apertaram o mamilo.
— A cor ainda é muito clara. Deve escurecer com o tempo.
A dor fez o pequeno botão rosado endurecer ainda mais.
Anna engoliu a vergonha.
Ergueu o queixo.
Tentou aparentar calma.
Rothbart continuou observando-a como se estivesse avaliando uma peça rara.
Percorreu seus braços.
Os ombros.
As clavículas.
A cintura.
Os quadris.
As coxas.
As panturrilhas.
Exatamente como havia dito.
Ele comparava cada parte dela à falecida Marquesa.
E aquilo despertou um sentimento inesperado em Anna.
Inveja.
Mesmo após mais de dez anos, Rothbart ainda era capaz de recordar a esposa com riqueza de detalhes.
Se sua própria memória fosse tão forte, talvez não temesse tanto esquecer o rosto dos pais falecidos.
Perdida nesses pensamentos, Anna só percebeu tarde demais que ainda restava uma parte de seu corpo a ser examinada.
— Apoie as mãos sobre a mesa.
A voz dele soou fria.
— E vire-se para mim.
Anna mordeu o lábio.
Aquela ordem era insuportável.
Mas sabia que resistir seria inútil.
Em silêncio, obedeceu.
Rothbart observou-a demoradamente.
O silêncio que se instalou era quase mais constrangedor do que qualquer palavra.
— Pelo que me lembro…
A voz dele voltou a soar.
— Aquela noite foi sua primeira vez.
O tom zombeteiro fez Anna cerrar os dentes.
— Você tinha algum amante?
Nenhuma resposta.
— Havia alguém que amava?
Anna permaneceu imóvel.
— Aquele homem do Continente Oriental? Assim como você?
Após alguns segundos, ela respondeu:
— N-Não.
Sua voz saiu fraca.
— Joseph é apenas… como um irmão.
Era uma mentira.
Mas, por algum motivo, sentiu necessidade de dizê-la.
— Hm.
Rothbart limitou-se a emitir um som indiferente.
Era impossível saber se acreditara ou não.
Depois de alguns instantes, afastou-se.
— Muito bem.
Seu olhar percorreu Anna uma última vez.
— Já vi o suficiente.
O silêncio voltou a dominar o aposento.
Anna soltou lentamente o ar preso em seus pulmões.
Mas a sensação de estar completamente à mercê daquele homem permaneceu.
Mais forte do que nunca.
Por um instante, Rothbart permaneceu imóvel atrás dela.
Seu olhar percorreu lentamente cada linha de seu corpo, como se ainda estivesse avaliando algo.
Anna sentiu a tensão no ar se tornar quase palpável.
Instintivamente, seus dedos se fecharam sobre a borda da mesa.
Ela não ousou se virar.
Nem ousou dizer uma palavra.
Havia algo naquele silêncio que a deixava mais inquieta do que qualquer ameaça.
Então, ela ouviu seus passos se aproximarem.
Lentos.
Firmes.
Inevitáveis.
O som ecoou pelo aposento, fazendo seu coração disparar.
Anna fechou os olhos por um breve momento.
Enquanto a luz dourada da manhã atravessava as janelas, ela compreendeu algo com clareza.
O verdadeiro problema não era retornar para seu mundo.
Era sobreviver até lá.

