Capítulo 2

No entanto, seu cliente, o Sr. Wyatt, havia exigido que tudo fosse explicado com absoluta clareza, até os mínimos detalhes, para evitar questionamentos inconvenientes no futuro.

— Chegaremos em breve. Vou pegar sua bagagem.

Após lançar um olhar pela janela, o advogado dobrou o jornal e se levantou.

A única bagagem de Vanessa era uma pequena mala guardada no compartimento superior. Ele a retirou e a entregou à garota, que a acomodou cuidadosamente sobre o colo.

— Haverá alguém esperando para acompanhá-la até o Castelo de Gloucester. Basta segui-lo.

— O senhor não virá comigo?

— Vou descer na próxima estação. Tenho uma pilha de assuntos para resolver com outros clientes.

Consultando o relógio de bolso, o advogado suavizou ligeiramente o tom.

A viagem de trem entre Londres e Bath durava cerca de nove horas, uma jornada cansativa até mesmo para um adulto. Ainda assim, aquela menina havia permanecido tranquila o tempo todo.

Não chorou.

Não reclamou.

Não demonstrou impaciência.

Considerando que perdera os dois pais há menos de um mês, sua serenidade era impressionante.

— Como é o meu tio?

A pergunta arrancou o homem de seus pensamentos.

Ele endireitou a postura e fitou Vanessa por um instante antes de responder.

— Não sei exatamente o que quer dizer.

— Ouvi dizer que o senhor trabalhou com ele durante muitos anos. No exterior.

— Bem… ele não é exatamente um homem gentil. Mas você é a única parente viva que lhe resta. Duvido que a trate com crueldade.

Vanessa permaneceu em silêncio.

— Além disso, tudo mudará novamente dentro de sete anos, quando atingir a maioridade.

Ela ergueu o olhar em questionamento.

Os cílios dourados emolduravam seus olhos cinzentos e claros, tremulando delicadamente como asas de borboleta.

— Como assim?

— Você se casará. E então passará a receber a pensão que pertencia à antiga Condessa de Somerset. Se não me engano, o valor gira em torno de trinta mil libras por ano.

— Preciso me casar para ter direito a essa pensão?

— Ou ter um filho. As leis do Império garantem direitos sucessórios a quem possui dependentes. Até lá, o Sr. Wyatt… quero dizer, o novo Conde de Somerset, administrará suas finanças.

Vanessa assentiu com elegância.

Sua postura continuava impecável.

Nem sequer um traço de insatisfação surgiu em seu rosto ao ouvir que não poderia tocar em uma única moeda da própria herança até atingir a idade adulta.

O advogado chegou a se perguntar se ela realmente havia compreendido o que acabara de ouvir.

Provavelmente não.

Assuntos como pensões, heranças e direitos sucessórios eram complexos demais para uma menina de treze anos.

Nesse momento, o trem reduziu a velocidade e finalmente parou na plataforma.

— North Somerset! Estação de Bath! Por favor, recolham seus pertences! O trem partirá em dez minutos!

Os passageiros imediatamente começaram a se mover pelo corredor, disputando espaço para desembarcar.

Vanessa levantou-se, segurando a pequena mala contra o corpo.

Deu alguns passos.

Então cambaleou.

Por pouco não caiu.

— Céus…

Surpreso, o advogado segurou seu braço.

Enquanto estivera sentada, parecera perfeitamente bem.

Mas agora ele percebeu que seu corpo ardia em febre.

— Você precisa ser examinada por um médico assim que chegar ao castelo.

— Agradeço sua preocupação, mas não é nada grave.

— Está com uma febre alta.

— O senhor pretende contar ao meu tio?

— Naturalmente.

— Não é nada sério. Acho que estou apenas… animada.

— Animada?

— Tenho boas lembranças dos verões que passei no Castelo de Gloucester.

Pela primeira vez, um brilho suave surgiu em seu olhar.

— Estou muito triste agora, mas acredito que voltarei a ser feliz quando me estabelecer lá.

Ela tocou a própria bochecha corada com o dorso da mão.

Então sorriu.

Um sorriso genuinamente infantil.

— Por favor, não conte ao meu tio. Não quero preocupá-lo.

Por um instante, o advogado ficou sem palavras.

Sempre se orgulhara de sua capacidade de lidar com qualquer situação.

No entanto, diante daquela menina inocente, sentiu uma estranha vergonha invadir seu coração.

Como se estivesse testemunhando algo puro demais para aquele mundo.

No fim, tudo o que conseguiu dizer foi:

— Desejo-lhe toda a felicidade do mundo, Vanessa.

O sorriso dela se ampliou.

— Muito obrigada. O senhor é muito gentil.

— Vá agora. O trem partirá a qualquer momento.

Vanessa desceu do vagão e acenou em despedida.

O advogado observou sua pequena figura se afastar pela plataforma.

Foi então que uma culpa tardia apertou seu peito.

A vida certamente não seria fácil para aquela menina.

Ainda assim, seu futuro parecia promissor.

Com aqueles traços delicados, a postura refinada e o sorriso angelical, ela estava destinada a se tornar uma grande beleza.

Uma daquelas mulheres capazes de encantar toda a alta sociedade.

Afinal, para muitas mulheres, felicidade e sucesso eram definidos pelo valor de seu casamento.

Até mesmo um canalha como Wyatt saberia reconhecer o valor de uma joia como Vanessa.

Com sua beleza e seu temperamento dócil, não teria dificuldade em conquistar o coração do futuro marido.

Talvez eu esteja me preocupando sem motivo.

Daqui a alguns anos, provavelmente verei seu nome estampado nos jornais anunciando um casamento brilhante.

Afastando tais pensamentos, ele abriu novamente o jornal.

Estava cansado.

Tudo o que desejava era chegar a um hotel confortável antes do anoitecer e descansar em uma cama de verdade.

Exatamente sete anos depois, como ele — e todos que conheciam Lady Vanessa — haviam previsto, seu nome realmente apareceu nas manchetes.

Mas não por causa de um casamento.

E sim por causa de um escândalo.

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