Capítulo 16

Rothbart inspirou profundamente, saboreando os resquícios do orgasmo. Os músculos largos de suas costas, envoltos em tecido fino, subiam e desciam pesadamente.

Rothbart abriu a mão.

O pequeno pedaço de tecido macio que havia envolvido seu membro estava imundo, encharcado por seu sêmen. Tomado pela satisfação de tê-la violado uma segunda vez, ele soltou uma risada baixa.

Logo, seus ombros começaram a tremer.

Aquela risada tênue espalhou-se como um incêndio devastador.

— Quer ela tenha realmente perdido a memória… ou esteja apenas fingindo…

Mesmo após observá-la por vários dias, ele ainda não tinha certeza. Mas, quando a encarasse diretamente…

Conseguiria perceber.

Na verdade, para Rothbart, nenhuma das duas possibilidades fazia diferença.

Se bloqueasse todas as suas rotas de fuga e acorrentasse seus pés para que não tivesse para onde correr, mais cedo ou mais tarde ela própria revelaria a verdade.

Após recompor a aparência, Rothbart apertou contra si as roupas que acabara de profanar no lugar da dona delas e se levantou.

Seus passos o levaram até a lareira próxima.

Sem hesitar, lançou as roupas ao fogo crepitante.

Creck. Crack.

As chamas vorazes logo começaram a devorá-las.

Observando até que perdessem completamente a forma, Rothbart murmurou para si mesmo, o rosto ruborizado como o de um homem fazendo uma confissão de amor.

— Quando eu arrancar tudo de você e espalhar cada segredo diante dos seus olhos… que expressão fará, Ianna…?

Um sorriso estranho curvou seus lábios enquanto observava as roupas desaparecerem por completo.

Junto da fuligem negra, seus vestígios também desapareceram.

Mas isso não importava.

Em breve, ele deixaria novas marcas.

De novo.

E de novo.

Diretamente na dona daquelas roupas.

Ao pensar nisso, as chamas pareceram dançar em resposta.

Ela deveria ter retornado antes.

Onze anos eram mais do que suficientes para consumir completamente o pavio da paciência de um homem.

O que restava agora não era amor.

Era apenas veneno queimado.

E uma obsessão úmida e apodrecida.

Quebra de página

— Sua função não tem nada de especial. Basta servir o mestre. O mestre é um homem exigente, portanto não seja negligente e não atraia seu desagrado.

Ao ouvir as palavras de Madame Dova, Anna, tomada pelo nervosismo, entrou ao amanhecer em seu novo local de trabalho no dia seguinte.

Embora já trabalhasse havia algum tempo naquela mansão, era a primeira vez que entrava no escritório do Marquês.

O escritório era decorado em estilo antigo, mas transmitia uma sensação estranhamente estéril.

Anna teve a impressão de que as informações ali eram rigidamente controladas.

Como se aquele fosse um cômodo preparado para ser mostrado aos outros.

Pelo menos será fácil de limpar.

Apesar da ansiedade por não entender por que o Marquês a escolhera como criada pessoal, ela não tinha intenção alguma de negligenciar o trabalho que lhe fora confiado.

Antes de ir aos aposentos do Marquês para acordá-lo, sua primeira tarefa era limpar o escritório.

Anna arregaçou as mangas e concentrou-se no trabalho.

Primeiro veio a limpeza da lareira.

Ela dobrou um lenço em formato triangular para cobrir o nariz e a boca antes de se aproximar da lareira apagada.

Assim que começou a remover as cinzas, nuvens de fuligem se ergueram.

— Cof… cof…

O lenço não conseguia bloquear toda a poeira.

Lágrimas surgiram em seus olhos, mas Anna continuou.

Havia muito mais cinzas do que costumava encontrar ao limpar o quarto de Svanhild.

Talvez porque um cômodo maior exigisse mais lenha.

Ou talvez documentos e papéis tivessem sido queimados ali.

Por um instante, ela chegou a se perguntar se aquilo havia sido feito de propósito para dificultar seu trabalho.

Certamente não.

Nesse ponto, deixaria de ser cautela para se tornar pura paranoia.

Anna soltou uma risada fraca enquanto continuava raspando as cinzas.

Foi então que o atiçador enroscou em algo.

— O que é isto?

Com cuidado, ela puxou o objeto para frente.

Parecia uma espécie de arame retorcido, aproximadamente do comprimento de sua palma.

Confusa, continuou limpando.

Logo encontrou outro.

— Isto…

Ela não fazia ideia para que servia.

Ainda assim, despertava uma estranha sensação de familiaridade.

Naquele momento, no canto mais profundo da lareira, ela avistou um pedaço de tecido que não havia queimado completamente.

Tentou puxá-lo com o atiçador, mas parecia preso à parede interna.

Por fim, inclinou o corpo para dentro da lareira.

— …Tecido?

Anna franziu a testa ao tocá-lo.

Por que haveria tecido queimado dentro do escritório?

Não era como se seda fosse usada como lenha…

Pensando melhor, aquele tecido escurecido e perfurado pelo fogo parecia estranhamente familiar.

No instante em que tentou observá-lo mais de perto, uma voz gélida caiu sobre ela por trás como a lâmina de uma guilhotina.

— Contratei uma criada ou uma prostituta empinando o traseiro para me seduzir?

Anna ergueu o corpo às pressas.

No movimento brusco, as cinzas espalharam-se por toda parte.

Coberta de fuligem da cabeça aos pés, ela corou de vergonha e humilhação, baixando imediatamente a cabeça.

— Levante-se. Eu não a trouxe para cá para fazer esse tipo de coisa.

A voz fria de Rothbart carregava uma autoridade estranha.

Sem perceber, Anna se colocou de pé.

Ela não sabia se o “esse tipo de coisa” se referia a limpar a lareira ou à posição em que estava.

O pensamento fez suas orelhas queimarem.

Somente então ela conseguiu encará-lo adequadamente sob a luz do dia.

Mesmo na escuridão ele parecera enorme.

Sob o sol, era ainda mais impressionante.

Os músculos destacados por baixo da luz tornavam sua presença esmagadora.

Talvez tivesse acabado de acordar.

Os cabelos caíam desordenados sobre a testa.

Ainda assim, parecia uma pintura.

Seus traços perfeitos, quase desumanos, como se tivessem sido esculpidos pelos deuses, fizeram Anna engolir em seco.

Nenhum elogio pareceria exagerado diante dele.

Sua simples existência fazia as pessoas comuns se sentirem insignificantes.

Vestindo apenas um roupão que certamente tocava a pele nua, ele parecia um homem incapaz de sentir vergonha.

Seminu, observava Anna sem qualquer constrangimento.

Os olhos vermelhos sob as sobrancelhas espessas brilhavam com pensamentos impossíveis de decifrar.

— A limpeza dos meus aposentos continuará sendo responsabilidade do mordomo. Parece que Madame Dova não explicou isso corretamente.

— N-Não…

Temendo que aquilo soasse como uma crítica à governanta-chefe, Anna respondeu apressadamente.

Agora que pensava nisso, ele jamais havia dito que ela seria responsável pela limpeza.

Apenas que deveria servi-lo.

Suas orelhas ficaram ainda mais vermelhas diante daquele mal-entendido precipitado.

— Vou trocar de roupa.

Com isso, Rothbart virou-se.

Coberta de fuligem, Anna hesitou.

Segui-lo naquele estado parecia inadequado.

Talvez apenas acabasse sujando tudo.

Mas Rothbart já se afastava rapidamente.

Não havia escolha.

Anna correu atrás dele.

Quebra de página

Seguir Rothbart havia sido a decisão correta.

Depois disso vieram inúmeros conflitos aparentemente insignificantes, mas que para Anna eram fonte constante de preocupação.

Ele agia como se tivesse esquecido que aquele era seu primeiro dia como criada pessoal.

Sem fornecer qualquer orientação, colocava-a à prova repetidas vezes.

Para evitar desagradá-lo, Anna passou a observar cuidadosamente cada gesto, cada expressão e cada mudança em seu tom de voz.

Na verdade, aquilo era exaustivo.

Acima de tudo, lidar com seu corpo seminu era profundamente constrangedor.

Sempre que seus dedos tocavam sua pele enquanto o ajudava a se vestir, a situação tornava-se ainda pior.

Abotoar cada botão de sua camisa era como caminhar sobre uma lâmina.

Rothbart observava atentamente a forma como ela se atrapalhava.

Como se a incentivasse a continuar.

Enquanto prendia o botão do punho esquerdo da camisa, seus olhos passaram pelo antebraço descoberto dele.

Linhas esbranquiçadas envolviam o braço esquerdo como uma teia de aranha.

Cicatrizes…?

Não eram marcas superficiais.

Eram ferimentos profundos.

Cortes reais.

Autolesão?

Ou uma tentativa de suicídio?

Nenhuma das duas hipóteses parecia combinar com um homem como Rothbart.

Ainda assim, a falecida Marquesa inevitavelmente surgiu em seus pensamentos.

Agora que refletia sobre isso, Svanhild também possuía uma longa cicatriz atravessando a palma da mão, como se tivesse sido aberta por uma lâmina.

E nem sequer parecia uma ferida antiga.

Ela sempre se perguntara como o jovem mestre de uma família nobre havia adquirido uma cicatriz daquele tipo.

Mas, ao ver os ferimentos de Rothbart, não ousou fazer mais perguntas.

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